“Ça ne va pas”, disse Schulz em ‘Avril au Portugal’

Martin Schulz, sabe-se, é membro do SPD (Partido Social-Democrata Alemão) e presidente do Parlamento Europeu. Participou no XIX Congresso do PS em Abril passado. Valeu-se, então, de uma ideia célebre de Thomas Mann e repetiu-a:

Queremos uma Alemanha europeia e não uma Europa alemã

Divagou por percurso retórico sintonizado com esta frase e a referência ao fosso económico e social entre o Centro e Norte da Europa (a Alemanha, em destaque) e os Estados periféricos.

Com jactância, proclamou um “Ça ne va pas” (“Isto não vai”). Em francês ou português, é frase de sujeito indeterminado (o pronome ‘Ça’ ou ‘Isto’) e de complemento omisso (não vai  fazer o quê, onde?…).

Quando muito, podemos esmiuçar que Schulz terá pretendido dizer: “a falta de solidariedade europeia tal como a vivemos não levará a Europa dos 28, e menos ainda os 17 da Zona Euro, à coesão socioeconómico e de desenvolvimento integrado que percursores e anteriores líderes europeus publicitaram” – de Jean Monet e Schumann a Delors, Willy Brandt, Helmut Khol, François Mitterrand e muitos outros.

Schulz demonstrou que o SPD, e muito menos ele próprio, não dispunham de capacidade para compromissos de contribuir de forma solidária na terapia da profunda crise vivida por Chipre, Grécia, Itália, Portugal, Espanha e mesmo a Irlanda, esta última a despeito de ter evitado (por enquanto?) o programa cautelar.

O SPD, agora com a ratificação de 76% dos militantes votantes, consolidou a coligação com os partidos conservadores alemães: o partido nacional CDU da Sra. Merkel e o partido CSU que representa, apenas, a Baviera; ambos democratas-cristãos.

O acordo de coligação limita-se a aspectos políticos internos, da Alemanha. Criação do salário mínimo nacional – tão combatido antes por Merkel – e diminuição da idade da reforma de 67 para 63 anos para quem trabalhou 45 anos.

De matérias de interesse europeu, nomeadamente estratégia e meios para aliviar a austeridade e promover o crescimento económico de forma integrada, estão excluídos do acordo. “Qu’ils se débrouillent!” (“Eles que se desenrasquem!”) continua a ser a orientação do directório alemão, agora composto também pelo SPD do trapalhão Schulz.

A ambição de Thomas Mann permanece um sonho. Consequentemente, teremos cada vez mais uma ‘Europa alemã’ no lugar de ‘uma Alemanha europeia’.

Comments


  1. Reblogueó esto en fermin mittilo.


  2. A Alemanha já retirou de Portugal desde 1986 tudo o que precisou desde a PAC em 1986 até à industria de 2008 e recentemente os meninos doutores que emprega todos — não precisa daqui de mais nada – Gostava de perceber como o país que destruiu toda a europa com II guerras e até contra a França mais as 3 gerras de Junot (s) que se não podes combater o inimigo junta-te a ele) agora o que querem com seus amigos castellanos é o mar das Selvagens e Açores – que mais querem ?? Arrasaram os territórios e enriquecerem com os deslocalizações agora sacam o que resta com dinheirinhos a juros de usurários mas aqui já não há mais nada para sacar – e nem sei quem levou a TAP que já começa privada a cair e ainda sem mortes mas vamos ver – foi ontem – a conf^que ouvi na Culturgest foi elucidativa – o euro – o FMI é nosso “amiguinho” já levou até ao tutano – falta levarem o mar e agora querem o petróleo de Peniche e do Algarve – e lá se vai o pexe e turismo – ainda não destruíram tudo para não falar no regresso à exploração mineira com esses grande europeus porque os portugueses nada aprendem e são servis – nem a porcaria do bemfica nem do Porto – a TV acabou – quem nada – Relvas – que programas de violência e pornografia – que resta – telenovelas das meninecas que querem aqui brasilês ?? mas que governo PIMBA de governação pimba de cultura pimba – viva Ronaldo que ainda não mutilaram como tentam

  3. portela says:

    Quando Gagarine foi para o espaço Adenauer foi para Beja. Os russos foi ida e volta, os alemães saíram há pouco tempo. Mera coincidência, talvez não.
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    • portela says:

      O Alentejo, quem diria, na Guerra Fria foi porto de abrigo alemão, mas o risco foi do todo nacional,está na hora do compadre alentejano ir a Berlim acertar as contas com a sra Merkel.
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  4. portela says:

    Gagarine foi o primeiro homem a ir, de foguetão, da infraestrutura à superestrutura. Quando lá chegou dizem,”olhei para todos os lados e não vi Deus”. Mas foi mesmo à procura d’Ele que ele lá foi?.
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