500.º Aniversário do Bairro Alto

Não visitava o Bairro Alto há anos. Hoje, Sábado, em digressão acidental pelo Chiado e zonas envolventes, fui parar à Travessa da Queimada – fiquem descansados os anti benfiquistas, desta ou daquela cor, que a sede de “A Bola” não fazia, nem fez, parte do roteiro.

Em boa verdade, esse roteiro informal não fora pré-definido por caminhos ou destino. Desemboquei na Travessa da Queimada involuntariamente.

Deparei-me com uma estreita mesa, de cinquenta metros de comprimento, com fatias de bolo-rei. Ao fundo, e com instalação sonora adequada, pude ver e ouvir uma sessão de fados. A minha a alma de lisboeta – alfacinha de gema – ficou arrebatada de euforia.

Estes eventos da cidade, erguidos do desterro, do esquecimento e até de temas historicamente desprezados pela comunidade citadina, transformam-se em felicidade do estado de alma. 

Ao completar 500 anos – fundado no Século XVI com a designação de Vila Nova de Andrade – o Bairro Alto tem uma história longa, diversa, socialmente controversa e, portanto, rica. Jornais, fado, casas de putas, intelectuais e artistas, gente do povo  e tascas, e muito mais, são referências dessa história.

Esta tarde, entre outros fadistas, tive a oportunidade de conhecer e ouvir Maria Emília. Soube que canta na ‘Tasca do Chico’. Uma voz que entusiasmou a vasta audiência, na qual se contavam uns brasileiros que estavam a meu lado.

É através do vídeo acima publicado que felicito o Bairro Alto pelos seus 500 anos, idade que nem nações ainda atingiram. Parabéns Bairro Alto! E felicito igualmente a Maria Emília, outros fadistas e outras gentes que fazem do Bairro Alto um ícone de Lisboa, do País e da própria Europa.

Comments

  1. António Fernando Nabais says:

    És um alto bairrista 🙂

  2. Carlos Fonseca says:

    Sou lisboeta e cidadão do mundo. Do Porto (mesmo que os ‘mercons’ rejeitem); de Viana do Castelo a Vila Real de Santo António. E Coimbra tem um lugar muito especial no meu coração. Não por ti, nem pelo nosso amigo afável e cordial JJ. O meu Pai, que trabalhou no Sobral Cid, tocava viola e cantava fado coimbrão (coisas de loucos) deixou-me também essa paixão. Se vieres a Lisboa, não estás condenado a ir ao Bairro Alto. Podes ir a Alfama, mais próxima de Santa Apolónia, bebes uma ‘Água das Pedras’ e regressas no Alfa a deglutir os empates do Benfica, tipo Arouca. :):):)
    Um abraço e vê lá que está na hora de voltares ao Aventar.


  3. Obrigado pela publicação, não fazia ideia que era tão antigo o Bairro Alto, e obrigado também por me dar a conhecer esse borrachinho que canta bem que se farta.

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