Direitos humanos em jeito de assim…

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Hoje deve ser dia de festa entre os capangas do clã Bush, nomeadamente a quadrilha do Bush II. Mais uma vitória dos direitos humanos, que brilha entre as muitas que estas poderosas forças de exportação de felicidade têm espalhado, nomeadamente no Médio Oriente.

Depois da transformação brutal e sangrenta do Iraque (que era uma república laica, se bem que autocrática, com alguma preocupação de redistribuição de recursos sociais) numa teocracia governada por loucos fanáticos, têm-se sucedido inovações que brilham entre os maiores recuos históricos de que há registo. Hoje soubemos que as novidades em matéria de direito de família contemplam normas como o casamento das mulheres aos nove (9!) anos – dando assim dignidade legislativa e sagrada à pedofilia -, o desaparecimento da noção de violação no casamento – pelo que crime passa a ser qualquer resistência da mulher aos caprichos do marido – e a interdição da mulher sair à rua sem a expressa autorização do marido (e ainda há ingénuos entre nós que pensam que o feminismo é coisa ultrapassada).

Por esta amostra se vê como refulgem os direitos humanos depois de desinfectados pela sabedoria yankee. Como deve estar triste, lá no Céu, o sábio Harun Al- Rashid, Comendador dos Crentes, Califa de Bagdad que, há mais de doze (12!) séculos, via muito mais longe que isto. Quem duvida, leia as Mil e Uma Noites, onde as mulheres eram incomparavelmente mais consideradas. Sherazade é a grande figura da história, a heroína que se impõe e civiliza o próprio rei. E há até, entre as mil e uma, uma história em que o Califa reúne os maiores sábios do seu vasto império a fim de avaliar qual deles era o maior entre os maiores, o mais sábio entre os sábios. Depois de longa disputa argumentativa, a vitória coube a uma jovem e bela mulher, que vergou à sua inteligência a fina flor do saber do seu tempo. Hoje, provavelmente, seria lapidada.

Comments

  1. Um pouco forçada a associação de Bush ao retrocesso civilizacional no Iraque. Fosse ele o presidente e nem imagino o que já teria sido escrito pela sua associação à Ucrânia ou Venezuela, não falando na Síria ou Líbia…
    Mas o homem já deixou de ser presidente em 2008, que tal falarem do Obama? Só existe nos EUA um comandante em chefe…
    Também concordo que a invasão do Iraque foi um erro. Não que defendesse o tirano que o governava, apenas considero que os EUA não têm o direito de policiar o mundo. Posso concordar com um ataque ao Afeganistão como punição pelo 11 de Setembro, mas a invasão além de ser um erro, revelou-se um previsível atoleiro.
    Só que vai sendo tempo de deixarem o Bush em paz e falarem no Obama…

    • Ferdinand says:

      “Só que vai sendo tempo de deixarem o Bush em paz e falarem no Obama…”

      Não, não vai, a guerra do Iraque não foi um erro foi um crime contra a humanidade, e o lugar de Bush, tal como Barroso é na cadeia!

      E depois não podemos deixar considerar que estamos a falar de fantoches, seja Obama, Bush ou Clinton a agenda ideológica “Washington consensus” continua seja lá quem estiver no poleiro, pode variar um pouco dependendo da personalidade do fantoche, e apenas isso…

      Deixar de falar de um fantoche, só por que agora o fantoche é outro não é mais que continuar a lógica clubística, que por sua vez só garante que os problemas se eternizem.
      O que deve acontecer é discutir os problemas reais (não aqueles que os media inventam) e possíveis soluções, coisa que o António de Almeida não está interessado e lamentavelmente uma parte da “esquerda” também não…

  2. Ferdinand says:

    Uma das razões que leva os fieis dos partidos neo/não-liberais (em Portugal são o PS, PSD e CDS) hiperventilam cada vez que vez que se realça a decadência dos regimes ditos democráticos ocidentais é porque eles sabem que a retórica da superioridade moral do ocidente tem vindo a ser erodida devido à tremenda hipocrisia.

    Mas a hipocrisia não é a única razão, acontece, que nós estamos a atravessar por um período de clara destruição sócio-económica, mais, esta destruição que se deve a um sistema financeiro de loucos, parasitário e insustentável que tem sido mantido artificialmente (recorrendo à “austeridade”) por estes mesmos pulhas que tem andado a fazer as guerras, os Bushs, os Clintons, os Obamas, os Barrosos, os Hollandes, etc.
    Como é que estes merdas podem achar que podem manter a lealdade dos seus respectivos povos nestas condições? Simples, não mantém, e é por isso que os regimes ditos democráticos ocidentais estão em clara decadência, os povos sentem um asco notório destas “elites” ao ponto dos media terem de enveredar um caminho orwelliano de tentar mascarar a realidade social, económica, o sentimento geral pela classe dominante, a real situação do sistema financeiro, etc.

    Não é por acaso que a Rússia tem vindo a ganhar capacidade de enfrentar o ocidente como já não tinha desde o colapso da União Soviética. Não é que a Rússia seja um país fantástico, não é, é um regime oligarca podre e não é o farol que a humanidade precisa, mas como a degeneração do ocidente é tão óbvia chega ao ponto de Putin estar-se nas tintas para o que os Obamas, Kerrys, e os restantes repugnantes hipócritas dizem ou deixam de dizer…

    • JgMenos says:

      Tudo para ocultar o essencial: os ‘puros’ deste mundo estão demasiado empenhados em promover o colapso dos valores do Ocidente para cuidarem de porem o menor esforço no combate ao fanatismo e obscurantismo religioso e social.
      Como todos os treteiros, preferem a cómoda inconsequência às agruras de intervir em zonas onde as fatwas podem matar.
      Ressabiados pelo fim da oligarquia soviética que por tanto tempo lhes forneceu o conforto de serem poder, estão dispostos a beijar as mãos à oligarquia russa para sentirem ter pé num qualquer contra-poder do seu inimigo principal, à mesa do qual comem e vivem sem risco!

  3. Quando George W. Bush deixou de ser presidente dos EUA, em Janeiro de 2009, o Iraque não era, de certeza, uma «teocracia governada por loucos fanáticos».

    E descrever um regime bárbaro, comandado por um ditador sanguinário, o maior «ladrão de Bagdad», culpado por cerca de um milhão de mortes (entre invasões do Irão e Kuwait, e «repressão interna», incluindo ataques com gás – sim, as WMD’s existiram – contra curdos), como uma «república laica, se bem que autocrática, com alguma preocupação de redistribuição de recursos sociais», só pode ser, espero eu, uma piada de muito, muito mau gosto.

  4. Fernanda says:

    Papá! Papá! Apetecia-me algo. Estava a apetecer-me bombardear mais qualquer coisa.

    • Ferdinand says:

      E foi isso que aconteceu, a invasão Iraque já estava planeada, independentemente de qualquer ataques terroristas, e de armas (insistentes )de destruição massiva.

      E a invasão do Irão provavelmente já teria acontecido, não fosse a decadência dos EUA na cena internacional desde a invasão do Iraque, e o (re)surgimento de outras elites/oligarquias de outros países com capacidade de balancear com as elites/ oligarquias de Washington, como a Russia e a China.

  5. Ferdinand says:

    Eu acho engraçado aqueles que dizem que o Iraque de Saddam era terrível (não lá andei, mas acredito que era uma bela merda), mas depois não dizem nada sobre esse repugnante tirano regime, onde a mulher violada é condenada, que forma terroristas canibais, grande aliado do ocidente a medieval aristocracia Arábia Saudita!!

    Clap, clap, sim senhor, viva à hipocrisia sem limites…

    • O «Ferdinand» não está de certeza a referir-se a mim, pois eu concordo que a Arábia Saudita tem um dos regimes mais opressivos e retrógrados do Mundo. A diferença é que, ao contrário, por exemplo, do Irão e da Coreia do Norte, não ameaça os países seus vizinhos.

      • Ferdinand says:

        Boa, ignore mais uma vez a aliança do ocidente com esse repugnante regime medieval, ao mesmo tempo que esse mesmo ocidente apregoa democracia, liberdade e direitos humanos de forma a “intervencionar” países.

        E a Arábia Saudita não ameaça os vizinhos? Se os sauditas formam e financiam terroristas como é que eles não são uma ameaça para os vizinhos?
        Os Sauditas não são apenas uma ameaça para a região, são uma ameaça para o mundo!

        E que tal uma invasão da Arábia Saudita de forma a perseguir a elite criminosa, terroristas e distribuir liberdade e direitos humanos para uma população de vive em opressão? Pois é, não vem a calhar…

  6. E a Líbia, país mais desenvolvido de África e com IDH “elevado”, retalhada por bandos de criminosos? Pois, o Kadafi começou a dizer que não vendia petróleo em dolares. E vai daí zás.

  7. Fernanda says:

    Papá! Papá! Apetecia-me algo!

    Apetecia-me invadir a Rússia!

    Querido e velho papai! Posso? Posso?

  8. Ai os homens são maravilhosos – não param quietos – está na raça – não há um monumento ao homem ?? devia haver – há pois é – há o APOLO mas parece ficção ou utopia de alguém ?’ pois é o sonho e ficção são parecidos – agora vou ver futebol pois os homens mandam nos 4 canais e vou vê-los a canelarem-se uns aos outros

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