Argoladas fascistas do regime jardinista

Jardim

O rei-palhaço do Carnaval da Madeira continua a governar o arquipélago no registo autoritário e patético que lhe é conhecido e amplamente tolerado pelos moços que se vão alternando no poder em Lisboa. Um misto de humor e fascismo.

Ontem foi dia de reunião do conselho regional do PSD-Madeira. A oposição interna liderada por Miguel Albuquerque apresentou um requerimento no sentido de antecipar, de Dezembro para Junho, as directas internas da estrutura madeirense mas o projecto não teve pernas para andar no interior de um órgão completamente dominado e escolhido a dedo por João Jardim. E se duvidas restassem nas cabeças dos conselheiros madeirenses, o Putin do Funchal ameaçou recandidatar-se caso o requerimento fosse aprovado. “Se o congresso fosse antecipado, eu teria de entrar em campo outra vez.” declarou o czar das bananas que, antes desta manobra intimidatória já teria, segundo a edição de hoje d’O Público, pressionado o conselho jurisdicional e o secretariado para que rejeitassem o requerimento de Albuquerque e acenado com expulsões do partido a todos aqueles que discordassem das orientações aprovadas pela comissão regional relativamente às internas e ao próximo congresso. Escusado será dizer que o conselho reagiu e deliberou em linha com a vontade do querido líder.

O grande momento, contudo, ficou guardado para o final da reunião. À saída do conselho regional, e face às questões dos repórteres no local sobre o facto do comunicado com as conclusões dessa mesma reunião ter sido publicado 2 horas antes do final da mesma no Jornal da Madeira, Alberto João Jardim reagiu com o humor que o caracteriza e, entre sorrisos e gargalhadas, lá assumiu que foi uma “argolada”. O Jornal da Madeira, o Pravda do Jardimstão, sempre na vanguarda propagandística do regime.

É esta a grande democracia portuguesa: enquanto em Lisboa o poder é instrumentalizado por banqueiros corruptos coadjuvados pelos legisladores dos grandes escritórios de advogados e políticos que prostituem a sua função a preços modestos, existe um oligarca que governa o seu país dentro do país. Num momento em que a extrema-direita emerge um pouco por todo o lado, de Paris a Kiev, o poder excessivo de governantes autoritários com meios de propaganda ao seu serviço e tácticas de intimidação não augura nada de bom para o futuro. O regime jardinista, apesar de dependente do regime do bloco de interesses de Lisboa, é um perigoso exemplo nos tempos que correm. A prova viva de que as práticas fascistas do Estado Novo ainda encontram terreno fértil para germinar. Germinam impunes e crescem frondosas.

P.S. depois de ter escrito e publicado este texto, descobri que afinal as práticas fascistas do regime jardinista foram ainda mais longe ao recusar divulgar o programa de Miguel Albuquerque à sucessão de Jardim, em linha com outras iniciativas que tem vindo a ignorar. Welcome to the free press of Madeira. Next step? Block Twitter…

Comments

  1. Vi hoje na RTPInformação (03:40 H de 24 março) e pela primeira vez uma interessante reportagem sobre os ROCHEIROS, designação de profissão que não conhecia – são os homens aos milhares creio, que há séculos vigiam as rochas que parecem destacar-se daqueles taludes íngremes e instáveis da Madeira dada a formação vulcânica da ilha e o grande declive – ganham apenas 610 euros/mês e têm a vida em perigo já que ao soltarem as que estão em perigo de deslizar abrem caminho a outras de que não se podem proteger e fazem o trabalho agarrados na cintura por uma corda – já em Cabo verde andei por uma estrada acabada de abrir denominada “estrada da corda” perigosíssima, igualmente aberta com os homens pendurados por uma corda – quanto aos ROCHEIROS são homens valentes e vigilantes dos riscos que correm as pessoas que a pé ou de carro podem ser apanhadas pelos pedregulhos que se soltam – Parte da ilha cresceu e irá encolher (bem coo as Canárias) de acordo com a reportagem do geólogo e não estando ainda, como a ilha de Porto Santo, já está geologicamente estabilizada – a 1ª obra da Ilha são as maravilhosas “levadas” que é projecto hidráulico único do mundo e data do séc XVI que se estendem por 1400 km – água que depois de tratada é fornecida a 267 mil habitantes – eu adorei ver as levadas em que a água corre lenta e sem transbordar já não recordo mas com declive de 6 por mil metros – maravilha dos homens que sabem projectar com a natureza e não contra ela – a Ilha da Madeira é uma formação geológica de há 6 milhões de anos – é velhota ?? que bem mereceu a designação de Pérola do Atlântico mas agora acho que é mais um “queijo suisso esburacado” Embora alguém madeirense tenha muito orgulho em todos os milhares de km de túneis, eu sou muito crítica por mais interessante ter sido encurtar o tempo de deslocação automóvel a atravessá-la – e não me parece que o terrível deslizamento da ilha talude abaixo em 2011 não tem também, culpas no cartório para além das ribeiras metidas entre muros de betão – coisa de engº civil e não de geólogo – vamos ver quando a mais bela mata da Laurissilva (UNESCO) e única no mundo (e Canárias) a Laurissilva não irá deslizar no que resta e ajudar a soltar ainda mais os grandes pedregulhos que se soltam quer se queira ou não com as “trepidações” vulcânicas constantes, mesmo que não se dê por isso, senão através dos sismógrafos – bem são 7h da manha – o mundo levanta-se e eu vou fazer o oposto e dormir um bocadinho

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