Key for businesses

key for schools

Ando estupefacto com tudo isto que diz respeito ao novo teste de “diagnóstico” da Cambridge (Key for Schools). O Estado está a patrocinar a introdução de um exame privado no ensino público através, por exemplo, do pagamento de despesas associadas, assessoria e gastando parte do horário laboral dos professores nisto.

O Estado está a obrigar os professores a usaram o seu horário laboral para realizar as provas orais noutra escola em metade do dia e a leccionar na sua escola na outra metade do dia. Os professores envolvidos têm que frequentar uma formação, onde o Estado paga a despesa de deslocação (36 cêntimos o Km).

E quanto custa ter-se criado o IAVE para propósitos como estes? Não deixa de ser espantoso que, num contexto de contenção e de fecho de serviços realmente úteis aos cidadãos, como é o caso de tribunais e unidades de saúde, o governo tenha criado mais um instituto público, para que esta negociata fosse possível.  Negociata esta que envolve o Estado e as seguintes entidades privadas: BPI, Connexall, NOVABASE e Porto Editora.

Esta promiscuidade de negócios no ensino é outro passo para a introdução de mais privados na escola pública. Apesar da propaganda dizer que este “exame” não tem custos para o Estado, na verdade tem, como se demonstrou acima. Mas além destes custos, a maior questão é porque é que passa a existir este exame? Como país, queremos mesmo passar um atestado de incompetência ao nosso sistema de ensino? Queremos propagar esta ideia provinciana de o que vem de fora é que é bom? Queremos mesmo abdicar, ainda mais, da soberania e passar a habilitação de certificar os portugueses para uma entidade estrangeira?

Eis o retrato dos nossos governantes: inchados com a bandeira portuguesa na lapela, mas tão subservientes aos ingleses e alemães – novamente. Onde andam os sindicatos e a oposição deste país? Seguiram o conselho do primeiro-mentiroso e emigraram?

PS: numa busca pelos sites dos diferentes partidos da oposição, apenas encontrei um link sobre este assunto, no site do PCP. Agradeço outros links nos comentários.

Comments

  1. Maria de Almeida says:

    Muito mais proveitoso seria afectar esses tempos em apoios e só para ir pela parte simplista da questão.


  2. Também subservientes aos brasileiros no que toca à Língua Portuguesa.

    • Paulo Inacio says:

      Seria melhor consultar o documento antes de se pronunciar. Sinto uma vergonha alheia ao verificar certas ignorâncias do meu país. Na verdade, o Brasil tem uma necessidade maluca de nos colonizar! Enfim! A mania de que somos grandes, importantes.


  3. perguntas pertinentes numa gestão que se deve exigir eficiente;falta no entanto a de se melhorou/melhorará a qualidade .A escola em referencia é só a melhor no ensino de ingles no mundo.

    • j. manuel cordeiro says:

      O teste em causa é grau de dificuldade inferior ao nível do grau de ensino onde vai ser aplicado.

      Mas a questão é que não é um teste que melhora o ensino.

      E muito obrigado pelo franchising mas já me chega o McDonald’s. Também dizem que é o melhor do mundo.

  4. j. manuel cordeiro says:

    “O despacho do MEC de 19 de
    Março é claro em relação ao facto
    de se tratar de uma actividade
    voluntária, mas o que foi dito no
    telefonema e escrito no email é
    ambíguo”

    ” Contactado pelo PÚBLICO o MEC
    não respondeu a nenhuma das
    questões colocadas sobre este
    assunto, registando apenas, através
    do gabinete de imprensa, que “o
    teste de diagnóstico é de aplicação
    obrigatória” e que “o processo de
    classificação tem de ser assegurado
    por professores de Inglês”.”

    http://www.publico.pt/sociedade/noticia/professores-de-ingles-voluntarios-a-forca-para-a-correccao-da-prova-1631081

  5. nina light says:

    Não sei o teor do teste; mas o que está a ser feito aqui em Inglaterra pelo Sr. Gove é a adaptação dos currículos aos resultados do PISA, de modo a que as escolas produzam indivíduos “em tudo adaptados ao mercado de trabalho e as necessidades dos empregadores” – ficou-me a frase na cabeça esta semana, de qualquer coisa que li. Passa, evidentemente, por ‘reconfigurar o disco duro’ dos professores. Ou, parafraseando o velho ditado inglês, ‘to ram a square peg into a round hole’.

    E atenção, pessoal, nem todos os “Cambridges” são iguais, há-os ‘mais iguais do que outros’, eheheh. Até aposto que este ‘Cambridge’ não terá nada a ver com o ‘Syndicate’ que estabeleceu o padrão há décadas e décadas atrás…

    Custo: no meu tempo de muito menina, vão lá quase 40 anos, quando comecei a fazer as minhas certificações do Cambridge Syndicate (First Certificate, Proficiency e Diploma), os testes pagavam-se, e a peso de ouro com diamantes incrustados. Seria talvez apropriado perguntar quanto é que a administração de um teste (inadequado) está a custar ao governo, por cabeça… Sei lá. Eu por mim pergunto-me para que é que servem afinal os cursos universitários na área curricular com ou sem componente pedagógica, ou seja lá o que agora se usa por aí, e mais os estágios e o diabo a sete.


  6. Muito mais proveitoso seria afectar esses tempos em apoios e só para ir pela parte simplista da questão…..

  7. Joam Roiz says:

    “Estupefacto”? Ou é ironia ou j. manuel cordeiro anda muito distraído. Isto é só mais uma medida do governo, a acrescentar a tantas outras, para favorecimento de interesses privados com prejuízo do ensino público. Com este tipo de medidas vão-se criando as condições para que seja interiorizada como natural a existência de um ensino privado para os ricos (colégios privados, subsidiados pelos nossos impostos, que escolhem à lupa os seus alunos), e outro, público, de refugo, para os pobres.

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