Nos inícios da década de 80 a RDP tinha uma prateleira onde depositava os profissionais que não permitia no fazer do jornalismo do dia-a-dia, gente de esquerda (começara em 76 o fabrico de uma comunicação social domesticada, voz dos donos disto tudo), dando a alguns ainda assim umas migalhas. Saboreei uma delas religiosamente todos os domingos ao almoço, chamava-se Ver, Ouvir e Contar, era a Rádio em estado puro e refinado, a reportagem com o sabor dos passos nas aldeias abandonadas da Serra, o cheiro dos homens e mulheres que catavam o lixo onde o depositavam, era gente a entrar-nos pela casa dentro, era a Rádio, uma meia-hora semanal de deleite, amargura, a vida.
Realizava esse milagre Emídio Rangel, os melhores pedaços tinham o cunho do repórter magia Fernando Alves.
Houve uma profissão que quis ter, e dela desisti porque prostituição não me rimava, e mais sacanices menos detalhe terminou como hipótese no dia em que um patrão me ordenou as regras da agenda da casa. Não fui homem da rádio, ambicionando perder a partícula de ligação, paciência.
Mesmo assim e isto dito de outra forma: obrigado Emídio Rangel.







Associo-me à sua evocação de Emídio Rangel.
Acompanhei a aventurosa criação da TSF, antes da legalização das Rádios, assinei uma lista de apoiantes, acompanhei a evolução, o crescimento e o progresso de um novo paradigma rádiofónico.
Por tudo isto e muito mais, no campo da Rádio e da Televisão, obrigado Emídio Rangel.
Mais um. O Outono chegou em Agosto, este ano.
Lembro-me bem das imbecilidades que esse sujeito escreveu sobre os professores!