Liga de Clubes: Quem é Rui Alves?

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Depois da vergonhosa actuação do actual presidente da Liga de Clubes e dos seus acólitos nas últimas eleições, num acto de batotice que nem os cachopos num jogo de futebol de rua, a legalidade foi reposta e ficam a sufrágio as duas listas, uma liderada pelo Fernando Seara, um homem da política e a lista de Rui Alves, um homem do futebol.

 

Entendeu Fernando Seara desistir e não ir a jogo. Por isso mesmo, Rui Alves vai ser, mais tarde ou mais cedo, o presidente da Liga de Clubes. Aqui chegados, ficam duas perguntas: quem tem medo de Rui Alves e quem é Rui Alves?

À primeira pergunta a resposta é simples: o sistema. Sim, o sistema morre de medo de uma Liga de Clubes liderada por Rui Alves. Sendo, como é, um homem do futebol, que conhece os protagonistas do dito (desde os jogadores passando pelos presidentes, treinadores, empresários e demais fauna) e não estando alinhado nem a mando dos três grandes, o conhecido “sistema” está em pânico. Sabem que Rui Alves pensa pela sua cabeça, é um homem determinado e sabe bem o que quer e para onde deve o futebol caminhar. Não é perfeito? Não, não é. E quem o é? Uma coisa é certa, em tempos conturbados como estes, é chegada a hora de devolver o futebol a quem dele percebe. A quem respira futebol. A quem vive o futebol e não a quem dele se quer servir como mero trampolim para a política ou os negócios. É por isso que o sistema não gosta de Rui Alves.

 

Já a resposta à segunda pergunta é mais complexa. Sendo Rui Alves nado e criado na Madeira são poucos os que o conhecem. Como foi presidente de um clube pequeno, o Nacional da Madeira e num país onde tudo gira à volta dos três grandes, o desconhecimento sobre Rui Alves é grande.

 

Rui Alves é Engenheiro Civil, licenciatura tirada com distinção (foi um dos melhores alunos do seu curso). Foi professor do Ensino Secundário e professor de Físico-Química no curso de Técnicos de Construção Civil. Em 1985 é convidado a trabalhar no Governo Regional da Madeira, tendo sido Chefe de Divisão dos Serviços de Hidráulica. Em 1989 é eleito vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal. Cedo se desilude da política e regressa à sua vida profissional como Engenheiro Civil. Através dela e das suas empresas consegue a sua independência económica. Em 1994 é eleito presidente do Clube Desportivo Nacional, o Nacional da Madeira, conseguindo levar o clube às competições europeias e a ter uma ampla projecção no seio do futebol nacional.

 

Quem sabe se por ser um razoável jogador de Xadrez foi conseguindo, passo a passo, levar a água ao seu moinho e tudo indica será o próximo presidente da Liga de Clubes. Sendo, como é, um leitor compulsivo das obras e do pensamento de Edgar Morin, Rui Alves prepara-se para colocar em prática os ensinamentos sobre a complexidade aprendidos com Morin. E nada é mais complexo do que o mundo do futebol em Portugal.

 

António Correia, Economista e leitor do Aventar