Empate com água na boca

Ponto prévio: A Áustria, que ontem empatou Portugal na Liga Mundial, tem um estatuto de 21 lugares acima de Portugal no ranking internacional. Foi campeã europeia de indoor, destronando o grande dominador desta variante, a Alemanha, onde joga mais de meia equipa que ontem se exibiu em Lousada. Desses seis, três jogadores são titulares da equipa alemã que venceu a Liga Europeia de clubes na variante de campo, os restantes jogam noutras equipas da Bundesliga. Foi contra esse adversário que Portugal mais uma vez se superou, impondo-lhe o 1-1 final.

O que é o “shot-out”? É um método de desempate, sobretudo em competições curtas, que a FIH utiliza precavendo-se da necessidade de muitas contas nos critérios de desempate. Com a desistência de Marrocos e Gibraltar, a competição em Lousada ficou resumida a três jogos, e, como Portugal e Áustria empataram no tempo regulamentar, conquistando um ponto para a tabela classificativa, procedeu-se então ao desempate. Aquele que vencesse, somaria mais um ponto.

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No “shot-out”, o jogador escolhido coloca a bola na linha das 25 jardas (é só fazer as contas) e parte ao encontro da baliza, tentando bater o guarda-redes, que pode sair ao seu encontro a fazer a mancha. Quase o livre directo do hóquei em patins, ou o método que os americanos já utilizavam há muitos anos, quando introduziram o futebol nos EUA, no qual o português Seninho se tornou especialista. Os portistas lembram-se dele!

Portugal, menos experiente, falhou os três primeiros, e, como os austríacos marcaram, já não houve necessidade de executar os dois que faltavam: a Áustria conseguiu, assim, o ponto extra.

Hoje, Portugal folga, Áustria e Itália (que joga connosco amanhã) disputam, às 17h30, o único desafio da tarde, com Portugal a espiar virtudes e fragilidades dos transalpinos.

Trata-se de um resultado histórico: Portugal, a este nível, é normalmente goleado por selecções do mesmo nível da austríaca. Mário Almeida e Fernando Ribeiro operaram um autêntico milagre nas adaptações, uma vez que, como escrevemos ontem, há jogadores fundamentais que ficaram de fora por lesão ou por desinteresse em representar Portugal. Sim, também a este nível há disto…

Apesar de todas as condicionantes, Portugal fez um dos melhores jogos da sua história e podia ter vencido: os últimos 10 minutos foram de controlo português, com duas oportunidades de ouro, mas que não conseguimos concretizar (onde já li isto?). Em nome da verdade, os austríacos também falharam.

Mas os Linces souberam contrariar o poderio do adversário, conseguiram olhá-lo nos olhos, fecharam sempre muito bem, foram capazes de responder ao golo austríaco e mostraram que, com trabalho e persistência, poderemos ir subindo em termos de ranking, exportar jogadores (esta época serão cinco, de entre eles uma senhora) e fazer sorrir quem continua a acreditar na possibilidade de andarmos entre a Divisão A e a B, o que já seria muito bom. A nível interno, ainda falta muita coisa, mas a nível técnico a Federação começou a colocar os melhores à frente das equipas nacionais, e os resultados aí estão.

(A foto é uma gentileza do Douglas Rogerson)

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