Portugal não é Cristiano

Confesso que reflecti um bocado antes de avançar para este texto. Mas a irritação é demasiada e não consegui evitar.

Estou farto desta narrativa de que temos de estar gratos a um jogador de futebol pela “identidade nacional” ou por “colocar Portugal no mapa”. Cansa. É redutor. É ignorante e, no limite, é até bastante anti-patriota pensar assim. Se Portugal, enquanto país, deixa a sua imagem depender de um jogador de futebol, para o bem e para o mal, então Portugal não é um país. É um entreposto de néscios deslumbrados com a grandeza de um só um homem.

Portugal tem mais de novecentos anos de História. Já éramos Portugal antes do jogador de futebol e continuaremos a ser Portugal depois do jogador de futebol. Seja esse jogador de futebol quem for. Sim, Cristiano Ronaldo é uma marca e, como tal, usa o marketing e a publicidade a seu favor. E aprendeu-o, sobretudo, em Madrid, no clube que melhor faz lavagem de imagem na Europa. Na Arábia, cimentou-o: depois de lavada a sua própria imagem, especialmente depois da fuga ao fisco espanhol e da violação de Kathryn Mayorga, foi lavar a imagem da pior ditadura do Mundo a troco de muito dinheiro. A carreira futebolística de Cristiano acabou quando saiu da Juventus; tendo, a partir daí, virado a antena para os negócios, sendo o futebol apenas a linha férrea que transportava o comboio até ao destino final.

Um estupendo jogador de futebol que como pessoa deixa muito a desejar, por tudo o que tem mostrado ser neste final de carreira.  [Read more…]

Empate com água na boca

Ponto prévio: A Áustria, que ontem empatou Portugal na Liga Mundial, tem um estatuto de 21 lugares acima de Portugal no ranking internacional. Foi campeã europeia de indoor, destronando o grande dominador desta variante, a Alemanha, onde joga mais de meia equipa que ontem se exibiu em Lousada. Desses seis, três jogadores são titulares da equipa alemã que venceu a Liga Europeia de clubes na variante de campo, os restantes jogam noutras equipas da Bundesliga. Foi contra esse adversário que Portugal mais uma vez se superou, impondo-lhe o 1-1 final. [Read more…]

Selecção? Exactamente: selecção

selecção

Ontem, por breves instantes, a ortografia regressou à RTP. Os meus agradecimentos à comunidade portuguesa de Newark, nos Estados Unidos da América. Os bons exemplos devem ser seguidos e a comunidade de Newark é um óptimo exemplo. Sim, porque ‘selecção’ ≠ ‘seleção’, como tão bem sabemos.

Post scriptum: Por razões pessoais, estarei ausente do Aventar durante algumas semanas. Até breve e, já agora, boa sorte para a selecção. Sim, exactamente: selecção.

Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’

Daqui a doze horas, a Selecção vai defrontar a Seleção.

Ron

Doug Pensinger/Getty Images (http://bit.ly/14GWFWR)

As aftas de Ronaldo

Afectado [ɐfɛˈtadu]. Adj. (Do part. pas. do v. afectar). Perturbado por qualquer coisa que lhe aconteceu; assaltado por um sentimento. «Ronaldo não chega afectado à selecção» (Danny, jogador de football, em declarações à TSF).
Afetado [ɐfɨˈtadu]. Adj. (Do part. pas. do v. aftar, de origem obscura, com um ‘e’ epentético, de origem também ela obscura: pace, D. Carolina Michaëlis de Vasconcellos). Indivíduo que sofre de úlcera superficial, dolorosa, em geral, na mucosa da boca ou da faringe. «Ronaldo não chega afetado à [ilegível]» (Danny, jogador de football, em declarações à TSF, segundo a transcrição que chegou à nossa mesa de trabalho).

Até me apetece ir a correr comprar uma…


… e decerto a isso me atreveria se a dita camiseta não ostentasse as duas cores do alegado “cameleiro-profeta”. Os clérigos malaios proibiram a venda de t-shirts da Selecção Portuguesa de Futebol, pois pelo que parece, são ofensivas à seita. Uma pena, os santinhos homens bem poderiam curar-se com isto.

Tudo sobre o biscate de José Mourinho na selecção nacional

Querem saber o que é que eu acho desta coisa do Mourinho treinar a selecção em jeito de biscate? Não? Mas eu digo na mesma, que é para isso que a administração deste blogue me paga.

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Mourinho sentiu depressa a pressão de ser treinador do Real Madrid, que não é a mesma coisa que treinar o Chelsea ou o Inter de Milão. Nos últimos dias enviou um recado para ‘dentro’ ao pedir “tempo” ao presidente do clube. Recentemente tinha dito que, em caso de emergência, estaria disponível a ajudar a selecção.

Gilberto Madaíl pensou ou disseram-lhe que esta sim, seria a solução ideal para os próximos tempos. Não hé tempo a perder. Há jogos a caminho e em breve haverá eleições e há aquela trapalhada da utilidade pública a tratar e não se pode falhar na escolha do novo seleccionador e…

Vai daí aborda o mais relevante treinador do mundo. Noutras circunstâncias, Mourinho tinha mandado Madaíl dar uma volta ao estádio nacional. Mas, neste momento, deu jeito. Que sim, está disponível, e a custo zero. Até paga a gasolina das deslocações. O problema é o Real. Madaíl saí de Madrid sem falar com o rei do Real, que diz nada saber. Mourinho admite que será difícil. Há a pressão dos adeptos, dos dirigentes. Nada fácil.

Se nos próximos dias houver acordo entre a FPF e o Real, porreiro. Mourinho aceita o biscate. Se não houver, porreiro na mesma. Fica como um héroi, disponível para ajudar nos momentos difíceis. Madaíl fica com o menino nas mãos, mas, enfim, sempre pode chamar o piloto automático.

Carlos Queiroz ao retardador

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Não sou daqueles que está sempre à espreita de uma oportunidade para zurzir Carlos Queiroz. Até simpatizo com o professor, embora preferisse outro para a função. O que não percebo é que, depois de vários dias de treinos e um jogo de preparação, o seleccionador entenda que “só agora” é que o estágio vai começar.

Percebo o que pretende dizer. Agora tem todos os jogadores às suas ordens, não há mais chegadas às pinguinhas e este é o tempo de afinar técnicas e tácticas. E ainda faltam 20 dias para o primeiro embate.

A questão que estas declarações de Queiroz me deixam é apenas uma: se é assim, que raio andaram os rapazes a fazer na Covilhã nos últimos dias?

A expectativa nacional em redor da selecção não é, vá lá, muito positiva. Quando muito espera-se que passe a primeira fase. Os problemas com os adeptos no estágio serrano, a quase inacreditável má imprensa que Queiroz vai tendo, ao contrário do devoto de Nossa Senhora do Caravaggio, tudo isso contribui para a descida da temperatura.

Com a inabilidade destas declarações, Queiroz só ajuda os detractores e retira ganas aos verdadeiros adeptos da selecção.

Naturalizem-se os Black Eyed Peas

Na derradeira etapa de apuramento para o Mundial de futebol de 2010, Carlos Queiroz revelou que a canção “I gotta a feeling”, dos The Black Eyed Peas, estava a servir de inspiração e motivação para os jogadores nacionais atingirem a qualificação.

Nada de Amália, Mariza, Clã ou Xutos e Pontapés, com um nome mais apropriado ao mundo da redondinha. A selecção queria mesmo a banda norte-americana da moda, Black Eyed Peas. Em especial a cantar ‘I gotta a feeling, that’s tonight gonna be a good night’. Fosse pela motivação musical ou pela melhor arte no chuto da bola, o apuramento lá chegou.

Sabedores da coisa, os The Black Eyed Peas já vieram anunciar que vão apoiar a selecção nacional durante o Mundial 2010. Nem mais. E não se ficaram apenas por meias palavras. Gravaram um vídeo em que agradecem a opção e declaram apoio total.

Será que alguém na federação se vai lembrar de propor a nacionalização dos três moços e da simpatica donzela?