Cheque-enchido para Passos Coelho

paioPassos Coelho acredita ter explicado, ontem, que os problemas do ensino em Portugal se deveram ao aumento da “chamada salsicha educativa”, expressão cuja origem anda a mobilizar os meios de comunicação social, a blogosfera e as redes sociais. Tenho, ainda, a certeza de que a indústria pornográfica não desperdiçará a oportunidade e estará para breve a estreia do filme “Quero a tua salsicha educativa toda!”

As metáforas que inventamos ou copiamos dizem muito acerca de nós e da nossa visão de mundo. Passos Coelho escolheu a salsicha.

O que é a salsicha para o primeiro-ministro? É a Educação. E o que é a Educação para o mesmo primeiro-ministro? É uma salsicha, ou seja, o pior dos enchidos. [Read more…]

Che Guevara

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O engenheiro do tenta…

-Nos últimos 30 anos, o F.C.Porto conquistou a hegemonia do futebol português. Não ganhou obviamente todos os campeonatos, “apenas” a maioria dos que foram disputados, sem perder dois campeonatos seguidos desde a época 1983-84, quando o S.L.Benfica de Sven Goran Ericksson conquistou o bi-campeonato. Esta tem sido a regra, mas lá diz o ditado, não há regra sem excepção. Aproximava-se do fim o Verão de 1998 quando Pinto da Costa contratou para os dragões aquele que ficaria conhecido como engº do penta, Fernando Santos, que acaba de ser confirmado pela FPF como seleccionador nacional. Depois do penta, veio o tenta, que tem pautado a carreira do treinador. Nada tenho contra a pessoa, que considero educada, correcta, aprecio a sua forma de estar na vida. Mas perto das 4 linhas espero outra sagacidade e capacidade. Visto por outro prisma, Fernando Santos conseguiu perder 2 campeonatos consecutivos ao comando dos azuis e brancos, um para o Sporting e outro histórico para o Boavista. Como tem boa imprensa conseguiu ser contratado para o Sporting na sucessão a Boloni que havia sido campeão. Falhou. Haveria de suceder a Koeman no S.L.Benfica. Voltaria a falhar. Mesmo na Grécia onde ouvimos regularmente dizer que é idolatrado pelos adeptos o palmarés regista apenas a conquista da Taça da Grécia em 2002. É pouco para as ambições do futebol português. No entanto não vejo qualquer voz crítica na imprensa apontar fragilidades à escolha da FPF, apesar dos 8 de jogos de suspensão impostos pela FIFA indiciarem que a escolha talvez não tenha sido a mais correcta. Oxalá me engane, mas cá estaremos para avaliar os resultados…

A bátega e os parolos

cheias r padeirasÓ capitalenses, importam-se de parar com a figura ridícula que fazem quando vos chove na capital e desatam a berrar que a culpa é do presidente da Câmara?

Ando a ouvir-vos com essa ladainha desde que se pode dizer mal dos presidentes da câmara, que entretanto vão elegendo, sem pararem um bocadinho para ouvir quem bem vos avisou, o Ribeiro Teles, sobre uma coisa chamada impermeabilização dos solos, praticada ao longo de décadas por patos bravos, patos mansos e as patas que os pariram.

Claro que estais condenados a enxurradas até às vésperas da eternidade, ó parolos, cada vez que a precipitação é a sério, e dessas todos temos.

Tende tino. Eu tenho-o com a autoridade pluviosa de quem vive numa aldeia onde as cheias nunca falhavam um ano, andávamos de barco pelas ruas, lá nos íamos divertindo, até que um presidente da câmara resolveu o assunto (no caso um problema de vasos comunicantes criado por um idiota qualquer), e ninguém lhe agradeceu, pior, nem repararam nisso. Se calhar temos saudades. E estava aí em 1967, essa sim, uma catástrofe com assinatura: Salazar.

Imagem: Esplanada do Porta Larga, nas R. das Padeiras, Coimbra, data desconhecida.

Espanha abortou um ministro

O homem que quis aprovar a lei do aborto mais restritiva da democracia abandona a política.

Estamos todos “***idos”

António José Seguro está rendido à sorte da chuva torrencial que inundou o castelo de Costa. António Costa sente-se pungido pelo temporal. O povo está esvaído em dívidas. E Manuel Alegre está quase ofendido com as propostas de Seguro para diminuir o número de deputados. O Governo está ressentido com quem esvaziou o Citius.

Entre rendidos, pungidos, esvaídos, ressentidos, e demais “***idos”, alguém há-de escapar.

Eu próprio, mesmo com pleonasmo, sinto-me, então, comedido. Abusar, abusei ao almoço: entre uma feijoada à transmontana, com um bagaço para compor, e o Manuel Alegre que me entrou pela casa dentro, aos gritos, ofendido (quase) num comício, só me faltava ouvir o Mário Soares a perorar contra a intempérie, que é culpa da Protecção Civil, que só a previu a destempo dos políticos em campanha eleitoral. Mas esse deve estará dormir a sesta, que é o que vou fazer, já a seguir.

A conta, por favor!

Paula Teixeira da Cruz não percebe as reformas que ela mesmo impôs

 Aliás, a ministra recordou que “já existia justiça antes do Citius e vai continuar a existir”. [P]

Este tipo de afirmação demonstra que a ministra não percebe as transformações que ocorreram na sociedade nem aquelas que ela mesma impôs à justiça. O problema da actual reforma não se limita à ausência de planeamento que conduziu ao caos informático e à inacreditável inexistente migração de processos para a nova ferramenta. É a própria reforma, com os seus tribunais especializados, que está em causa. É o que tenho ouvido por parte dos profissionais do sector e os exemplos de perca de eficiência, e de eficácia também, são vastos.

Mas veja-se o que já diziam os profissionais da justiça, em Abril deste ano, antes, portanto, do actual caos. A Gazeta das Caldas enviou um inquérito a 49 advogados da ainda comarca das Caldas da Rainha, tendo recebido oito respostas, que reproduzem. A condenação da reforma da Justiça não é unânime, mas a maioria está contra e não tem dúvidas de que os custos vão ser maiores para quem a partir de agora recorrer aos tribunais. Referem também a absoluta necessidade da ferramenta informática para assegurar o acesso aos processos.

A ministra da justiça é mais uma incompetente com capacidade de decisão. Um perigo para os portugueses, portanto.

Demite-te, salsicha!

basta já
Não espero que se demita quem não hesita em, chegado ao poder, desdizer TUDO o que disse nos anos anteriores.
Não espero que se demita porque esse tipo de gente não tem qualquer vergonha na cara. O rigor e a justiça é só para os outros. E porque no final os documentos oficiais vão desaparecer do Parlamento. E porque o pobre homem não sabia que estava a fazer mal. E porque já prescreveu. E porque a Procuradoria garantirá em tempo oportuno que não corre qualquer investigação contra o homem que desgoverna Portugal.
E da mesma forma que Pinto Monteiro foi o Cunha Rodrigues de José Sócrates, Marques Vidal será o de Passos Coelho. Tudo está bem quando acaba bem.

A auto-crítica de Isabel Jonet

«Há profissionais da pobreza em Portugal»

Previsões

O governo atirou-se ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) por considerar – tal como já tinha feito um ilustre vereador da Câmara de Lisboa – que este não foi suficientemente preciso na sua previsão meteorológica para hoje. Depois de ouvir de um assessor a explicação sobre o que é o IPMA e o significado da palavra meteorologia, Passos Coelho mandou abrir concurso para que as previsões do tempo passassem a ser feitas em outsourcing. Já foram contactados para o efeitos o Prof. Karamba, a bruxa Maya, Marques Mendes e outros peritos em adivinhação com chá, borras de café, entranhas de animais, tarot, búzios, cartas de bisca lambida e outros métodos verdadeiramente científicos.

Segundo fontes geralmente bem informadas, o 1º ministro atribuiu as culpas do alegado erro do IPMA aos malefícios de uma tal “salsicha educativa”, conceito, ao que nos dizem, de uma complexidade só ao alcance de mentes superiores como a do sr. presidente do concelho. As mesmas fontes sublinharam ainda a preocupação deste alto magistrado da Nação pelo facto de um colega de governo lhe ter dito – com uma cordial palmada no ombro – “ó Pedro, nos discursos, cada vez estás mais conselheiro Acácio”. Não tendo a certeza de que se tratasse de um elogio – o tal colega é um bocado graçolas e tem a mania que é esperto -, Passos Coelho quer saber quem é esse tal Acácio. Mas nenhum assessor parece capaz de o informar, fugindo dele com caretas esquisitas e expressões de uma estranha pressa.

Passos perdidos

na sala de espera da Tecnoforma. Afinal ainda há jornalismo de investigação.

E agora sr. Primeiro-Ministro?

-A questão é simples. Ou existe um equívoco que urge esclarecer, pois estará a ser aproveitado para campanha política, ou Passos Coelho terá de apresentar a demissão. Não existe qualquer drama, nem justifica crise política, o governo deverá continuar em funções, o PSD nomeará o seu sucessor e teremos eleições no final da Primavera. Isto se Portugal for um país normal. Mas suspeito que uns irão levantar a tese da cabala, entrincheirando os militantes na defesa do poder, outros irão cozinhar o assunto em lume brando, para que o desgaste se torne maior. Contudo o principal responsável será sempre o Primeiro-Ministro. Ou faz prova e refuta de imediato as suspeitas, ou prestará um favor ao partido, que teria mais tempo para se reorganizar, evitando uma derrota colossal,  a si próprio em defesa da honra e imagem e até ao país, saindo de imediato pelo próprio pé. Não adianta tentar branquear o assunto, a verdade virá à tona como o azeite, será uma questão de tempo. É inevitável…

Não fez por mal, foi sem querer

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O próximo entretenimento político nacional consistirá em descobrir se Passos Coelho vigarizou o estado porque era deputado em exclusividade e recebia por fora, ou se vigarizou o estado porque pediu o subsídio de reintegração e afinal não tinha estado em exclusividade.

Em qualquer dos casos, num país distante politicamente da Guiné Equatorial, hoje demitia-se.

No Portugal a que chegámos, pede desculpa e não se fala mais nisso.