Divino…

O regresso do socretinismo

Socrates2006

Voltaram com a sentença do caso do gangue que roubou o estado e ficou conhecido como Face Oculta. A face escondida mas que todos sabem que existe e trafica tudo e mais alguma coisa, chamem-lhe influências mas vai do tacho ao concurso público, da negociata suja ao que seja e dê poder e dinheiro, tem como corpo PS, PSD e CDS, os partidos do alterne, aprende a caminhar nas respectivas jotas, saqueia Portugal há décadas.

A versão socretina tem uma característica própria, vive da paixão por um tipo que sempre viveu da política, adora-o na plenitude do seu governo que se limitou a antecipar em doses nalguns casos homeopáticas mas doses o que Passos Coelho faz hoje. Na saúde, na educação, nas privatizações (um dos condenados gabava-se de abrir uma garrafa de champanhe cada vez que terminava mais um saque), nos cortes sociais. É um amor cego, todos o são, e não hesitam em vomitar sobre a sentença.

Simbólico que isto suceda a semanas das eleições no PS onde, a menos que o PSD e os partidos de esquerda tenham inscrito muitos milhares como simpatizantes do PS, António Costa com esta mesma tralha atrás será vencedor incontestado, até porque concorre com o Pato Donald.

Têm dúvidas? acham que o PS vai virar à esquerda? sigam esta ligação, se for preciso arranjam-se mais.

Glória

A Glória passou anos à janela, e para nós a Glória só existia à janela, uma figura imóvel no primeiro andar de um prédio de gaveto. A Glória via-nos passar pelas manhãs, no seu posto de vigia, com o roupão cor-de-rosa, às vezes com o gato ao ombro, e por vezes parecia que levantava a mão para acenar-nos, mas a mão voltava a descer sem chegar a ser aceno.

A idade da Glória era uma coisa indefinida, nenhum de nós a tinha visto de perto, mas contava-se que passava pouco dos quarenta. O merceeiro levava-lhe as compras a casa, um vizinho ia à farmácia, levantar a pensão dos pais aos correios, tudo o que fosse preciso para que a Glória pudesse viver a sua vida à janela.

Contava-se que a Glória tinha deixado de sair quando o pai ainda era vivo, mas ninguém sabia ao certo o que acontecera, falava-se de um dia em que chovia muito e alguém a viu correr para casa, com os pés enlameados, o cabelo solto e desgrenhado, e o rosto molhado de chuva e de lágrimas, e que ia tão sufocada que nem podia falar, e que não parou quando a chamaram na rua, atravessou a rua sem olhar, ela que era tão cuidadosa, correu, correu até alcançar a porta, bateu com toda a força até alguém a abrir, e desapareceu por longo tempo até voltar a ser vista à janela. Depois disso, ninguém se lembrava de tê-la visto cá fora. [Read more…]