Connie Converse

A Connie Converse era, imagino, uma maravilhosa desadaptada, com os seus antiquados óculos de lentes muito grossas, as suas canções melancólicas, carregadas de frustração e humor e humilde sabedoria, gravadas na cozinha de casa, com a chuva a cair lá fora.

Podiam ter-se perdido essas canções todas, quando ela desistiu de tentar viver da música. Faz agora 40 anos, tinha já ela 50, e uma vida ensombrada por depressões recorrentes, Connie escreveu uma série de cartas aos amigos e familiares, com vagas referências a uma “vida nova”, meteu tudo o que tinha na bagageira do carocha, e partiu para nunca mais ser vista.

São precisos muitos acontecimentos que nem parecem interligados, muita sorte, talvez um plano que não consigamos decifrar e a que por isso chamamos acaso, para que agora conheçamos o seu nome e ouçamos, por fim, a sua música. Talvez seja esta a vida nova que ela foi procurar há 40 anos.

 

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