Vão cair que nem patinhos, vai uma aposta?

Mr. Peabody and His Wayback Machine

Há dez anos começava o programa Contraditório, da Antena 1, durante o efémero governo de Santana Lopes. Na passada sexta-feira, fez-se neste programa uma retrospectiva e, veja-se só, estamos em 2014 a viver 2004.

Uma repetição que nos atingiu passado uma década foi o caos no início do ano lectivo. Mas, tal como não há mal que não piore, desta vez o experimentalismo, expressão do ministro, foi a prometida implosão, não do ministério, mas da estabilidade. Passado mais de um mês e ainda há alunos sem aulas. [Read more…]

Orçamento cavalar

cavalo de troia
Saiu o Orçamento Geral do Estado. Tantas promessas! Ainda há incautos que pensam que vão pagar menos. Ainda há quem pense que a maioria dos portugueses não paga impostos, só porque lhes poupam o IRS. Ainda há os convencidos da generosidade de um governo que apresenta como dádivas generosas aquilo a que é obrigado a ceder por ordem do Tribunal Constitucional. Ainda há quem se descuide com as armadilhas fiscais que abundam naquele documento.

Finalmente, há até quem festeje aquele truque do descongelamento das reformas do sector privado. “60 anos e 40 de serviço? é justo; até que enfim que fazem alguma coisa de jeito” – dizia, há pouco, um nosso concidadão, entre dois golos de cerveja. Erro. É mais um “troiano”, um “presente grego”( a referência é clássica, nada com os actuais gregos – excepto, talvez, os seus taxistas). É que o nosso alegre cidadão não sabe ainda que a “prenda” vem acompanhada de uma penalização de 36%, fora os apêndices. Esta medidas são a cara chapada destes artistas, émulos da bruxa má da Branca de Neve. O pior é que ainda há quem se tente pela maça envenenada.

Nestes tempos de enganos, lembrai-vos prudentemente das palavras do avisado sacerdote Laocoonte, quando os troianos se aprestavam a tomar posse do famoso cavalo de madeira: “Míseros cidadãos, quanta insânia! (…) Troianos (portugueses, digo eu), seja o que for, há dano oculto: desconfiai do monstro! Temo os gregos (os governantes, na minha versão) mesmo quando dão presentes!” (Virgílio, “Eneida”).