Copy Wrong:

uma oportuna e intensa reflexão sobre os direitos dos autores.

Mais do mesmo…

Há muito que deixei de acreditar no actual governo. Esta legislatura constituiu uma oportunidade perdida para reformar o Estado, à boleia dos compromissos externos assumidos. O pouco que se fez foi na maior parte das vezes errado. PPP’s, SWAP, foram mantidas, a Banca foi protegida em nome do conceito “to big to fail”, apesar de muitos classificarem este governo de liberal, a verdade é que a Liberdade individual é sistematicamente desprezada em nome do politicamente correcto ou socialmente aceitável. Nem me vou dar ao trabalho de discutir o Orçamento de Estado, pois teria que ir muito ao detalhe para encontrar alguns, poucos, aspectos positivos (descida no IRC e pouco mais). Sobre o grande objectivo de redução da despesa pública, com o qual obviamente concordo, não me é indiferente a forma como é alcançada e não me parece que aumento da carga fiscal possa ser defensável num país que já trabalha meio ano para pagar um monstro.

Mas pior, do lado do principal partido da oposição contradições no discurso entre destacados figurões não auguram nada de bom.

Realidade, esse conceito subjectivo.

Quando um retrato, escrito, visual, sonoro, nos é apresentado como a realidade é preciso termos consciência que estaremos perante algo altamente subjectivo, sujeito a visões parciais, leituras próprias e, porventura, a manipulação.  Porque a realidade é algo muito pessoal, fruto de crenças e leituras individuais.

A crónica de Luís Naves no Delito de Opinião, sobre a situação financeira do país,  tem sintomas desta realidade subjectiva. Sem explicitar, justifica o governo por ser incapaz de fazer a última milha no corte da despesa, como se cortar na despesa se esgotasse em diminuir salários e pensões. Critica, aliás, a  “reposição de salários e pensões”, o que por si só já demonstra subjectividade, pois esta reposição apenas tem lugar em pequena parte. E diaboliza o Tribunal Constitucional, como se fosse este a causa de insucesso de um governo que, estrategicamente, optou por estar na ilegalidade como forma de aumentar a receita.

Enfim, voluntariamente ou não, ecoa o argumentário do governo, sem dedicar uma linha quanto ao que significou o BPN/BPP, submarinos, Swap,  BES, só para enumerar alguns casos, nas contas do estado e na desgraça que estamos a viver.

Um retrato de aguarela difusa, feito a trincha número 10, que não deixou espaço para quantas dezenas de milhares de milhões de euros saíram do estado para pagar negócios públicos e privados, ruinosos ao país e de culpa solteira.

Orçamento para a Educação: esquerda e direita

evrNão é fácil encontrar palavras para escrever sobre o orçamento apresentado pelo Governo. Parece-me que os nomes atribuídos à mãe do Pedro Proença nos jogos do Benfica serão insuficientes para qualificar esta gentinha medíocre. E, como vem sendo habitual, a Educação é o sector com o maior corte: 700 milhões.

A esta hora a cambada larangista que passou do primeiro parágrafo estará a pensar que não há dinheiro para mais, que tem de ser, que vivemos acima das nossas possibilidades. Claro que também estão a reflectir sobre o BPN e o BES e as empresas do Relvas e do Coelho.

Mas, lamento informar, estão enganados. É mesmo possível fazer diferente e, ao mesmo tempo, fazer melhor.

Em Vila Nova de Gaia andou um senhor que fez o que queria e ainda lhe sobrou tempo para ajudar meio mundo a tratar da respectiva vidinha. A dívida consolidada da autarquia é, depois do pesadelo,superior a 318 milhões. Mas, mesmo com esta dificuldade, foi possível, num ano reduzir o prazo de pagamentos a fornecedores de 206 para 111 dias o que é fantástico para a economia local. O passivo foi também reduzido em quase 33 milhões.

A Câmara de Eduardo Vitor Rodrigues conseguiu ainda baixar várias taxas municipais (derrama, imi, água) e investir na Educação: para além do alargamento da oferta dos livros escolares ao 2º ciclo, a Escola a tempo inteiro tem hoje uma dimensão única por estes lados. As escolas estão abertas das 7h30 às 19h30. É claro que este projecto pode colocar várias questões (o mais discutido a alternativa hiper-escola / hiper-rua) , mas estamos a falar, de um enorme investimento na Escola Pública e na qualidade do serviço prestado, até porque, como sugere David Rodrigues, estamos a falar de docentes qualificados.

Parece-me, pois, que é possível fazer diferente e fazer melhor porque um concelho da dimensão de Gaia é um território já com algum significado. É tudo uma questão de prioridades e, estou convencido, que por cá, ninguém se importará de exportar o modelo para o todo nacional. Não estamos e não podemos estar condenados a viver na miséria e a aposta na Escola Pública é a única que nos poderá tirar deste buraco onde a direita nos quer colocar.

Informação

Factos ocorridos:
– Um cidadão, cumpridor e trabalhador vai pela rua e, subitamente, é parado por uma meliante. Esta exige-lhe a carteira e rouba-lhe todo o dinheiro. Incauta, a ladra não pediu o porta moedas nem lhe roubou o cartão multibanco. Assim, feitas as contas, restaram-lhe 11.20 € no porta-moedas e 400 € na conta bancária. Todavia, para a vítima, o roubo tinha sido coisa de monta, já que acabara de fazer um levantamento. Ficou, assim, tomado de desespero.

Versão do Telejornal:
Título – “Cidadão obtém ganhos de 411.20€!

– Abordado à saída de um banco, um cidadão, ameaçado por uma alegada assaltante, viu a sua conta contemplada com 400€ e obteve 11.20€ de dinheiro de mão. A assaltante explicou à vítima que era obrigada aquela operação por o seu chefe, estrangeiro, imagine-se, a obrigar a isso. Alegou ainda que o dinheiro de que se tinha apossado se destinava a um bem maior, sublinhando a sorte do cidadão, já que ainda lhe tinham restado meios que ela, se quisesse, poderia ter incluído na importância apropriada. Logo, tais meios eram um evidente ganho. O cidadão conformou-se.”

(Qualquer semelhança com os noticiários que se seguiram à apresentação do Orçamento Geral do Estado é pura coincidência).

Fotografia é Morte


Pelas palavras de Les Carlson e a perspectiva de David Cronenberg, a Morte explicada e resumida em seis minutos.

Jornais independentes

Saíram dois cronistas de esquerda do DN, permanece um amputado mental.