Gibraltar é nossa


A patética declaração de Boris Johnson, ministro dos negócios estrangeiros de sua majestade, sobre Gibraltar, dá o tom em que decorre esta tragicomédia. Agitando as louras melenas e fazendo aquele ar que inspiraria, decerto, o grande Jim Henson a produzir o correspondente “muppet”, proclamou um sonoro “Gibraltar é nossa (…) e a decisão sobre o seu futuro cabe ao governo e ao povo Britânico”.

Está bem, ó Boris, será assim. Mas que é um cómico remate no habitual estilo imperial inglês, lá isso é. Lembra-me, já lá vão muitos anos, aquele etilizado compatriota penicheiro que, no rescaldo da nossa descolonização, declarava, naquele tom pomposo que só o bom tintol confere: “levem lá o que quiserem, mas as Berlengas são nossas! Mai’ nada!”.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    De facto Boris Johnson é imprevisivel em quase todas as suas intervenções. Com aquele ar de Benny Hill será difícil levá-lo a sério!
    Só que os espanhóis também costumam reagir de forma patética. E nunca descuram aquele seu propósito imperial de dominar a Peninsula Ibérica e a entrada do mediterrâneo. Aliás, é para eles um sonho antigo.
    Espanha já alguma vez ponderou entregar Ceuta a Marrocos?
    Não. Para nuestros hermanos isso é um não assunto.

    • Rui Naldinho says:

      Eu já nem falo de Melilla, outra possessão espanhola no território do norte de África, junto ao mediterrâneo, porque terá uma importância estratégica um pouco menor, comparativamente a Ceuta e Gibraltar. Mas se o rochedo britânico se tornar parte de Espanha, o primeiro terço mediterrânico será controlado por eles.

  2. Comparar Ceuta com Gibraltar é desconhecer a História. Ceuta nunca pertenceu ao reino de Marrocos. Foi cartaginesa, romana, vândala, bizantina, do califado de Córdova e foi conquistado ao reino de Fez que já não existe e era, na altura, governado por tribos berberes. Marrocos descende da conquista de tribos árabes. Era o mesmo que agora exigirmos a Espanha que nos entregasse Mérida porque em tempos foi capital da Lusitânia. Se alguma legitimidade houvesse na reivindicação de Ceuta teria de ser pelos povos berberes e não árabes.

    • Rui Naldinho says:

      Então os “almorádivas”, povo berbere, que fundou um império com a extensão aproximada da atual Marrocos, não conta para nada, nessa sua dissertação?

      • Conta. E o que acrescenta ao facto de querer por força que Ceuta pertença ao reino de Marrocos só porque está do outro lado? Olhe que o império almorávida ia bem além de Marrocos. Com jeito ainda lhes entregamos Lisboa. Têm os marroquinos que se preocupar com o Saara Ocidental antes de se preocuparem com Ceuta. Temos nós mais direitos históricos sobre Ceuta do que Marrocos. Por esse pensar teremos de partir Portugal aos bocados, correr com os descendentes dos suevos e visigodos, e dividir o país de acordo com os territórios tribais pré romanos.

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