Ich komme aus Boliqueime


[André Camandro]

Os alemães, diz-se, não têm sentido de humor. Os alemães e, claro, Cavaco Silva. Isto não deve levar alguém muito distraído à infeliz dedução de que este país foi durante anos desgovernado por um alemão. Ou que Boliqueime fica algures nos arredores de Munique.

Os alemães, repito, não têm sentido de humor. Começa na língua. Arranha e mesmo fere-nos os ouvidos e a sensibilidade. Como os alemães falam maioritariamente Alemão, as excepções a esta regra são efectivamente muito poucas.

Claro que se trata de uma língua muito rica, tal como a cultura. Não passará pela cabeça de ninguém denegrir a literatura alemã, por exemplo. Ou os filósofos alemães. Ou a sua música. Bach, é sabido, deixou-nos sonetos maravilhosos.

Aquela gente é simplesmente muito séria para pensar em rir, por exemplo, quando está a trabalhar. Isso perfaz muitas horas num dia. Como também não é de crer que riam quando estão a dormir, mesmo aqueles que falam durante o sono, resta-lhes relativamente pouco tempo para gracejos.

Não consigo imaginar Angela Merkel a rir. E talvez não fosse capaz de rir na sua companhia. Imagino-a a dizer: “Você ri muito e trabalha pouco! Como foi o seu dia de trabalho hoje, mostre-me a sua folha de serviço, a que horas entrou e saiu? Já marcou as suas férias e não me disse nada?” Etc. Isto não tem graça nenhuma, e deixa-me num estado de tensão enorme. Em Português soa rude. Em Alemão, é uma declaração de guerra.

Quem diz o humor, diz os assuntos amorosos. Eu acho que é tão difícil rir com os alemães como fazer amor com uma alemã, em especial se ela falar muito durante o acto, que imagino estéril e eficiente, como se não envolvesse troca de fluidos. Tal como é difícil brincar com os alemães, ouvir uma alemã, mesmo que seja a Julia Jentsch, a dizer “Mein schatz” (meu tesouro) é algo que nos fará perder instantaneamente a vontade. Não resulta. Parece uma ordem, qualquer coisa entre o “despacha lá isso” e “tire-me aqui uma fotocópia, frente e verso, se faz favor”. Não é algo que queiramos ouvir se estivermos deitados, inteiramente nus, com uma loura de 1,80m ao nosso lado.

Talvez esteja a ser injusto. Um dia hei-de aprender bem o Alemão, para ver se isto é mesmo assim. Pode, afinal de contas, acontecer que esta coisa da austeridade sejam apenas eles a tentar brincar connosco. Mas também há quem sugira que a própria Segunda Guerra Mundial começou quando Hitler não gostou que da Polónia lhe tivessem dito que o seu bigode era bastante ridículo.

Comments

  1. Humor (português) inteligente…

  2. Não concordo nada. O alemão é uma língua lindíssima e muito mais cantabile que o inglês. Quanto à sensualidade está muito acima dos ingleses. Deixo aqui a ária de Isolda que é um monumento sensual e erótico, seguido de morte, como é o que se parece o climax de qualquer acto sexual que se preze. Esta ária é o orgasmo posto em música.

  3. Luís says:

    Qual Camandro! … esta escrita está cheia “clichés”.
    Eu diria que o gajo do eurogrupo é mais meigo quanto a preconceitos.

  4. Konigvs says:

  5. Paulo Só says:

    Vê-se que o autor não gastou o que devia com vinho e mulheres. Escreve de “orelhada”, não de visto saber. É capaz de achar que para dormir com uma japonesa se tem de tomar banho de shoyu.

  6. Sou um leitor regular na austrália e desta vez decidi fazer um reparo.

    Não falo nada de alemão e para mim também me soa agressivo. Mas discordo do resto por mera experiência pessoal. Nunca vivi na alemanha mas a minha mulher é alemã e por intermédio dela conheço muitos “deles”.
    Uma coisa que me surpreende é por serem um povo bastante feliz, alegre e comunicativo. Surpreendeu-me exactamente por estes conhecidos estereótipos negativos… chego à conclusão que os alemães são hoje em dia mais calorosos ou mais positivos que nós e sempre fui ensinado do contrário. A alemanha tem também esta imagem mais colorida na Austrália, toda gente parece gostar de alemães e É marca que se usa para marketing (principalmmente comida mas também carros) o que é o oposto em muitos países Europeus. Das duas uma ou nestes lados só apareceram alemaes em festa ou a europa ainda vive de estereótipos antigos e não conhece mesmo a alemanha actual.

    Outro reparo é que normalmente os alemaes gozam com os alemaes de leste por serem estranhos e ouço às vezes o mesmo sobre a merkl. “Ah e tal coitada ela é do leste… temos que dar o desconto”. Ou seja também parece ser estranho para “eles” ela não sorrir muito.

    • Atento/sempre says:

      Quando falamos, devemos falar no povo alemão, e não nos políticos alemães!!
      Fica aqui a minha amizade e porque não homenagem para com o povo alemão, que tive o privilégio de conhecer alguns operários em tempo…
      E tenho alguns familiares na Alemanha casados com alemães…

  7. Gil Oliveira says:

    Sonetos do Bach? Ou sonatas?

    Mas interessante no que diz respeito aos preconceitos do autor e a sua necessidade de se reler antes de publicar.

    A relação com outras realidades – os alemães – é nula.

  8. Olá, na verdade o texto é, ou pretende ser, humorístico, pelo que nada fará grande sentido! Agradeço todavia os comentários e sugestões. Abraço,
    O Camandro

    • Por acaso, lido outra vez, até vislumbrei o humor. Mas humor que precisa de duas leituras é obra 🙂

      A intenção era boa e até necessária que é melhor rir-se de vez em quando dos alemães do que estar sempre a levá-los a sério.

      Mais não digo que tenha uma mão na caneca e a mulher está a pedir outra.

      Abraço,

      Gil

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