Ich komme aus Boliqueime

[André Camandro]

Os alemães, diz-se, não têm sentido de humor. Os alemães e, claro, Cavaco Silva. Isto não deve levar alguém muito distraído à infeliz dedução de que este país foi durante anos desgovernado por um alemão. Ou que Boliqueime fica algures nos arredores de Munique.

Os alemães, repito, não têm sentido de humor. Começa na língua. Arranha e mesmo fere-nos os ouvidos e a sensibilidade. Como os alemães falam maioritariamente Alemão, as excepções a esta regra são efectivamente muito poucas.

Claro que se trata de uma língua muito rica, tal como a cultura. Não passará pela cabeça de ninguém denegrir a literatura alemã, por exemplo. Ou os filósofos alemães. Ou a sua música. Bach, é sabido, deixou-nos sonetos maravilhosos.

Aquela gente é simplesmente muito séria para pensar em rir, por exemplo, quando está a trabalhar. Isso perfaz muitas horas num dia. Como também não é de crer que riam quando estão a dormir, mesmo aqueles que falam durante o sono, resta-lhes relativamente pouco tempo para gracejos. [Read more…]

Vamos masé dar cabo disto tudo! A espiral da corrida ao armamento

Foto: Tomasz Waszczuk / dpa

Esteve quase, quase, para não comparecer à sua estreia na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO. Mas lá se deu ao trabalho porque, após intensa azáfama diplomática, os 28 Estados membros concordaram em antecipar, uma semana, o encontro que teve lugar em Bruxelas na passada sexta-feira. Mal chegado a Bruxelas, Rex Tillerson, chefe da diplomacia americana, declarou sem rodeios ao que vinha; a saber: a meta de 2% do PIB em gastos com Defesa é para ser cumprida; no prazo de um ano, há que apresentar resultados; os aliados que ainda não elaboraram um plano nacional concreto especificando como vão chegar ao gasto de 2% do PIB para a Defesa até 2024 vão ter que o elaborar. Claro, recado do chefe Trump, que já tinha feito o aviso.

“Considero totalmente irrealista acreditar-se que a Alemanha chegará a ter um orçamento militar de mais de 70 mil milhões de Euros por ano”; “Não conheço nenhum político alemão que acredite que isso é alcançável e nem sequer desejável” respondeu Sigmar Gabriel, ministro dos Negócios Estrangeiros alemão; “Nem sequer sei onde é que iríamos colocar todos os porta-aviões que teríamos que comprar se tivéssemos que investir 70 mil milhões de Euros por ano no exército alemão.” [Read more…]