Deputado Leitão Amaro acusa “um governo socialista” por causa dos swaps. Fala verdade ou mentira?


O Deputado Leitão Amaro, do PSD, sacudiu a água do capote. A acusou “um governo socialista” e afirmou que os swaps “foram assinados no tempo do governo de José Sócrates”.

O governo em funções é o responsável máximo, isso é claro. Mas há muita gente com responsabilidade pelo caminho. É o PSD assim tão inocente como afirma o deputado Leitão?

É o que vamos ver neste post.

Metro do Porto (Foto: Jcornelius)

As declarações em causa são as seguintes.

“É uma factura de milhares de milhões de euros que se deve a um governo socialista”, começou por dizer o deputado António Leitão Amaro aos jornalistas, falando no parlamento depois de ser conhecido que o Estado e o Santander Totta chegaram a um acordo que encerra os litígios judiciais relativos a contratos de swaps de cobertura de taxa de juro celebrados com as empresas públicas de transportes.

Os contornos deste acordo, advogou o PSD, “são desconhecidos”, e os acordos do actual Governo com bancos “dão razão” para o partido ficar “preocupado”. “Estes swaps foram assinados no tempo do governo de José Sócrates. Estas governações displicentes têm custos”, criticou o social-democrata. Depois, António Leitão Amaro definiu como “clara” a responsabilidade do PS, e de anteriores executivos do partido, nestas “facturas” que agora chegam, que “é importante que os portugueses não esqueçam”. [Luís Villalobos, Público, 12/04/2017]

Atendendo ao contexto em que surge a notícia (diferendo entre o Estado e o Santander Totta), olhou-se apenas para empresas que fizeram swaps especulativos com o Santander Totta.

Contratos de swap especulativos

As  tabela seguinte ilustra as perdas potenciais devidas a contratos swap de carácter especulativo. Apesar de não estar listado na figura anterior, várias referências indicam o caso REFER como especulativo, pelo que também foi incluído na análise.

Perdas potenciais devidas a contratos swap de carácter especulativo

As empresas envolvidas não foram todas analisadas. Mas procedeu-se a uma selecção com o objectivo de verificar se o deputado Leitão tem ou não razão no que afirma. Na tabela acima, estão marcadas a laranja as empresas onde a ligação partidária ao PSD foi fácil de identificar. Concluiu-se que há responsabilidade política do PSD nas empresas com maiores perdas potenciais, devido às pessoas que nomeou para cargos onde houve responsabilidade na contratualização destes swaps. Os quadros seguintes ilustra estas ligações.

Maria Luís Albuquerque e a óbvia ligação aos swaps

A ligação partidária começa logo com Maria Luís Albuquerque. Da leitura das referências listadas no fim do post fica clara a percepção de que a ex-ministra do PSD teve responsabilidade directa na contratação de 4 swaps especulativos na REFER. Isto chegaria para mostrar que o deputado Leitão não falou verdade. Mas há mais.

Três ex-Secretários de Estado do PSD com envolvimento directo na contratação de swaps especulativos

No Metro do Porto, a empresa com o segundo maior número de contratos especulativos e, também, com o segundo maior valor de perdas potenciais, houve três ex-Secretários de Estado do PSD com envolvimento directo na contratação de swaps especulativos. Dois deles foram demitidos na sequência do escândalo dos swaps e o terceiro, Marco António Costa, escapou à demissão graças a ter “só” um cargo não executivo – apesar de se constatar que teve responsabilidade na aprovação destes contratos. Juvenal Silva Peneda, entretanto falecido, admitiu que havia, de facto, assinado os contratos em causa.

Portanto, mais uma vez se demonstra que o deputado Leitão não falou verdade.

Metro de Lisboa, a empresa com maior volume de contratos de swaps especulativos e potenciais perdas

Não se poderia terminar esta breve análise sem olhar para o que se passou com a empresa com maior volume de contratos de swaps especulativos e potenciais perdas, a Metro de Lisboa. Miguel Macedo, ex-Ministro da Administração Interna do PSD, nomeou para a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária um ex-administrador da Metro de Lisboa, Jorge Jacob, que esteve directamente envolvido na contratualização de swaps especulativos.

Três empresas, três ligações partidárias de topo à contratação de swaps especulativos. O mesmo exercício se pode fazer para encontrar administradores ligados ao PS. Mas foi um deputado do PSD que procurou lavar as mãos quanto a responsabilidades no caso. E foi isso que se foi procurar perceber neste post – se isso era verdade ou não.

Conclusão

O deputado Leitão Amaro tem razão ao afirmar que estes contratos de swaps “foram assinados no tempo do governo de José Sócrates”. Tal como poderia ter afirmado que tal aconteceu enquanto Cavaco Silva era presidente. Ambas as afirmações estão correctas, mas não revelam a verdade. E esta é que as assinaturas tiveram lugar no espaço temporal indicado mas foram da responsabilidade de pessoas ligadas ao PSD.

Portanto, Leitão Amaro mentiu por omissão.

Referências

Comments

  1. JgMenos says:

    Que ternura!
    A empresa é pública.
    O acionista Estado limita os preços e não a financia.
    Manda os administradores irem ao mercado buscar dinheiro ao menor preço.
    ….
    A responsabilidade política é do partido a que os gestores estejam ligados!
    FANTÁSTICA TRETA!

    • E esses queridos gestores têm uma pistola apontada à cabeça que os obriga a assinar as merdas que assinam. Tá bem tá.

      [editado]

      • JgMenos says:

        E tu que acreditas nos anjinhos imaginas quer o fariam sem a benção da tutela?
        E que o salário no bolso ao fim do mês não vale bem uma pistola?

    • José Peralta says:

      Ó “menos” ! Será pedir-lhe muito que, por uma vez, analise racionalmente os documentos presentes e não negue, reptilíneamente, as evidências?

      Será, certamente um grande esforço mental, para um tipo como você, sempre a adular os estupores, para não perder “as mamadas”…

      Mas está a espera que tal canalhada lhe “agradeça” ? Na hora própria e agora em inexorável queda livre para a estrumeira, você não passa de um “descartável” a levar o competente pontapé no traseiro !

      • martinhopm says:

        Mas, José Peralta, quem fala como o JgMenos, não será por poder beneficiar de sinecura(s)? Se calhar, à conta do PàF. Não vive decerto com o SMN. Nem tão pouco com uma pensão de reforma. daquelas que todos nós conhecemos, a começar por mim. Este tipo de pessoas causa-me um profundo asco e um não menos profundo desprezo, pois só pensam em si-próprios, na sua barriga. Como a têm cheia, os outros que se lixem. Não contam. São egoístas até dizer chega, além de mal formados. E estão-se positivamente marimbando para todos os que não pertençam ou ao seu circulo familiar, ou de amigos e ou de correligionários..

      • José Fontes says:

        José Peralta:
        Entretanto, o olharapo JgMenos (de seu verdadeiro nome João Pires da Cruz) já deve ter inventado a economia da merda.

      • JgMenos says:

        Peralta, não estou à espera de nada, porque nada me falta.
        Essa é a beleza do capital, é garante de independência.
        E o que disse acima é uma evidência tal que só mesmo lambe-botas geringonços podem dizer o contrátio.

    • Já agora, este argumento sobre a única responsabilidade ser do governo é, obviamente, uma falácia.

      Estas empresas têm uma administração. É esta que tem a obrigação e responsabilidade de responder perante os seus actos.

      Naturalmente, a responsabilidade política é do governo que estiver em funções, o qual pode decidir demitir uma administração. Mas são os administradores os responsáveis directos. E, muitos destes, não são nomeados por outras estruturas de poder. Ou alguém acha que o Marco António Costa foi escolhido por um governo socialista?

      Claro que os partidos que fazem estas nomeações políticas são os responsáveis directos. E, nesse sentido, o PSD não é nenhum anjinho como pretendeu o deputado Leitão.

      • JgMenos says:

        Responsabilidade política é do que se trata: a individual sobra para todos mas não se pega.

        • Ah mas que bem. Gosto muito dessas colunas vertebrais gelatinosas. Mas falemos de responsabilidade politica quanto aos a transportes do Porto e quem tem poder sobre isso. Não é o poder central.

  2. José Peralta says:

    O “deputado” leitão amaro ?

    Tadinho do puto ! Mandam-no para o “altar do sacrifício” dizer aquelas “bojardas” com aquele ar sofrido de bebé-chorão e fralda suja, e depois é o que se vê e “cheira” à distância…

    E ele…vai, qual cordeiro obediente ! Tadinho do puto !

  3. Isto é jornalismo e serviço público. É por posts como estes que sou leitor assíduo do Aventar.

  4. Sendo certo que o PS tem enormes responsabilidades no saque ao Estado feito pela originalidade dos SWAPs o PSD como companheiro do PS no assalto ao estado nos últimos 50 anos de Democracia não pode hipocritamente esconder-se e fingir que não é nada com eles. O PSD tem sido apenas uma das faces de uma moeda cuja a outra face é o PS. Os factos falam por si. Conclusões tire-as quem quiser e puder.

  5. anti pafioso. says:

    Ó leitão de tanto amares o passos estás como ele um aldrabão compulsivo.

  6. Paulo Ribeiro says:

    talvez a geringonça tenha mais vantagens além das óbvias e se consiga evitar repetir os saques feitos pelos partidos do costume.

  7. Splash says:

    Porcalhada à boa maneira do porquinho malcriado e toda a sua pocilga. a movimentarem-se desta maneira ainda vão morrer afogados em merda. Tenho saudades do Feio e do Gomes com a genuina conversa da treta.

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