Portugal, um país onde desaparecem papéis importantes


Lembra-se daqueles papéis importantes da Tecnoforma, que desapareceram? Não? Então e aqueles outros, da casa do Sócrates? Também não? Oh Diabo! Não me diga que nem os dos submarinos, dos tempos em que Paulo Portas tirava fotocópias no Ministério da Defesa… A sério? Inundações, dizem-lhe alguma coisa? Nada? Então, por obséquio, tenha a gentileza de seguir as hiperligações para reavivar essa memória. Como bónus, ainda leva para casa mais um “desaparecimento” de papéis importantes. Não tem nada que agradecer!

Desta vez foi no Banif, outrora o banco do regime madeirense, que o anterior governo varreu para debaixo do tapete, na sua desesperada tentativa (falhada) de saída limpa, e que o actual vendeu por 20 patacos aos imperadores da banca ibéria, num negócio peculiar com cheiro estranho, e de onde agora desapareceram também uns quantos papéis importantes.

Acontece que esses papéis são tão importantes, mas tão importantes, que a ausência deles condicionou a investigação da CMVM sobre o caso dos lesados do Banif, nomeadamente no que diz respeito às suspeitas de prestação insuficiente de informação aos clientes que adquiriram obrigações do banco. Ora, a falta desses importantes papéis, segundo Gabriela Dias, não permite identificar “más práticas ou violação de regras“. No entanto, acrescenta a presidente da CMVM, a análise do regulador é limitada devido à falta de uma parte dos dossiers sobre os empréstimos obrigacionistas do banco. Dossiers que, como imagina, estavam cheios de papéis importantes. E só eles permitiriam confirmar se o Banif efectivamente prestou aos clientes toda a informação a que estava obrigado.

E pronto, é mais um caso de papéis importantes que desaparecem. Mais um do qual daqui a uns dias já quase ninguém se lembra, porque não interessa para nada e porque está tudo bem. Excepto para os lesados do Banif, claro. Esses não esquecem tão cedo.

Imagem via Daily Mail

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    A primeira coisa que um larápio faz é eliminar as potenciais provas do crime. Não conheço viva alma que não proceda desta forma. A questão coloca-se de outra forma.
    Qual razão, para as instituições que deviam fazer as investigações, buscas, recolha de provas, entre outras diligências, nos locais onde se praticou o pretenso crime, levam uma eternidade a agir? Ou estão bloqueadas por burocracias várias, e então aligeirem-se os procedimentos, ou estão sedadas por quem de direito, para que aquilo morra por si, sem conclusões definitas.
    Ó João, eu sei que o seu texto é uma denúncia, e que fique registado para memória futura. Mas diga-me com sinceridade:
    – Alguém no seu perfeito juízo acredita que neste país, as instituições que deviam zelar pelo Estado de Direito, Polícia Judiciária, Ministério Público, Tribunais, Parlamento e PR, estão efetivamente preocupadas em descobrir a verdade, condenar e prender os criminosos de colarinho branco?
    – Acha mesmo que Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches, João Vaz de Mascarenhas, Armando Vara, e outros que estão na calha, irão de facto cumprir as penas a que foram condenados?
    Olhe, eu não acredito. Nem um poucochinho. Mas pronto, eu sou um daqueles maduros da província, que só acreditará em Fátima, quando estes gajos todos, ou quase, estiverem na realidade todos na choldra.
    A ser assim, estamos de facto perante um milagre!

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Caro Rui Naldinho:
      As ditas … ” instituições que deviam zelar pelo Estado de Direito, Polícia Judiciária, Ministério Público, Tribunais, Parlamento e PR”, não são instituições. É uma pessoa, o garante pelo bom funcionamento das Instituições Democráticas (ver Constituição da República Portuguesa).
      Pois diga-me lá onde podemos encontrar tal figura, para além das selfies, ou de uns encontros sociais. Ouço toda a gente dizer que o actual presidente é diferente do anterior. Na simpatia, é evidente que sim, mas no que interessa à democracia portuguesa, é um pouco mais do mesmo…
      E enquanto assim for, vamos assistindo a um regabofe. mas não esperava que um elemento do PSD fosse diferente, pois não?

      • Rui Naldinho says:

        O Ernesto, ao referir-se a Marcelo, fez-me lembrar aquele anúncio do Ricardo Araújo Pereira aqui há anos:
        “Eles falam, falam, mas não os vejo a fazer nada!”

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Mas é mesmo e neste caso, é ele, que fala, fala, fala, mas os criminosos de colarinho branco, entre umas pulseiras electrónicas e uns recursos, vão passando entre as gotas da chuva sem se molharem…
          Ricardo Araújo Pereira, para além de uma pessoa moderna, tem visão 🙂

  2. JgMenos says:

    E os administradores por parte do Banco de Portugal que estavam lá desde há tempo, não viram nem ouviram?
    Seguem o exemplo dos geringonços no governo quanto ao Sócrates?
    Tudo normal!
    Abril sempre!

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    E os Panamá papers … E tudo o vento levou …
    Mas não digamos nada… Os Juízes já perceberam o trabalho que têm e vai daí, já estão a pedir aumentos…

  4. anti pafioso. says:

    E ninguem é culpado pelo desaparecimento dos ditos ? Se fossem despedidos por incompetência e fraude possivelmente não desapareceriam tantos documentos .

  5. E não nos podemos esquecer do misterioso desaparecimento dos papeis do processo disciplinar instaurado pela Universidade Nova de Lisboa ao Professor Doutor Anibal Cavaco Silva, https://aventar.eu/2011/01/06/cavaco-o-turbo-professor-e-o-seu-processo-disciplinar/ e http://rprecision.blogspot.pt/2011/01/divida-de-gratidao.html. A gratidão é de facto uma coisa bonita….

  6. José Peralta says:

    tripeiropreocupado

    Pertinente o seu comentário ! Lembro-me que o facto foi revelado numa entrevista na RTP, dada à Dr.a Helena Sacadura Cabral pelo, ao tempo, presidente do PSD e reitor da Universidade , o malogrado Professor Alfredo de Sousa que foi quem mandou instaurar o processo disciplinar, depois “desaparecido”…

    Curiosamente, esse programa, nunca mais foi repetido, nem na RTP Memória !

    E, falando de “lembretes”, lembram-se da “desaparecida” em parte incerta, escritura da moradia do cavaco na urbanização da Coelha ? Se alguém se lembrar em que Conservatória está, diga-lhe, porque ele… “também não se lembra” !

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