O sexismo da Porto Editora já vem de longe


Dicionário da Língua Portuguesa, editado em 1986, Porto Editora

O João Mendes trouxe o texto do Ricardo Araújo Pereira (RAP) no qual se demonstra que, afinal, os cadernos não eram assim tão sexistas como se apregoou. E que o trabalho jornalístico à volta da questão deixou muito a desejar. Na verdade, os meios de comunicação social pegaram numa montagem de duas páginas para, a partir delas, tecerem ilações. E, por fim, a Comissão para a Igualdade de Género (CIG) laureou-se de poderes censórios e, “por orientação do Ministro Adjunto”, Eduardo Cabrita, recomendou à Porto Editora, que “retire[retirasse] estas duas publicações dos pontos de venda”.

RAP desmontou a questão, no programa Governo Sombra, implacavelmente e com graça, conforme se pode visualizar no vídeo seguinte.

Nota: O vídeo trunca parte do tema; pode ser visto na totalidade na TVI ou ouvido aqui.

Foi a própria Porto Editora que publicou este vídeo no seu canal do YouTube, acrescentando o seguinte comentário:

O Governo Sombra analisou e debateu os “polémicos” blocos de atividades (sic) publicados pela Porto Editora, confirmando o que a Porto Editora afirmou desde o início: não há discriminação, não há preconceito nas nossas edições. [YouTube]

Acontece que basta ouvir o que RAP diz para se perceber que não é bem esta a sua tese – voltaremos a este tópico mais à frente.

Ao longo do vídeo, Ricardo Araújo Pereira mostra um exercício mais difícil para as meninas do que para os meninos, como contraponto para o exemplo que toda a comunicação social usou.

Exemplo de um exercício mais difícil para as meninas. Recorte: Governo Sobra

 

O exemplo usado pela comunicação social. Recorte: Governo Sobra

O humorista comprou os dois livros, comparou-os e conclui que, de uma forma geral, não se justifica a polémica artificial à volta da suposta diferenciação quanto ao grau de dificuldade dos exercícios para meninos e para meninas, tal como titulou o Público, em forma de insinuação.

Recorte: Público

Mas RAP acrescenta uma segunda linha de pensamento, suportada pela constatação de existirem nesses dois livros “estereótipos de género, nocivos para ambos os lados”. Ressalva, porém, que estes estereótipos “não justificam a intervenção do Governo”, tal como não se justificaria  a retirada dos “filmes e livros da Disney, que exercem uma influência muito maior sobre as crianças e que têm exactamente os mesmos estereótipos de género”.

Que tese pedagógica justifica a existência de versões masculina e feminina do mesmo livro? É neste ponto, dos estereótipos de género, que reside o erro. As meninas gostam mais de cor-de-rosa e os rapazes de azul porque lhes está na natureza ou porque lhes foi ensinado? E quanto a carros e bonecas? E tomar conta da casa ou ir para o escritório?

O sexismo aprende-se e livros como estes ensinam-no. Veja-se a definição de mulher que constava da edição de 1986 do Dicionário da Língua Portuguesa, editado pela Porto Editora. Foi preciso um abaixo assinado, nos anos 90, para a alterar. Esta concepção da sociedade já vem de longe e longe está de estar extinta.

Comments

  1. Acho que no que se refere aos géneros – que aprendi na escola que eram dois, mas agora nunca sei quantos são – o importante é serem tratados com justiça e não igualdade, porque homem e mulher não são iguais. E na maior parte das vezes neste tipo de discussões cai-se no ridículo mais ou menos, como por exemplo na defesa dos animais. Agora já não se pode maltratar um animal, é crime e tudo – quase pior que bater numa mulher ou num homem – mas a caça continua a ser legal,a pesca desportiva também, e as touradas ainda passam nas televisões! Então para que é que se fez a lei? Os cães e os gatos são melhores que as aves, as raposas, as vacas e os touros, ou um prato de carne de porco que se come à mesa?

    E depois querem livro mais misógino e sexista que a Bíblia? Então por que é que então não as mandam recolher e as proíbem?

    “Multiplicarei grandemente os teus sofrimentos e a tua gravidez; darás à luz teus filhos entre dores; contudo, sentir-te-ás atraída para o teu marido, e ele te dominará”.

    A falta de coerência aborrece-me.

    • AntónioF says:

      Não sei qual o ano da edição do Dicionário de onde foi retirada a definição, mas, naquele que tenho (2014 – ISBN 978-972-0-01863-2) consta o seguinte:

      mulher n.f.
      1 pessoa aadula do sexo feminino; pessoa do sexo feminino depois da puberdade
      2 mulher em relação à pessoa com quem está casada; cônjuge do sexo feminino; esposa
      3 [coloq.] companheira; namorada; amante
      4 conjunto das pessoas do sexo feminino
      5 espécie de jogo popular; ~da má vida [pej.] prostituta; ~ de virtude bruxa, feiticeira
      (Do lat. muliere-, «mulher»)

      Página 1098

      • Eva Garcia says:

        Tal como é referido no texto do post, a edição de onde a imagem foi retirada é de 1986 (e tenho-a), e é a 6a edição, mas tal definição é exactamente igual a outras edições anteriores, nomeadamente, a 5a, também ela editada já depois de 1974.
        A definição foi alterada, em meados dos anos 90, após a movimentação de vários grupos, nomeadamente o SOS Racismo, que elaboraram várias petições e abaixo assinados.
        Aliás, na Assembleia da República, recentemente, durante a discussão da Lei da Paridade, este assunto foi abordado.

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Este “caso” ainda não percebi se é para rir, se para chorar.

    Assiste-se a um fundamentalismo de géneros que não lembra ao mais pintado.
    As declarações sucedem-se sendo claro que em cada uma delas, o machismo é substituído pelo feminismo e vice versa.
    Este caso já enjoa pela inocuidade e pelo nulo valor acrescentado.
    Num País com tantos problemas, vemos políticos preocupados com as formigas, passando ao lado deles verdadeiros elefantes.

    Porque se não preocupam com os incêndios, por exemplo? Ou com os banqueiros que nos deixaram na penúria e que gozam rendimentos.
    Esta classe política está completamente passada…

  3. Luís Lavoura says:

    O dicionário da Porto Editora tem bastante razão. Veja-se por exemplo as casas de banho que são para “Homens” ou “Senhoras”, mas nunca para “Mulheres”. No desporto é a mesma coisa, há os “homens” e as “senhoras”, não há “mulheres”. Apesar de, em termos objetivos, “mulher” ser o feminino de “homem”, na prática linguística tratar alguém por “mulher” tem um sentido pejorativo. Dificilmente alguém dirá a outrém “Você é uma mulher”.

    • Ana A. says:

      E esse sentido pejorativo deve vir dos tempos em que as mulheres eram consideradas seres inferiores!

      • Luís Lavoura says:

        Não creio. Em Espanha, aqui mesmo ao lado, “mujer” não tem qualquer sentido pejorativo. Aliás, nos bilhetes de identidade espanhóis, no lugar do sexo aparece (ou, pelo menos, há uns anos aparecia) “H” ou “M” para hombre ou mujer.

        É uma peculiaridade da língua portuguesa o facto de “mulher” ter um sentido pejorativo. Em francês femme ou em alemão Frau não têm qualquer sentido pejorativo.

      • Nunca me esquecerá um episódio da infância, quando alguém tocou à campainha de minha casa e fui ver à janela quem era. —-Quem é?- perguntou minha mãe
        -Uma mulher, respondi.
        Depois de atendida a visita, fui repreendido: “então não sabes distinguir uma mulher de uma senhora?”

        Ou seja, o que há a relevar da definição não é sexismo, é arrogância de classe.

        • E o mesmo lhe teriam dito, certamente, se um homem tivesse tocado à campainha e não tivesse sido anunciado como um senhor.

          A definição que constava no dicionário da Porto Editora não deixa de ser menos idiota devido a estas relativizações. Nunca me passaria pela cabeça tal sinónimo.

        • JgMenos says:

          É exactamento esse o sentido que o dicionário exprime.
          E o dicionário não tem que fazer ‘política’ tem que exprimir os usos que são feitos da língua em cada momento.
          Um exemplo de que as coisas evoluem – para conforto dos igualitários – é o seguinte: um José Pereira era sr. Pereira se fosse senhor e sr. José se fosse homem; hoje são ambos mais comummente chamados de sr. José.
          Uns dirão que se perdeu a educação, eu direi que se mudam os hábitos e que muita gente que não lidava com ‘senhores’ passou a fazê-lo regularmente.
          É claro que a tropilha ‘progressista’ , se pudesse, faria já um código de conduta – se não uma lei – a dizer exactamente como deveria comportar-se o rebanho, alertando para os portadores de velhos hábitos que revelam os males do capitalismo e que seria preciso erradicar na LUTA permanente rumo à unicidade, rumo à amiba!
          Entretanto contentam-se com as merdas dos labirintos e ‘recomendam’…

          • ZE LOPES says:

            Que saudades tens do tempo em que foste amiba! Estás sempre a referir-te a essa época tão feliz! Não admira. Recordas aquela tua mitose em que produziste um novo ser igual a ti! Assim, podes estar a ver ta telenovela enquanto o outro manda “posts”.

    • Então, os homens não merecem tratamento de senhor. Está certo.

      Na minha cabeça, nunca julguei que mulher pudesse ter sentido pejorativo. Mas estamos sempre a aprender. Tenho que rever um conjunto de livros à luz deste conceito.

      • JgMenos says:

        Ó Cordeiro, ‘à classe inferior’ é pejorativo?
        Então não há classes?
        Então não há LUTA?

        • Noto aqui uma séria falta de conversa. Vá, acredito que consegue melhor provocação do que isto.

          • JgMenos says:

            Ler mais acima que tem conversa.

          • ZE LOPES says:

            “Ler mais acima que tem conversa”.Menos: já vi que saíste da caverna, mas para uma boa causa: percorrer África a pugnar pela causa dos chimpanzés.

            Pelo menos tens uns tiques de Tarzan!

          • JgMenos says:

            Ó Lopes, quem te disse que és humorista enganou-te, acautela-te ou só fazes figura de parvo.

        • ZE LOPES says:

          Ó Menos, eu não ando aqui para te fazer rir! Poderia agravar a tua incontinência! Com a saúde das pessoas não se brinca!

    • Luis Lavoura,
      Será só a mim que me parece haver uma montagem na foto que é mostrada ?
      Em relação à sua teoria ( que para mim parece fazer sentido ) seria útil que o autor do post mostrasse no mesmo dicionário a entrada “Senhora”.

      Rui Silva

  4. Luís Lavoura says:

    Eu o que não percebo é por que raio a Porto Editora foi gastar dinheiro a editar dois livros que têm exercícios mais ou menos do mesmo grau de dificuldade, apenas para num colocar figuras de meninos e noutro de meninas. Que raio de ideia deu à Porto Editora para andar a gastar dinheiro dessa forma? Qual a vantagem? Porque não fizeram um só livro? Qual a vantagem, em termos de mercado, que retiram de haver dois livros?

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Deve ter sido para ver se a “Comixão” que superintende os livros e o ministro(a) da tutela estavam atentos…

  5. Luís Lavoura says:

    As meninas gostam mais de cor-de-rosa e os rapazes de azul

    Mas isto é verdade? Gostam mesmo? Ou apenas estão habituados a andar assim vestidos porque é assim que os pais os vestem?

    A mesma coisa em relação aos cabelos compridos. É óbvio para quem quer que experimente que ter os cabelos curtos é mais confortável e higiénico. Porque é que as meninas andam de cabelos compridos, então? É porque gostam? Não – é simplesmente porque, desde tenra idade, os pais lhes cortam (ou antes: não cortam!) os cabelos compridos.

    • Aí é ao contrário. Se os cabelos crescem exatamente de igual forma nos dois sexos – porque raio é que os homens os continuam a cortar? É que já muito longe vão os tempos em que deixamos de ser soldados romanos. É por andarem no mundo por ver andar os outros?

      Mas os cabelos é logo tema para dar pano para mangas. Mas vou só deixar uma pergunta ao cuidado da comissão para a igualdade de género:

      – Porque raio se um homem quiser ir para as forças armadas ou polícia tem de cortar o cabelo e uma mulher não?

      E às mulheres: por que é que não são as próprias mulheres a exigir tratamento igual? Ou ainda, por que é que elas mesmas, não o cortam para se sentirem “iguais”?

      • Andorisca says:

        Essas perguntas já não interessam! Estamos em 2017 amigo, questionar direitos só conta para todos os géneros menos os dos homens! Até parece que não sabe o que quer dizer “igualdade”.
        Ler e investigar a história do porquê das coisas? Estamos em 2017, ninguém tem tempo para isso! É mais fácil cair no ridículo de se questionar porque é que as mulheres têm cabelo comprido como se fossem obrigadas a tal. Quando na realidade os homens é que têm cabelo curto porque foram obrigados.
        Viva a internet, um sitio onde se pode aprender tanto, mas com tanta gente que nao quer aprender e pensa que sabe tudo.

        Agora em relação ao tópico dos “livros”. De certo, se viram o vídeo repararam que os livros foram criados e ilustrados apenas por mulheres correcto? Só quero relembrar porque é algo que não vi mencionado no texto. (Vá-se lá saber porquê)

        • É curioso e isso também dava tema com pano para mangas, que os maiores machistas, no meu modesto entender, são as mães, mulheres portanto. As mães, sempre diferenciaram os filhos, os rapazes das raparigas. Às raparigas tem que se a pôr a lavar a louça e a arrumar as camas e a aspirar; ao passo que os rapazes não, porque se calhar “vai parecer mal”, afinal, há uma rapariga cá em casa para alguma coisa! E tradicionalmente sempre foram as mães a quem coube a responsabilidade de educar os filhos, e ironicamente sempre foram elas, mulheres, que perpetuaram o machismo ao não saber educar para a igualdade.
          Entretanto nos últimos anos as coisas têm mudado, e agora felizmente que está tudo mais ou menos igual: tanto rapazes como raparigas não sabem estrelar um ovo nem mudar uma lâmpada!
          E repare-se no caso da Igreja: a bíblia é machista, racista, misógina e trata as mulheres como um monte de esterco, mas quem é que ainda vai enchendo as igrejas? Quem são as beatas? São as mulheres, não são os homens! Esses estão no café ao lado da igreja. Não é irónico? As mulheres são desprezadas e ignoradas por uma religião que não as trata como iguais (ordenação de mulheres padres por exemplo) e no entanto são elas que ainda vão enchendo as igrejas. Não há homens-catequistas por exemplo, são sempre mulheres. Porquê? Por que é que quem é humilhado tanto defende o agressor?

          • Isabel says:

            O machismo é social e a mulher é tão permeável a ele como o homem. Nunca esquecer que as mulheres que lutaram pelo direito de voto foram apedrejadas, insultadas e cuspidas tanto por homens como por mulheres. Semelhante se passou com a luta da igualdade racial (e ainda hoje se ouve que há pretos racistas entre eles). Os dominados frequentemente se submetem ao dominador. É preciso abanar as consciências a muito custo para se conseguir evoluir.

      • Luís Lavoura says:

        Eu corto o cabelo porque já descobri, por experiência, que o cabelo comprido dá imenso trabalho a lavar, depois a secar, e a pentear, e dá um aspeto sujo.
        També já falei com uma conhecida minha que volta-e-meia corta o cabelo dela curto e ela disse-me exatamente o mesmo, que o cabelo curto é muito mais prático e higiénico e simples, e que só o deixa crescer por pressão da mãe…

      • Isabel says:

        Pela mesma razão que se perguntar a uma árabe muçulmana porque é que ela usa burka, o mais provável é ouvir que é porque gosta e se sente bem assim.
        De seguida se perguntar se é porque quer ou se é condicionada a querer, ela vai convictamente dizer que é opção dela. E sim ela acredita nisso.

  6. JgMenos says:

    Como sempre, ser ‘progressista’ é abandalhar tudo que possa parecer senso comum.
    Há machos e fêmeas e são biológica e psicologicamente diferenciados. Tudo o mais é lixo pós-moderno.
    PS: Pós-moderno quer genéricamente dizer: refúgio de marxistas escorraçados pelas consequências de uma doutrina falhada.

    • ZE LOPES says:

      Abandalhar senso comum é uma tarefa realmente difícil. É a mesma coisa que dizer “abandalhar o que é bandalho”.

      Toda a gente sabe que a o Sol anda à volta da Terra.. Mas os pós-modernos, veja lá, negam. Como se um gajo não o visse a andar, ás vezes na bisga, para fugir das nuvens assassinas.

      Realmente, a Ciência é uma pós-modernice que fica muito cara.

      Viva o senso comum! Viva!

      (Entretanto, não saia da caverna, que pode ser atropelado por algum bólide pós-moderno). .

      • JgMenos says:

        Lopes, esperneia à vontade!
        Mas que estás na manada da idiotia dos ‘novos valores, porque sim’ não tenhas a menor dúvida.
        E por trás de todo esse lixo está sempre o primado da igualdade, não da igualdade perante a Lei ou Deus ou o Diabo ou o que quer que seja; a igualdade porque Sim!

  7. Nefertiti says:

    Parece consensual a quase genialidade de RAP. Por mim que deixei há muito de o frequentar fui confirmá-lo ralo e superficial, cada vez mais repetitivo e sem gracinha nenhuma vai sendo. É difícil em certos sítios achar convergência. Mas lá chegaremos. Também só perceberam a Isabel Jonet no dia em que foi pornográfica. Enquanto RAP se limitar a reforçar e a confirmar o discurso natural hegemónico levará muitos de vencida.

    Todavia, embora RAP seja tão brilhante, tão culto e tão divertido não percebeu (nem ele nem os fãs) que o perverso da coisa começa logo antes de abrir os cadernos ou de lhes ver a cor. Naquele distintivo (já várias vezes referido) rapazes e raparigas. O resto da discussão? Com quem? Quem nem isso percebe está noutro domínio conceptual. No dos que não percebem que livros de exercícios escolares para meninos e meninas só é diferente na quantidade de livros de exercícios para ciganos, pretos e arianos. Interessa pouco a dificuldade intrínseca dos exercícios quando o labirinto cigano vai dar a pilecas pintadas, o dos pretos a prédios em construção e o dos arianos a um professor a dar aulas.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Eu, que não sou cigano, nem preto, nem ariano, deixo aqui a minha denúncia da atitude altamente discriminatória de Nefertiti, rainha egípcia, que, como sabemos, se notabilizou apenas por ser, alegadamente, uma beldade (mas de cuja inteligência não reza a História, assim como as ilustrações que até agora nos chegaram não façam de todo justiça à fama), a qual não mencionou a minha raça.

      Assim, exijo que seja corrigido o comentário, no sentido de serem mencionadas TODAS as raças existentes, ou pelo menos seja incluída a minha. Ah pois é… Ou comem todos ou há moralidade!

      • Nefertiti says:

        Exacto, Fernando, Podes encavalitar esterótipos em cima de estereótipos a ver se ocupas nichos de mercado e educar o pessoal como se fossem meros perfis publicitários. A escola serve bem para isso, que tem lá bué people. E há sempre uma trend nova kitada pela comunicação social e pelas colunas de life style. Buy more, bebé.

        • Fernando Manuel Rodrigues says:

          Não sei quem encavalita o quê, mas ler “ariano” (classificação que já tinha caído em desuso quando o nacional-socialismo alemão e o fascismo italiano a recuperaram, e voltou ao esquecimento depois disso) a par com cigano (que não estou certo que seja uma raça, a não ser que judeu também seja, mas se formos por aí, temos raças que nunca mais acaba…), e preto (sendo uma classificação depreciativa, ainda se percebe a que se refere com esta) confesso que me deixa confuso e perplexo, sem saber o que pensar.

          No entanto, nesta coisa das raças, as classificações politicamente correctas também não são menos absurdas. Já nem posso ouvir falar em “caucasianos” (classificação que foi banida de qualquer utilização científica, e apenas é usada actualmente em termos forenses) e em “afro-americanos” (ou “afro-qualquer-coisa”, mesmo quando já nem sabem onde é África) é algo que também me causa urticária. É pró que está.

    • JgMenos says:

      Isto só lá vai com um modelo de urinol unissexo e retiros de procriação para casais.
      De outro modo não nos livramos desta horrível sensação de que há dois sexos biologicamente diferentes!

      • Nefertiti says:

        Mas ó Menos, o que é que a biologia tem a ver com a cultura?

        • ZE LOPES says:

          Não terá tanto a ver com a cultura, mas certamente haverá uma relação com a incultura. Por exemplo, o Menos está vivo e é inculto.

          “Quod erat demonstrandum”

          • Nefertiti says:

            Zé Lopes, Embora até me tenha dirigido a ele, tenho, todavia, algumas dúvidas quanto à existência biológica de Menos.

            Acredito que seja um algoritmo gerador de texto automático a partir de palavras fixadas previamente.

        • JgMenos says:

          Ó Princesa!
          O que tem a ver a biologia com a cultura?
          Achas que o Nietzsche, se tivesse tido saúde e sucesso com as mulheres, escreveria aquelas coisas tão deprimentes?
          Achas que se os Vikings fossem pigmeus tinha chegado a Guimarães?

      • ZE LOPES says:

        Deves ficar pelo urinol. Os retiros são perigosos. Podes deixar descendência. Seria uma desgraça a todos os níveis. principalmente para @s descendentes.

      • ZE LOPES says:

        Sim, Nefretiti, pode ser um algorimo, mas mesmo assim ter existência biológica. Só poderíamos ter a certeza se, por acidente, vissemos um algoritmo ir á casa de banho. Pelo menos, era certo que vinha aí mais um “post”.

      • Ana Moreno says:

        O urinol é um ponto importante do ponto de vista prático, que é o que importa. Passando para esse plano, um exemplo relevante no quotidiano é que, como via de regra não há urinois em casa, homens atentos à questão de género sentam-se na sanita, mesmo para urinar. É uma diferença do dia para a noite. 🙂

  8. Parece-me que um dicionário tem como função dar o maior número de definições que um idioma tem para cada palavra. Não tem que fazer ideologia. A definição de mulher como pessoa do sexo feminino da classe inferior está correcta. Não diz que as pessoas do sexo feminino são inferiores, diz que no idioma falado, o termo mulher, por vezes, significa, pejorativamente, uma pessoa das classes sociais mais baixas. Um significado deve ser apagado do dicionário se for inexacto e não porque ofende as boas consciências. “Estás uma mulherzinha” e “está ali uma mulherzinha”, não significam na nossa maneira de falar a mesma coisa, e é função do dicionário dizê-lo.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Está cheio de razão, mas discutir com pessoas que vêmm sexismo em tudo e não vêem mais nada além disso é uma perda de tempo. Aliás, a expressão “mulher da vida” é bem conhecida, mas não me consta que tenha equivalente literal noutros idiomas. Por isso é que as “senhoras” ou “meninas” não gostavam de ser chamadas “mulheres”, porque consideravam o termo um epíteto equivalente a “reputação duvidosa”, ou no mínimo a condição social inferior.

      Tudo isto são questões históricas, que nada têm a ver com sexismo. A História está registada, é memória, e nada se pode (nem deve) fazer para a desvirtuar ou reescrever.

      • Isabel says:

        A história e não só. Por isso é que a igualdade ainda não existe. Porque “mulher” tem ainda muito de perjurativo. No dia em que não tiver e o dicionário actual não necessite de o reflectir (tal como muitas outras palavras que foram evoluindo no seu aignificado)… então aí os feministas possam dar tréguas ao seu suposto histerismo.

    • Isabel says:

      “Está ali um homenzinho” também não é a mesma coisa que “está ali um homem”. Significa está ali um ser inferior do sexo masculino. O dicionário esqueceu-se disso então?

  9. Leio com incredulidade as dissertações sobre sobre a definição de mulher da edição de 1986 do dicionário da Porto Editora. No meu mundo, mulher nunca tem sentido pejorativo. Não conheço uma única citação onde esse significado exista. Por isso, concordando que um dicionário não deve fazer política, só faz sentido esta leitura formatada ter desaparecido. Fico a aguardar que as luminárias deixem citações concretas sobre esse uso. Sublinho que variantes, tais como mulherzinha, mulher da rua, mulherio, mulherzona, meninas, etc, são definições diferentes, até, por vezes, com entradas próprias. Não sou pessoa de letras, mas creio que tal não será necessário para constatar que uma palavra muda de sentido conforme o contexto. E é esse contexto, em que a palavra mulher, por si mesma, seja usada com conotação pejorativa que me escapa. Mas, lá está, cada um tem a sua vivência e convicções. Sobretudo, convicções.

    • Não é uma questão de convicções. Para mim, mulher nunca tem um sentido pejorativo mas isso não interessa ao caso. Interessa é o uso semântico que os utentes de uma língua lhe dão, e há, ou houve, o costume de considerar a nomeação do termo mulher como pejorativo. Tive uma criada (antes de ser incorrecto) para a qual o termo rapariga significava uma prostituta. O dicionário deve revelar as várias tendências do uso da língua. Não são convicções.

      • Mas é, precisamente, a questão semântica que está em causa. Onde é que está ou esteve esse uso?

        Mas não sejamos ingénuos. Os livros, nos quais se incluem os dicionários, resultam do trabalho de pessoas concretas. Com graus diferentes, a vivência, conhecimento e convicções pessoais acabam por se reflectir nesse trabalho. Um exemplo noutro contexto: venham dois historiadores darem a mesma interpretação da História.

        • Fernando Manuel Rodrigues says:

          Se não conhece, não conhece, mas que existe existe. Transcrevo aqui a entrada “mulher” do Grande Dicionário da Língua Portuguesa (Grande Dicionário de Morais) de acordo com a 10ª edição, revista por Augusto Moreno, Cardoso Júnior e José Pedro Machado (edição do Jornal de Notícias – 2002):

          “Mulher s.f. – A fêmea da espécie humana; pessoa do sexo feminino | Pessoa do sexo feminino casa, esposa | Pessoa do sexo feminino de condição social inferior (por oposição a senhora ou dama) | Diz-se de mulher pública, de vida fácil, meretriz | …”

          • Naturalmente que é de um exemplo do concreto, e não de uma definição, a que me refiro. Uma citação, por exemplo.

          • Queira, por favor, colar aqui a definição de homem deste mesmo dicionário.

          • Caro Fernando Rodrigues,
            Com seu esclarecimento, percebo que mais uma vez este caso mostra o enviesamento da malta do politicamente correcto que vê a opressão da sociedade capitalista e patriarcal por todo o lado.
            Mais uma vez levantam um problema inexistente. Foi engraçado ver o hilariante “sketche” de Ricardo Araújo Pereira , que serviu para mostrar o ridículo em que caíram, mais uma vez, estes “ideólogos” .
            O Ricardo Araújo Pereira está a deixar de ser engraçado para os comunistas, mas não faz mal ainda tem o Quadros que é muita “bom”.

            Rui SIlva

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      E não se trata de convicções. Trata-se de vivência, de ter vivido e convivido com pessoas dos mais diversos quadrantes e condições, sem problemas nem preconceitos. Parece que quem tem vivido numa redoma, e com preconceitos é o j.manuel cordeiro.

  10. Por falar em pejorativo.
    Machismo é algo mau, é alguém que defende que os homens são melhores e dominam sobre as mulheres.
    Mas o correspondente feminino já não tem conotação negativa!
    O Feminismo já é algo bom, é a defesa das mulheres que querem a igualdade perante os homens.
    Mas então como se vai então designar o movimento, que no futuro quererá defender a igualdade dos homens para com as mulheres?
    Ou chegará o dia em que ser machista passará a ter conotação positiva?

  11. Eva Garcia says:

    Ao ler o grosso dos comentários deixados neste post, fico com a sensação que a definição de ser inferior referente às mulheres é perfeitamente pacífica. Não choca. Não indigna. Aliás há até quem a justifique e lhe reforce o sentido.
    Se o espanto ao deparar-me com a definição já era muita, agora então, fico com a certeza que, são estas mentalidades, que justificam todos os atentados que ainda sofremos na “coutada do macho lusitano”, onde uma roupa mais curta, um decote um pouco maior, ainda servem como justificação para o acto de um violador e a culpabilização da mulher.
    São estas as mentalidades redutoras com que se estereotipam as mulheres que são usadas como desculpa para tentar manter uma sociedade patriarcal com o macho como figura central, em torno do qual giram as fêmeas para garantir todos os seus confortos.
    Está bem!

    • Não não está bem.
      A sociedade portuguesa , como as sociedades latinas geralmente são sociedades matriarcais. A mulher é que decide, o homem é responsável por ganhar dinheiro mas a mulher é responsável pela sua administração .
      A história do macho latino é para consumo externo, em casa manda a mulher, fora de casa manda o homem.
      Nos centros urbanos em que o conceito de família está influenciado pelo marxismo cultural a história é outra.

      Rui Silva

  12. Eva Garcia says:

    E continuamos no belo registo “em casa manda ela, mas nela mando eu”!

    Por favor, não saiam da caverna, que Agosto acabou, as temperaturas estão a descer e podem constipar-se.

  13. Vamos lá meter as ideias em ordem.

    1. Tal como é referido no post, a intervenção da CIG foi errada.

    2. Foi preciso um humorista fazer o trabalho que deveria ter sido realizado pela comunicação social.

    3. A Porto Editora é livre de editar o que bem entender em termos de livros. Isso não significa que não possa ser alvo de crítica.

    4. Os livros em causa reproduzem um conjunto de estereótipos. Na minha opinião, não acrescentam coisa alguma à aprendizagem e a editora faria melhor serviço se não os usasse.

    5. Grande parte da discussão neste post centrou-se na definição de “mulher” constante na edição de 1986 do Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora. Nomeadamente, se a definição de “mulher” como “pessoa do sexo feminino pertencente à classe inferior” era pejorativa ou, por outro lado, se reflectia, ou não, o uso corrente da linguagem.

    6. Alguns argumentos para validar a tese de que nada de errado existia na definição focaram-se no facto de, por vezes, se usar a palavra “mulher” para distinguir situações em que seria mais adequado usar “senhora”. E que, neste sentido, “mulher” seria então uma pessoa de uma classe social inferior à de uma “senhora”.

    7. Se aceitarmos este argumento, então pode-se fazer uso equivalente no caso de “homem” vs. “senhor”. Seria de esperar que o dicionário da Porto Editora tivesse, na entrada “homem”, a definição “pessoa do sexo masculino pertencente à classe inferior”. Afinal de contas, ambos os usos são correctos na linguagem, logo se uma definição existe, não se vislumbra porque não há-de existir a outra.

    8. No entanto não é esse o caso:

    (clicar para ampliar)

    9. É este o aspecto onde existe sexismo. Isto nada tem a ver com politicamente correcto, excepto se se acreditar que, de facto, o homem é superior à mulher.

    10. Os símbolos estão na base das relações humanas. Há quem morra por uma bandeira ou por uma cruz. Os símbolos representam a forma como nos definimos e como definimos a sociedade. Há quem lhes chame valores. Por exemplo, a cultura americana tem sido extremamente bem sucedida na difusão dos seus símbolos através da indústria de Hollywood. Quem tem responsabilidades na formação e educação deve ter especial atenção aos símbolos que usa e, em particular, no que respeita estereótipos. A Porto Editora, como entidade profissional na área da educação e que, por isso, contribui para a formação da nossa sociedade, deveria ter este cuidado, seja no que toca aos livros escolares, seja quanto a dicionários (que, de resto, corrigiu em meados dos anos 90).

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