Romance do ranking

“Estou muito satisfeito com as vossas notas, todos têm positiva na classificação final do ano”, dizia, aos seus alunos, o professor de Filosofia. Estes sorriam, satisfeitos.
“Então vamos todos a exame e fazer um figurão”, garantiam, felizes.
“Ah, isso é que não pode ser; o Colégio só leva a exame o Bernardo. Ele tem, de longe, a melhor nota de todos vós.”
” E- e então e nós, o que fazemos? Não é justo!”, espantavam-se os 24 alunos restantes, indignados com a situação que se desenhava.
“Vocês anulam a matrícula e vão ali à Escola Pública inscrever- se como autopropostos.”
Apesar da revolta dos alunos e, depois, dos seus pais, foi isso que aconteceu.
E foi assim que o Colégio de Sta. Miquelina obteve, mais uma vez, um dos primeiros lugares do ranking promovido pelo ME e patrocinado pela imprensa “de referência”. Há quem ache o método cruel – “canalha”, chamava-lhe um pai – mas a verdade é que o colégio não estava só. Todos os primeiros 15 classificados daquela disciplina tinham levado a exame apenas um aluno…

(Qualquer semelhança com factos reais não é pura coincidência…)

Comments

  1. JgMenos says:

    Doi-lhe alguma coisa, ou é só azia?

    • ZE LOPES says:

      Estava à espera da mama e dos mamões. Entre outros, esse é um dos problemas dos “privados”.

    • Rui Naldinho says:

      Ó Menos, será que tu também não andaste numa escola dessas?
      E por isso bolsas, em vez de “bolçares”, … o leite vem azedo, Menos, e “acessoras em vez de assessorares”, meu escriba de trazer por casa.
      Se tu não fosses um subproduto dessa Santa Ignorância, armado em iluminado, eu até te dava crédito. Mas como não passas de um arregimentado, vou considerar-te apenas um simples troll.

    • António Fernando Nabais says:

      Um comentador sério poderia apresentar argumentos. O menos nunca apresenta argumentos. Proposta de neologismo para os comentários do menos: argumenos. Força, menos!

      • Bento Caeiro says:

        O Menos não é um comentador, ou, pelo menos, não é o que parece. É um provocar – qual catalisador – que visa apenas interferir no processo e nos seus resultados. Suspeito, que até poderá ser algum dos que se apresenta aqui sobre outro nome.
        Declaração de honra: eu não sou.

    • Ricardo Almeida says:

      Deve ser o papá do Bernardo..

  2. João Paz says:

    É por essas e por muitas outras de igual calibre que aparecem sempre no topo do “ranking”. E quem paga são os nossos impostos (para além de “propinas” escandalosamente altas a que só muito poucos conseguem chegar).

  3. Bento Caeiro says:

    O remédio é simples: abandone-se o ranking, faça-se exames nacionais únicos de acesso às universidades, onde apenas conte a nota obtida nos mesmos. Como se costuma dizer, acaba-se a cagança e, pode ser que assim o ensino privado, para além do aspecto mencionado, passe a actuar de forma diferente, mormente deixando de inflacionar as suas notas.
    Contudo, não nos esqueçamos que isto não se passa somente a nível do ensino, porque é uma característica de um sistema que valoriza mais o que parece do que aquilo que é. Veja-se o caso do mundo empresarial, nomeadamente os casos PT e BES. Nos quais três gestores – Zeinal Bava, Henrique Granadeiro, Ricardo Espírito Santo – premiados, agraciados, comendados e apaparicados pelo poder, mais não fizeram, pela sua excelência, que provocar a destruição de um grande grupo – Portugal Telecom; e o prejuízo de milhares de clientes e, no geral a todo o contribuinte, por parte do BES.

  4. Rui Naldinho says:

    Há sempre um Dr Jekyll e um Mr Hyde em todos os lugares e em todos os espaços onde interagimos. Em especial no mundo das redes sociais.
    Nunca conheci pessoalmente nenhum membro do Aventar. Não porque alguém se tenha negado a isso, pelo contrário, disponibilizaram-se a abrir-me as portas, mas porque sempre achei que existe um lado da minha privacidade, que até um determinado momento devia preservar. A minha empatia por alguns Aventadores é maior do que por outros, mas isso não me inibe de respeitar as suas ideias, desde que as fundamentem. Ainda assim errei por vezes. Sei que o meu próprio nome, em tempos foi posto em causa, como um nome inexistente no mundo dos vivos. Mas lá acabaram por acreditar que eu afinal sempre existo.
    Sou de acreditar que existe no mundo das redes sociais uma central de contra informação, onde pontificam o “Direita Política”, “Amigos não deixam amigos votar António Costa”, “Grupo de apoio ao Juiz Carlos Alexandre”, “Vaca voadora nunca mais”, enfim, um cem número de páginas no Facebook, por exemplo, cujo fim não é criticar ou debater, mas sim falsear realidade, criando um cenário virtual, por vezes até grotesco.
    A desvantagem do Menos, sempre foi a de se colocar num pedestal, atirando pedrinhas, armado em puto riguila, mas demonstrando uma ignorância atroz.

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