Transformando Zuckerberg

Tem sido acesa a discussão sobre o papel do Facebook na sociedade, especialmente depois das fake news se terem tornado assunto banal e de esta empresa, juntamente com a Google, ter capturado a quase totalidade do mercado publicitário online, se bem que este tópico não seja tão falado.

Desde a eleição de Trump que o Facebook tem estado em introspecção, uns porque querem que este seja uma melhor plataforma, onde o tempo é bem gasto, outros, cinicamente, apontado que é o medo de desaparecer que move a empresa. O receio não é infundado. Veja-se a transformação a que a Microsoft foi obrigada devido à guerra dos browsers quando a União Europeia lhe aplicou medidas de defesa da concorrência. Ou repare-se, ainda, como o próprio Facebook levou ao declínio do MySpace e de outras plataformas concorrentes. Zuckerberg tem telhados de vidro, garantidamente.

A Wired publicou um extenso e interessante artigo sobre estes e outros assuntos, realçando os tumultos que o Facebook sofreu nos últimos dois anos. É um notável artigo de análise, com muita informação interna, que coloca em perspectiva reacções e decisões da empresa. Leitura muito recomendada.

Comments

  1. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Li o artigo, e não vejo nele nada que me faça apontar o dedo ao Facebook. O que vejo, uyma vez mais, é humanos (pessoas) desresponsabilizando-se das suas próprias acções. O Facebook é umn mero veículo, onde as pessoas podem exercer a sua liberdade. Mas liberdade implica responsabilidade – por parte de quem publica e também por parte de quem lê ou consome.

    Se alguém propaga uma “fake news” através do Facebook (onde, efectivamente, isso é muito mais fácil) essa “fake news” só tem êxito devido à falta de sentido crítico e sensatez das pessoas.

    Infelizmente, a maioria cada vez mais manifesta uma “carneirice” acrítica, sobretudo se os temas são “trending” como os do “politicamente correcto”, e facilmente se organizam campanhas como o “Me Too” ou outras, sem que as pessoas parem um pouco para tentar destrinçar, no meio do lodaçal, o que é plausível, e o que manifestamente não o é, e procurem investigar, inquirir e certificar-se antes de agir.

    Mas isso não é culpa do Facebook. Isso é culpa de quem toma tudo o que lá se publica como verídico (e o mesmo se passa com as televisões e os jornais).

    Lembra-me uma cena que assisti numa acção de formação. O formador segurou com a mão o que parecia ser uma maçã. Perguntou o que era. Praticamente todos responderam: “Uma maçã”. Ele então virou-a e vimos que a outra metade da maçã tinha sido cortada. Não era uma maçã – era apenas meia maçã. Em seguida, permitiu-nos examinar a “meia maçã”. Não era verdadeira, era uma “meia maçã falsa”.

    Acho que esta história fala por si. Lições a tirar: Do que virem de longe (nomeadamente vídeos e televisão), acreditem apenas em metade. E mesmo a essa metade coloquem reservas, porque pode ser falsa.

    • j. manuel cordeiro says:

      Parece-me que hoje em dia, nem em metade se pode acreditar. A tecnologia actual coloca nas mãos de todos a possibilidade de fazer vídeos com as pessoas a dizerem coisas, de forma visualmente credível, que nunca disseram. Caminhamos para um novo contexto, o de algumas fontes se tornarem credíveis e podermos acreditar um pouco mais nelas do que nas outras.

      Com efeito, uma arma só dispara se permitem o gatilho. No entanto, o Facebook colocou à disposição de todos ferramentas de manipulação ao como nunca existiram. Por acaso, há uma crítica forte à empresa, no meu entender. A atitude de valorizar os likes e de procurar aumentar o tempo de permanência na rede conduziu ao favorecimento de artigos sensacionalistas e com pouca profundidade, ao contrário de análises elaboradas e longas. A empresa adoptou, conscientemente, práticas de favorecimento editorial por forma a satisfazer os seus objectivos. Como em tudo, também importa o caminho que se escolhe.

      Outra crítica forte no artigo, assim o li, está logo no início, pela forma como duas pessoas foram despedidas. Um deles apenas por ser amigo de outro e ter colocado um like num post.

      Se muitos dispararam a arma, o Facebook, além de a ter construído, também a usou.

      • Fernando Manuel Rodrigues says:

        Sim, mas isso é prática comum por lá. As empresas exigem compromisso absoluto, e qualquer crítica, ainda que velada, feita em público, é logo despedimento.

        É pior que um casamento. É um regimento violento, e que infelizmente se está a propagar pelo mundo inteiro.

  2. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Dito isto, eu também acho que o facto de o facebook caminhar para um possível monopólio é perigoso.

    Será sempre necessária e(direi mesmo fundamental) uma outra (ou mais) plataforma(s), que permita(m) contrabalançar a sua possível influência.

  3. Fernando says:

    “Desde a eleição de Trump que o Facebook tem estado em introspecção”

    Tem estado em introspecção porque o fantoche que ganhou não foi o(a) fantoche preferido do Zuckerburgo.

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