Marielle

​“Sou uma mulher negra, mas antes disso tenho falado muito que antes de reivindicar e compreender o que era ser uma mulher negra no mundo, eu já era favelada. Nascida e criada na Maré (…)” – palavras de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, mulher progressista,socialista, feminista, lutadora, livre. Assassinada – executada? – após ter criticado com dureza a intervenção violenta das forças militares nas favelas. Pode haver quem julgue esta associação de factos forçada, mas o modo de ataque, a natureza do crime, traz-nos irresistivelmente à memória o Brasil dos esquadrões da morte dos tempos chumbo. Que, optimistas, julgávamos superados. Tristeza não tem fim.

Comments

  1. Fernando Antunes says:

    Para os mais desatentos, mas nem foi assim há tanto tempo, houve um golpe em 2016, e o Brasil é governado, desde o golpe de Estado, por um programa de governo completamente oposto do que foi sufragado nas eleições ganhas por Dilma; e aliás Temer (no Google Translate, traduz-se para “fear” em Inglês, e com bons motivos) teria até muito menos percentagem que a Assunção Cristas se fosse realmente a votos.

    Esta execução faz parte de um processo normal de “mexicanização” do Brasil. Os resultados das próximas eleições determinarão se o país deixa de oficialmente poder ser considerado uma democracia ou não.
    É uma situação já vista em tantos países da América Latina, e no próprio Brasil (décadas atrás): 1) desmantela-se completamente a Segurança Social ou Providência, “flexibilixa-se” mais ainda o mercado de trabalho, deixando uma grande parte da população em condições de pobreza ainda mais extrema, e de escravidão; 2) isso gera conflitualidade nos sectores desfavorecidos e nos bairros precários; 3) o problema resolve-se com esquadrões e milícias de metralhadora em punho para limpsr as favelas da “sujeira”.

    Arricando-me a ser rotulado outra vez de “esquerdalhada”, isto no meu dicionário chama-se simplesmente guerra de classes.

  2. JgMenos says:

    Para negra já está muito descolorida.
    A bandeira do racismo é uma das muitas muletas da esquerdalhada.
    Outra é a ‘luta de classes’.
    No Brasil as classes verdadeiramente em luta são as dos bandos de corruptos amorais que empestam toda a vida pública.

    • Bento Caeiro says:

      Os “ismos”, caro Menos, são e, desde há muito tempo, têm sido muletas – diria, bandeiras – para todo o tipo de gente. É conforme a posição e o lugar que se ocupa ou julga ocupar na mesa do xadrez – onde até há muitos que não sabem se são damas ou cavalheiros, outros se são de esquerda ou de direita, porque até, por natureza, são canhotos e os que sendo meros peões, esticam o pescoço e até se fazem passar por rainhas e reis, quando mais não são que cavalos.
      Tivemos o caso dos comunismos, como papão para as gentes ocidentais, Portugal incluído – o caso dos anos 50, nos EUA foi surpreendente; dos fascismos – após estes – como ameaça iminente, apontada pelos comunistas sobre os portugueses (o papão fascista do PCP); do nazismo, porquanto imagem e argumento utilizado pelos sionistas israelitas para chantagearem os outros povos.
      Também, obviamente, temos o caso de certas minorias, também do racismo, que actuam, por analogia da mesma forma, como acontece nos estados unidos (não à mesma dimensão: veja-se o caso cigano em Portugal).
      Contudo, porque não sendo tudo verdade, não poderá ser metido tudo no mesmo saco; até porque na verdade o que acontece no Brasil à população negra, ou mais ou menos negra – como parece gostar – é que tal acontece pela grande questão destas populações estarem entre os mais desprotegidos. Como tal os mais sujeitos a todo o tipo de abusos – como foi agora o caso – por parte daqueles que estão ao serviço daqueles que aqui aponta como “… bandos de corruptos amorais que empestam a via pública”, porque são estes que, directa ou indirectamente, mataram a vereadora brasileira Marielle Franco e os mais interessados em que a situação no Brasil se mantenha por mais tempo, mesmo que em praça pública venham dizer o contrário.
      Mas, amigo Menos, não é só corrupção, é também luta pelo pelo poder – alguns diriam: sobretudo luta pelo poder e pelas riquezas que o mesmo pode proporcionar.

      • JgMenos says:

        É preciso viver num território em guerra – e isso é o Rio de Janeiro – para deixar essas simplificações teóricas «…são estes que, directa ou indirectamente, mataram a vereadora brasileira Marielle Franco».

        Se todos fossem felizes e boa gente, ninguém matava ninguém – vale tanto como esse tipo de bocas.

        • ZE LOPES says:

          Já vimos tudo! Se V. Exa. fosse governador lá do Rio ainda mandava a conta das balas à família da vereadora…

    • Paulo Marques says:

      Ó menos, hoje mereces mesmo um “Vai-te foder”.

      • Paulo Marques says:

        Ou de forma mais calma, a desigualdade não existe nem causa problemas?
        Quando chegas ao ponto de estar mais à direita do que o FMI e da comissão europeia, se calhar devias pensar um bocadinho sobre o que andas a fazer na vida.

        • JgMenos says:

          A desigualdade?
          Onde é que ela não existe? E andam aos tiros por todo o lado?
          Se em vez de te armares em analista política com esse comodismo do direita/esquerda procurasses distinguir o certo do errado dizias menos asneiras.

          • ZE LOPES says:

            “E andam aos tiros por todo o lado?” Ora aí está! até que enfim que V. Exa., na sua excelsa sabedoria nos dá a todos uma pista para a resolução do problema!

            O problema, evidentemente, é o de andarem “aos tiros por todo o lado”. Assim, uma boa proposta seria arranjar um recinto devidamente vedado onde se poderia atirar à vontade, incluindo a polícia, esta para aliviar o “stress” e o tédio da vida na esquadra.

            Até se poderia atribuir uma pontuação e sagrar campeão o “bando de corruptos amorais” que obtivesse maior “score”.

            A pontuação seria diretamente proporcional á importância do alvo e à desculpabilidade da eliminação.

            Por exemplo: Tiro no sem abrigo – 10 pontos; tiro no esquerdalho/a, 100 pontos; tiro n@ polític@ esquerdalh@, 10000 pontos e uma estadia com tudo pago num “resort” à escolha. E assim sucessivamente…

          • Paulo Marques says:

            O menos preferia que fossem calmamente para as plantações, ou o seu equivalente moderno de estagiar até morrer.

          • Paulo Marques says:

            Quanto ao certo e errado, epah, olha para o que diz a OCDE e o FMI, esses revolucionários.

    • ZE LOPES says:

      Corruptos amorais? Que horror! Corrupção sim, mas dentro da moralidade! E nada de bandos, que só prejudicam a sã concorrência entre corruptos!

    • ZE LOPES says:

      Pelo comentário se nota que V. Exa se orienta para outras preferências, e não gosta de meias-tintas. Prefere tudo bem colorido.

  3. Luís Lavoura says:

    Ela diz que é “uma mulher negra” mas eu, olhando para a fotografia dela, acho que ela é de facto uma mulher (por sinal bastante bem feitinha), mas negra é que certamente não é, pelo contrário, é uma mulata até relativamente clarinha.
    Lá pelas Américas têm a mania de chamar negros aos mulatos. Já com o Obama fizeram a mesma coisa, mas ele ao menos era 50% negro. Esta Marielle acho que está bem abaixo dessa fasquia.

    • Pedro says:

      Luís Lavoura, com cinco minutos de pesquisa, evitava essa análise barata de almanaque sobre o que é ser negro. Existem negros mais claros e outros menos claros, seja em África, naturalmente, seja no Brasil, seja noutros países. Mulato é outra coisa.

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