O animal do costume voltou a fazer das suas

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Fotografia: Baz Ratner@DN

Não me vou pôr aqui com merdas: é muito provável que tenha sido a primeira vez que ouvi falar no rinoceronte-branco-do-norte. Mas é sempre triste saber que mais uma espécie animal se prepara para desaparecer da face da terra (restam duas fêmeas), essencialmente porque o animal do costume achou que exterminar a espécie era uma boa ideia. Chegará o dia, e não estamos muito longe dele, em que pagaremos um preço muito elevado por aquilo que andamos durante séculos a fazer a fauna e à flora deste planeta. Descansa em paz, Sudan.

Comments

  1. Bento Caeiro says:

    Como se costuma dizer “o homem é o lobo do homem” e como tal, os deuses devem estar profundamente arrependidos de terem criado semelhante ser – eu estaria.
    Profundamente egoísta e ignorante do que o rodeia e das consequências das suas acções, é imparável. julga mesmo que, nesta sua demanda contra o ambiente e contra a Mãe-Terra, sairá ganhador – puro engano, porque a natureza é suprema e tratará do assunto à sua maneira, nem que para tal tenha de se auto-destruir.
    Vamos ter o que pedimos e estamos a viver, nomeadamente com o excesso de população e as políticas para o seu incremento; também, das politicas viradas para o consumo pelo consumo, alegadamente, para o nosso bem, quando é apenas e tão só para benefício de uns poucos – veja-se o que se passa com a acumulação da riqueza nas mãos de uns poucos em detrimento de todos os outros.

  2. Não é preciso ir para tão longe. Temos muitos animais da nossa fauna a desaparecer. Animais que ainda há pouco tempo todos nos lembrávamos de ver e de ouvir. Por exemplo, alguém tem visto por aí rolas? (Não as invasoras turcas) Estão a desaparecer e não é só em Portugal. E nem de propósito, ainda ontem se falava na situação “catastrófica” de um estudo apresentado em França.

    https://www.theguardian.com/world/2018/mar/21/catastrophe-as-frances-bird-population-collapses-due-to-pesticides?CMP=share_btn_gp

    Na agricultura usam pesticidas e herbicidas para tudo. Matam-se insetos, matam-se os seus predadores. E depois as aves vão ser envenenadas ou morrem de fome. Há uns anos houve uma infestação de mosquitos no Algarve. Porquê? Porque aves como o papa-moscas e estão a desaparecer. E se o predador desaparece, a presa prolifera. As abelhas também estão a desaparecer…

    E alguém fala disto na comunicação social? Naaa! Quem fala são só uns maluquinhos com teorias da conspiração ou então são só uns “comunistas” que chateiam empresários que querem fazer os seus negócios como os transgénicos ou a “biomassa” que está a dizimar florestas inteiras para fazer “pellets” para as pessoas queimarem em casa! Mas é super sustentável!

    E o que fazem os nossos políticos? Assobiam para o lado e continuam a permitir que se use, por exemplo o glifosato a torto e direito, matando-nos a nós também.

    Mas o sarampo é que é algo verdadeiramete grave! Um dia destes abrem Telejornais a falar de um surto de piolhos e lêndeas. Que se vão mas é foder todos.

  3. O triste é que agora a realeza pacóvia e os “ricos” já não podem ir às estâncias turísticas com espécies em vias de extinção ganhar troféus de rinoceronte-branco-do-norte!

    Os rinoceronte-branco-do-sul que se ponham a pau, que são os próximos alvos a extinguir…

    • ZE LOPES says:

      O pior é que eles não acreditam. Pelo menos enquanto V. Exa. não lhes disser pessoalmente, já que não acreditam em mais ninguém. Os rinocerontes-brancos-do-sul são muito desconfiados.

      Quanto a mim, a única maneira de efetivamente os proteger é V. Exa. arranjar de os trazer para cá. Pode pô-los mesmo lá na marquise. São fáceis de tratar. Alimentam-se de cachorrinhos acabados de parir (há à venda frescos nos mercados ou liofilizados em casas da especialidade) e lavados com OMO ficam que é uma beleza!

  4. Prioridades… preferimos gastar dinheiro a salvar bancos, a construir casas em excesso, e ser austeros no resto.

    • Fernando Antunes says:

      Toda a fauna e flora que não é susceptível de exploração (de criar lucro) tenderá a desaparecer.

      Mesmo os animais selvagens, que apelidamos de selvagens porque não podemos usar para alimentação ou carga, são ainda assim comercializados em jardins zoológicos e circos, vivendo em encarceração perpétua por um crime prévio que não cometeram: a destruição dos seus habitats naturais.

      Olhando para os desastres ambientais que acontecem à nossa volta, a prioridade do Homem não parece ser a sua própria sobrevivência como espécie — e, por isso, não percebo até que ponto nos podemos considerar mais racionais do que as outras espécies.

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