A eutanásia é uma escolha individual

folha

[Helena Ferro de Gouveia]

A eutanásia não é um programa de eugenia social, não é a eliminação dos mais velhos, dos mais fracos, dos deficientes. A eutanásia é uma escolha individual, não da família ou dos médicos, é o direito a uma morte sem sofrimento.
Chama-se compaixão e está acima de todas as ideologias ou crenças religiosas.

A dignidade da pessoa humana passa por respeitar o sofrimento do Outro e por aceitar que este lhe queira por um ponto final, se não o consegue fazer sozinho pela sua condição clínica, que um acto de piedade ( não um acto médico ) não seja criminalizado. Pela vida sempre, pelo sofrimento que nenhum cuidado paliativo atenua nunca.
O meu pai morreu numa cama de hospital e nem a morfina nos dias finais lhe aliviava a dor. Nenhum ser humano merece morrer assim, sem paz.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    A autora deste post é, se bem o creio, católica.
    A Igreja Católica mobilizou-se fortemente contra a eutanásia, de uma forma que não era vista desde a sua mobilização contra o aborto.

  2. Antonio Rodrigues says:

    Católica ou não católica esta senhora tem carradas de razão. Eu quero ter direito a escolher o meu fim se a isso tiver que ter motivos. É claro que quem é estúpido não entende isto.. Nesta farsa eleiçoeira venceu a estupidez. Era de esperar!!

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      “Eu quero ter direito a escolher o meu fim se a isso tiver que ter motivos”. Esta é a maior falácia, repetida “ad nauseam” durtante a campanha. Acontece que esse seu “direito” nunca esteve em causa, nem estava em votação. O que estava em votação era a imposição a terceiros da obrigação de satisfazer esse seu pretenso “direito”.

      Quem quiser matar-se, pode fazê-lo. Sempre pôde. O que ninguém tem é o direito de impôr a terceiros que o façam por ele, nem a sociedade tem qualquer obrigação de satisfazer essa vontade. Isso é uma construção artificial e falaciosa. A eutanásia não é “suicídio” – é “homicídio a pedido”.

      Quanto à situação descrita na publicação inicial, voi coibir-me de a comentar, por respeito para com a dor da autora. Só lhe direi, parafraseando um famoso (e já falecido) político: “Olhe que não, olhe que não”.

      • Fernando Lacerda says:

        Imposição a terceiros? Quer explicar como?

      • Luís Lavoura says:

        Não havia qualquer imposição a terceiros.
        O doente pedia ao seu médico para o eutanasiar. O médico era obrigado a registar o pedido e a dar-lhe andamento, mas não a praticar o ato. Qualquer médico seria livre de recusar (por objeção de consciência) efetuar a eutanásia.

        Quem quiser matar-se, pode fazê-lo. Sempre pôde.

        Há muitas pessoas que, devido às suas limitações físicas, não se conseguem matar. Lembre o exemplo de Ramón Sanpedro, paraplégico, queria matar-se e não conseguia. Igualmente para um doente numa cama de hospital, como é que pode matar-se? Não pode.

        • Fernando Manuel Rodrigues says:

          “Há muitas pessoas que, devido às suas limitações físicas, não se conseguem matar”…

          Não, não há. São até muito poucos os casos em que não é possível ao paciente matar-se. E os que chegam a esse ponto puderam ter, na maior parte dos casos, consciência antes do que lhes iria acontecer.

          Vamos lá deixar-nos de falácias.

          • Luís Lavoura says:

            Uma falácia é um raciocínio errado. Eu não fiz raciocínio nenhum, muito menos errado. Apenas disse um facto (que o Fernando não negou), que há pessoas com limitações físicas que as impedem de se matar. Pessoas que ficaram paraplégicas como Ramón Sanpedro. Pessoas acamadas num hospital ou em casa, sem acesso a venenos ou revólveres. Essas pessoas, que agora (mas talvez não há algumas semanas ou meses, quando eventualmente teriam consciência, dúbia e condicional e difusa, de que talvez pudessem chegar a este estado) gostariam de se matar, não podem porque não têm acesso a a meios para isso.


        • correcção: Ramon era TETRAplegico


      • Admitindo que uma pessoa em sofrimento terminal conseguisse suicidar-se, qual seria a situação mais digna ? Envenenar-se, enforcar-se, afogar-se, dar um tiro na cabeça, etc……………..ou recorrer a um medico, adormecer em paz e partir dormindo, sem aflições, sem medos, sem terror ( ja basta o da doença ) ??????

      • Paulo Marques says:

        Eu ainda estou à espera dos médicos obrigados a fazer aborto e das pessoas obrigadas a casar com cães.

  3. Bento Caeiro says:

    AS BOAS INTENÇÕES QUE FAZEM ENCHER O INFERNO

    “A eutanásia não é um programa de eugenia social, não é a eliminação dos mais velhos, dos mais fracos, dos deficientes. A eutanásia é uma escolha individual, não da família ou dos médicos, é o direito a uma morte sem sofrimento.
    Chama-se compaixão e está acima de todas as ideologias ou crenças religiosas.”

    Pois, e no mar só há peixe e todas as aves voam! – que, como sabemos, não é verdade.

    O que se queria que dissessem aqueles que defendem a legalização da eutanásia? Precisamente, isto, como é óbvio. Contudo, tal como se diz que “o óptimo é inimigo do bom” também “o óbvio é inimigo da realidade”; e, essa, como é do conhecimento geral, mostra-nos situações que pensaríamos irreais.
    Pois, não começando por ser um programa de eugenia social é precisamente para aí que o mesmo corre riscos de resvalar – partindo do pressuposto que não existe já, nas suas intenções, essa predisposição?
    Aliás, é por estes motivos que eu e muita gente como eu se opôs à sua aprovação: sabemos o que as pessoas são capazes de fazer e até onde estão dispostas a ir, para conseguirem o que pretendem – por ambição, egoísmo, desprezo – e já está a acontecer com a sociedade em relação ao idoso – abandonos em hospitais e asilos sem quaisquer condições, fins antecipados por descuido e maus tratos – e do que algumas pessoas têm feito e serão capazes de fazer para se apropriarem antecipadamente dos bens dos seus familiares. Sobre aqueles, que mesmo não querendo – por desprotegidos – seriam para aí empurrados?
    Muitos, sobre isto, dizem: “e os procedimentos de aprovação, a supervisão, os controlos, a fiscalização, previstos para o processo?”. Pois é, boas intenções!
    Sabemos, todos – quero crer -, qual a resposta a tais questões: havendo disposição e meios, tudo isto é passível de ser ultrapassado. Ou será que não olhamos com olhos de ver o que por aí se passa? Mormente em agressões e mortes por motivos de herança. Por mais que muitos não queiram ver ou saber, a figura do “abafador” continua por aí e activa. Com esta aprovação seria apenas uma forma de tornar legal o processo.
    Contudo, não se pense, que os que assim pensam não serão solidários com o sofrimento das pessoas – precisamente, por serem pessoas, se até já se pensa em proibir o abate de animais nos canis?
    Terão é de ser encontradas outras formas de resolver o assunto e não abrindo esta Caixa de Pandora que, tendo no fundo a Esperança que fosse assim, como foi enunciado no artigo, apenas libertasse todos os males que lá estão contidos e que a referida Esperança – como sempre e por natureza -, mais do que uma benesse, não passe de um castigo.

    • César Sousa says:

      Sr. Bento Caeiro.
      O nome “Niels Hoegel ” ,célebre enfermeiro alemão que “apagou” 84 doentes diz -lhe alguma coisa ?

  4. Rui Naldinho. says:

    Gostei do seu texto, abordando uma experiência pessoal.
    Pessoalmente e como frequentador deste blog, nunca tomei posição pessoal sobre a Eutanásia, como ato clínico, se assim quiserem chamar, por achar que o assunto é do foro pessoal de cada um de nós, ou até familiar, se for caso disso, e que cada caso é um caso. No fundo, de cada uma das pessoas que sofre situações insustentáveis de enfermidade extrema.
    Agora, tomo posição contra aqueles que se arrogam no direito de quererem mandar nos meus destinos, nos meus direitos cívicos e intelectuais, sem que isso implique a perda de direitos e liberdade dos outros, como era este o caso, com as teorias conspirativas do costume, desde analogias ao Holocausto, ou à mudança de sentido de voto nas urnas, (“adoro ouvir os mortos vivos a falar”), e outras idiotices dignas de registo.
    A despenalização da Eutanásia, não obrigava ninguém a fazê-la, como era mais do que óbvio. Mesmo declarada a vontade do próprio, era sempre reversível, desde que ele assim o entendesse de véspera.
    Tal como a despenalização do aborto, nunca obrigou ninguém a fazê-lo, este caso seria ainda mais escrutinado.
    O contrário, sim. É obrigar todos os outros a aceitar como certa as teorias conspirativas, algumas delas patéticas, que durante seis meses se foram proclamando sobre a morte medicamente assistida, como se os profissionais de saúde fossem uma espécie de carniceiros, estilo Josef Mengele, ou coisa do género.
    É óbvio que os ricos terão sempre, como já aconteceu no passado, por exemplo no aborto, algum/a médico/a conhecido/a, disposto/a a tratar-lhes da morte, em clínicas adequadas ao seu perfil , ou mesmo em casa, certificando que o óbito ocorreu de morte natural.
    Os outros que se lixem, porque até para morrer com dignidade é necessário ter “pastel”.

    • Bento Caeiro says:

      Ah como as ideologias totalitárias e exclusivistas, gostam de gente bem-intencionada, útil às suas causas (certos regimes até arranjam alguns, a quem se chama de idiota útil – como aqueles jogadores americanos em tempos de visita à Coreia do Norte).
      O problema é que, quando gente como esta, se apercebe onde se meteu e quer recuar, já é tarde. Até porque, muitos dos que se pronunciaram a favor da aprovação da eutanásia, já disseram claramente ao que vinham, tal como o que agora diz:

      “É óbvio que os ricos terão sempre, como já aconteceu no passado, por exemplo no aborto, algum/a médico/a conhecido/a, disposto/a a tratar-lhes da morte, em clínicas adequadas ao seu perfil , ou mesmo em casa, certificando que o óbito ocorreu de morte natural.
      Os outros que se lixem, porque até para morrer com dignidade é necessário ter “pastel”.”

      Só com uma ressalva: não serão os ricos, serão mais os familiares dos ricos, de olho nas suas fortunas.

  5. MReis says:

    Uma vida digna, já agora

    É preciso discutir o direito a um fim em condições, que tenha em conta a qualidade de vida, sem cair em simplismos e campanhas imbecis, e não esquecendo que as condições sociais em que se aprovarão um dia estas medidas ditarão se esta decisão será livre

    Provavelmente, matar-me-ei. Ou, pelo menos, não descarto a possibilidade de decidir fazê-lo. Esta é uma decisão individual que não depende da crença dos outros. Ela é formada pela vida de cada um. Nunca tinha pensado muito nisso, até porque a morte era uma noite longínqua, até ter tropeçado em linhas, palavras, dias e sentimentos que me acordaram.

    (…) Apesar dessa convicção pessoal, não deixo de refletir em relação a um mundo e uma sociedade em que se vão inscrevendo supostos direitos individuais enquanto se ignoram direitos coletivos. Numa prática ideológica que consagra a atomização do indivíduo e a sua responsabilização por todas as situações sociais, como se elas não decorressem de uma determinada sociedade. Será despenalizada a morte assistida, mas não são responsabilizados política e socialmente aqueles que destroem o Serviço Nacional de Saúde e antecipam, de facto, a morte de milhões de pessoas por falta de cuidados de saúde. Saúde, educação, habitação, emprego são direitos que deixaram de o ser. São considerados heranças arcaicas de uma sociedade não livre. Livre é o mercado. Liberalizar o mercado de emprego significa despedir livremente. A palavra “liberdade” transformou-se nas regras que garantem o poder dos mais fortes e que liquidam os direitos da maioria da população, que muitas vezes foram falsamente trocados por “direitos” individuais.

    Gente cuja única coerência de vida, no meio da sua corrida para o liberalismo, é o seu anticomunismo resolveu caricaturar a posição do PCP sem a ler. No meu caso, podendo não concordar com as conclusões do documento do PCP sobre a morte assistida, não deixo de refletir sobre muitos dos aspetos que lá constam. E eles não deixam de fazer parte das minhas preocupações. Nomeadamente, a parte do documento do PCP que relembra que “num quadro em que o valor da vida humana surge relativizado com frequência em função de critérios de utilidade social, de interesses económicos, de responsabilidades e encargos familiares ou de gastos públicos, a legalização da provocação da morte antecipada acrescentaria uma nova dimensão de problemas. Desde logo, contribuiria para a consolidação das opções políticas e sociais que conduzem a essa desvalorização da vida humana e introduziria um relevante problema social resultante da pressão do encaminhamento para a morte antecipada de todos aqueles a quem a sociedade recusa a resposta e o apoio na sua situação de especial fragilidade ou necessidade. Além disso, a legalização dessa possibilidade limitaria ainda mais as condições para o Estado promover, no domínio da saúde mental, a luta contra o suicídio”, defende a direção do PCP.

    Conhecendo os cortes abruptos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), a pressão existente para cortar tratamentos, reduzir estadas nos hospitais das pessoas que têm de recorrer a eles, a falta de investimentos em cuidados paliativos, não é impossível prever que este novo direito venha num embrulho venenoso em que o livre-arbítrio de cada um se transforme numa espécie de pressão para acabar com a vida dos mais frágeis e desprotegidos. Tudo isso disfarçado de uma escolha assética em que os números gerais disfarçam mortos concretos. Há uns anos, em pleno período agudo da troika, um ex-ministro da Economia do PS defendeu, numa conferência sobre dotar o SNS de normas empresariais, que os médicos deviam ter o seu salário indexado aos exames médicos que ajudavam a poupar. Um doente aparecia com uma suspeita de doença grave: em vez de prescrever uma TAC, o médico dava-lhe um placebo qualquer e embolsava uma percentagem do exame poupado. Os hospitais públicos com gestão empresarial foram denunciados por não aceitarem doentes pouco viáveis, como crianças com leucemia, para não aumentarem a taxa de ocupação permanente de camas e degradarem as suas estatísticas de sucesso. Como em tudo na vida do capitalismo, não há aqui uma violência subjetiva em que alguém decide matar alguém, mas há um conjunto de decisões economicistas que têm como consequência esperada diminuir determinados custos que vão resultar no aumento objetivo da morte de pessoas, sem que ninguém tenha carregado em nenhum botão.

    Temos uma ideologia que torna as pessoas descartáveis quando adoecem e envelhecem, em que os mecanismos comunitários sociais e de grupo de acompanhar os mais novos e, sobretudo, os mais velhos foram destruídos em prol de uma lógica de asilo, hospício e morte.

    O filósofo coreano Byung-Chul Han publicou em 2010 o seu livro “A Sociedade do Cansaço”, onde defende que na nossa sociedade há uma espécie de liquidação da alteridade. O filósofo associa, então, esse diagnóstico clínico do homem contemporâneo não somente a essa lógica da substituição das diferenças por semelhanças, mas também aos vínculos que esse processo tem com as exigências económicas neoliberais. Trata-se de um corolário lógico da coisificação e da alienação, denunciadas por Karl Marx, em que todas as pessoas passam a ser determinadas pelo critério do consumo. E o homem do séc. xxi torna-se cada vez mais explorador de si mesmo e dos outros homens, atendendo às coordenadas da sociedade do desempenho, que se desenvolve em total oposição aos valores humanistas. As depressões cada vez mais frequentes nos nossos ambientes de trabalho são resultado dessas decisões, dos avanços tecnológicos e das redes sociais que transformaram radicalmente nossas relações afetivas. “Vivemos numa sociedade livre determinada pelo lema ‘yes we can’. Mas esse empoderamento só cria um sentimento de liberdade e converte-se imediatamente em ‘ tu deves’. Acreditamos que somos livres, mas verdadeiramente e de uma forma voluntária estamos a ser explorados até ao colapso”, afirma o filósofo num documentário sobre a sua obra.

    Qualquer alteração que evite a distanásia (o prolongamento da vida a todo o custo sem ter em conta o sofrimento humano) e que abra portas a uma decisão madura e pensada que preserve a qualidade de vida é positiva.

    Mas o que não deixa de impressionar nesta sociedade é que será certamente mais fácil, com os Rui Rios desta vida e quejandos, aprovar uma resolução para uma morte digna que conseguir que este governo e os anteriores se batam por uma vida digna para quem vive em Portugal. Quando lemos as posições da União Europeia para impedirem mais investimentos no SNS, é isso que percebemos. E, sinceramente, não há morte digna para quem não teve direito a uma vida digna.

    Nuno Ramos de Almeida no jornal i


  6. A sociedade portuguesa é de facto deveras curiosa e irónica. Elegeu para o parlamento um partido que basicamente em campanha só defendia o direito dos animais.

    Passou a ser crime público maltratar um animal. E qualquer pessoa que adora o seu animalzinho sempre pode eutanaziá-lo, sem qualquer problema, até é incentivado pelos médicos dos animais que se chamam veterinários.

    Mas esta semana os deputados vetaram no parlamento o direito do ao animal homem poder ser ajudado a morrer.

    Em Portugal o animal homem é um animal, mas um animal com menos direitos que os outros animais. O homem quer ser ajudado a morrer? Nada disso, que aguente, que se foda!

    Só pode haver algo muito tortuoso numa sociedade assim.

    E todos estes deputados que votaram contra, um dia, quando a eutanásia for legal, (como o abordo, o casamento homossexual, o voto da mulher, etc etc) porque a eutanásia um dia será legal em Portugal, deveriam ter vergonha. Tal como deveriam ter vergonha todos aqueles que votaram contra o Sistema Nacional de Saúde.


  7. Gosto muito desse argumento, extremamente cristão e típico do bom pai de família:

    “Coitado(a), está muito mal, acamado(a), com uma doença terminal, mal se pode mexer, mas pode-se sempre suicidar”.

    Isto é mesmo tocante. É do maior altruísmo e generosidade para com os outros que pode haver. Eu estou mesmo sensibilizado por estas pessoas maravilhosas que defendem o sofrimento até ao fim para os outros. Certamente têm o Reino dos Céus à sua espera,

    E por mim está já entregue o Nobel da Paz.


  8. Quando, raramente, passo por um estado de dor, estar uma hora com dor é uma eternidade. Imagine-se o que será estar 24 horas em sofrimento, dias seguidos. E a essa gente que é contra a eutanasia com os mais diversos argumentos eu dou-lhes mais um : Pimenta no cu dos outros, é refresco!

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