Eutanásia: é urgente combater a manipulação emocional dos instintos mais básicos e irracionais do ser humano

Fotografia: Nuno Botelho@Expresso

Um dos argumentos mais falaciosos daqueles que se opõem à legalização/despenalização da Eutanásia, é aquele que reza que a alternativa a “matar os velhinhos” está na expansão da rede de cuidados paliativos. E não é preciso ser-se um grande académico ou um profissional de saúde para perceber que este não é argumento sério.

Por muita importância e valor que possamos atribuir aos cuidados paliativos, e eles têm, na minha opinião, um enorme valor, a verdade é que, quem procura a eutanásia como solução, não quer cuidados paliativos, até porque, muito provavelmente, já fez esse caminho. Quem procura a eutanásia, com todas as salvaguardas que os ultramontanos afirmam não existir, quer, efectivamente, deixar de viver. É uma solução drástica, uma solução que choca e divide, mas não é, de forma alguma, a mesma coisa que procurar terapêuticas que minimizem o sofrimento e contribuam para proporcionar o máximo de qualidade de vida para um doente terminal. É outra coisa diferente. [Read more…]

Subsídio para uma lógica social da Eutanásia

“Os avanços do conhecimento nas ciências naturais, sociais e humanas, não se limitou a dar-nos mais anos de vida. Deu-nos também a capacidade de os usufruir física, emocional e racionalmente. Mas, infelizmente, nem sempre estes anos adicionais de vida são acompanhados da qualidade desejada.
O que acontece quando alguém tem a consciência clara de que a perda de auto-estima, de dignidade e de independência, para além do sofrimento físico e psicológico que o esperam, se irão acentuar nas semanas ou meses de vida de que possa ainda vir a usufruir? Se, para uns, a resposta óbvia são os cuidados paliativos, para outros, o desejo e a possibilidade de pôr fim rapidamente a essa situação, é também muito clara. A Democracia permite formas diferentes de olhar e valorizar a vida.”

29-05-2018 – Debate Parlamentar | Morte medicamente assistida
Alexandre Quintanilha, deputado, Físico e antigo Professor do ICBAS.

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Senhor Professor Alexandre Quintanilha, vou contar-lhe uma história que acabei de inventar.

O Antunes é empregado de mesa num das centenas de restaurantes que abriram recentemente no Porto, financiados com a mão limpa (de luva branca) de fundos de investimento que ninguém conhece, e onde gente fina vai provar iguarias gourmet descongeladas em micro-ondas. Por 50 ou 60 euros saem de lá a arrotar a crisântemos.
Esse Antunes – não o outro – tem um contrato de trabalho com uma empresa de negreiros e ganha 650 euros por mês. Mais gorjeta. Tem 3 filhos, todos em idade escolar. A senhora sua esposa está pelo fundo de desemprego e bebe vinho tinto de pacote.
Certo dia, chegado a casa pelas três da manhã, exausto das doze horas [o patrão só lhe paga oito] que passou a servir alemães, franceses e italianos, o Antunes deu por si deitado na cama, de barriga para o ar, observando cuidadosamente uma grande teia de aranha na parede do quarto, junto ao tecto. Começou, veja lá, a pensar no futuro dos filhos.

Pensou assim:

“Os avanços do conhecimento nas ciências naturais, sociais e humanas, não se limitou a dar-nos mais anos de vida. Deu-nos também a capacidade de os usufruir física, emocional e racionalmente. Mas, infelizmente, nem sempre estes anos adicionais de vida são acompanhados da qualidade desejada. E isto aplica-se, não apenas aos anos adicionais, mas aos outros, aos normais, aos que fazem parte da remuneração base paga em Tempo pelo grande arquitecto disto tudo. Tenho 35 anos, uma licenciatura, e sirvo à mesa. Não sou deputado nem professor universitário. Que qualidade de vida, que futuro, posso oferecer aos meus filhos? Ser criado de turistas estrangeiros? Trabalhar num call center ou numa caixa de supermercado do senhor Azevedo? Fazer inquéritos pelas portas? O que acontece quando alguém tem a consciência clara de que a perda de auto-estima, de dignidade e de independência, para além do sofrimento físico e psicológico que o esperam, se irão acentuar nas semanas, nos meses, ou nos anos de vida de que possa ainda vir a usufruir?”

Em vez de se levantar da cama e produzir uma tragédia, colocando um fim ilusoriamente definitivo à miséria e ao sofrimento que o esperam e que há várias gerações o perseguem – o seu pai foi coveiro e o seu avô paralítico desde os 15 anos, depois de um mergulho mal calculado no rio – o Antunes adormeceu.

Amanhã era outro dia.

A eutanásia é uma escolha individual

folha

[Helena Ferro de Gouveia]

A eutanásia não é um programa de eugenia social, não é a eliminação dos mais velhos, dos mais fracos, dos deficientes. A eutanásia é uma escolha individual, não da família ou dos médicos, é o direito a uma morte sem sofrimento.
Chama-se compaixão e está acima de todas as ideologias ou crenças religiosas.

A dignidade da pessoa humana passa por respeitar o sofrimento do Outro e por aceitar que este lhe queira por um ponto final, se não o consegue fazer sozinho pela sua condição clínica, que um acto de piedade ( não um acto médico ) não seja criminalizado. Pela vida sempre, pelo sofrimento que nenhum cuidado paliativo atenua nunca.
O meu pai morreu numa cama de hospital e nem a morfina nos dias finais lhe aliviava a dor. Nenhum ser humano merece morrer assim, sem paz.

Já alguém deu os parabéns ao Observador, pela grande vitória parlamentar de ontem?

via Uma Página Numa Rede Social

Quando o empenho é notório e dá frutos, o reconhecimento é merecido. O Observador foi uma das plataformas políticas que, a par do CDS e de algumas estruturas paralelas à Igreja Católica, mais se bateu pelo chumbo das quatro propostas que ontem foram rejeitadas pela geringonça alternativa que se formou no Parlamento para o efeito. Está de parabéns!

Boa morte

Ouve-se gente, muita dela imberbe, a falar de cátedra sobre a morte, como se alguma vez tivesse morrido.

Depois admiram-se porque as igrejas estão cada vez mais vazias

A propósito do debate sobre a legalização/despenalização da eutanásia, e correndo o risco de não estar a par de outras imbecilidades proferidas pelas várias figuras públicas que se pronunciaram a propósito do tema, de um e de outro lado da barricada, descobri ontem que o arcebispo de Évora, D. José Alves, comparou a eutanásia ao Holocausto. É lamentável, é patético, chega mesmo a ser insultuoso, mas o fanatismo e a falta de noção do ridículo não escolhem instituições. E a Igreja Católica, apesar do Papa Francisco, é sempre muito forte neste tipo de imbecilidades. Não é preciso desrespeitar a memória das vítimas do Holocausto para fazer política, senhor prelado!

Depois admiram-se que as pessoas se afastam cada vez mais da Igreja.

Eutanásia

Quem sois vós, mangas de alpaca, para decidir sobre assuntos sérios?

A eutanásia e a posição do PCP

Como era de prever, a questão da eutanásia e a posição do PCP sobre o tema – sustentada, goste-se ou não, concorde-se ou não, por textos sobre a matéria que não são de ontem – provocou uma resposta que inibe aqui, imediatamente, qualquer discussão séria. A grosseria campeia – não me refiro à posições discordantes, mas ao modo como muitas delas são expostas – e a alergia à complexidade leva muitos às velhas tretas, entre as quais o argumento, vazio e de uso detestável seja qual for a origem partidária do emissor, de que o partido tal e tal vai votar com a direita – até com o CDS, valham-nos os céus! Como se o fundamento das posições fosse o mesmo, como se isso representasse uma qualquer identificação política, como se não fosse necessário fazer uma análise interna das posições para lhes julgar o valor e o significado. Quem tem pensamento fundamentado sobre o tema acaba por recuar e multiplica-se o argumento da autoridade, entre outras falácias de uso expedito. Só resta o silêncio neste forum e o debate noutros onde o diálogo se faça olhos nos olhos ou em escrita articulada e argumentos procedentes. E com tudo isto, os próprios textos dos projectos-lei em discussão – onde se encontram interpelações importantes e matéria de debate bem interessante – naufragam nesta cacofonia que se produz mais em redor que no centro das questões decisivas. É pena

A eutanásia mata. A estupidez (ainda) não.

Eis a mais recente lapalissada do CDS-PP. Na sua campanha contra o direito individual de cada um decidir sobre a sua vida, o partido de Assunção Cristas saiu-se com esta obra de humor, digna de figurar no Inimigo Público. A eutanásia, dizem os centristas, mata. Thank you, Captain Obvious! É claro que a eutanásia mata. O objectivo é esse, amiguinhos! Sabemos que vocês gostam muito de liberdades individuais, principalmente aquelas que permitem a rebaldaria financeira ou o financiamento de colégios privados elitistas pelo depauperado erário público, e é com estranheza que verifico que optam por essa postura totalitária de negar um direito individual a quem vive em democracia. E são livres de o fazer. Mas um pouco mais de seriedade não vos ficava mal. Para fazer cartazes palermas, já cá temos a JSD.

Pelo direito a decidir morrer

Fotografia via The Local

David Goodall viajou até à Suíça, onde agendou a sua morte medicamente assistida para o dia de ontem. Aos 104 anos, e com a sua saúde a deteriorar-se mais do que o botânico australiano pretendia suportar, David decidiu morrer.

Não o pôde fazer na Austrália, como não o poderia ter feito na maior parte dos países do planeta, porque a liberdade individual é um conceito relativo. Mesmo nas orgulhosas democracias ocidentais, ainda existem aqueles que defendem que o direito a colocar um ponto final na nossa vida, ainda que manifestado por alguém na posse de todas as suas faculdades, lhe está vedado. Como se a vida de cada um fosse propriedade do Estado ou dos defensores do politicamente correcto. [Read more…]

Completamente de acordo com o CDS

Excelentes medidas, aquelas que defende o CDS no que diz respeito aos cuidados paliativos. Mas nenhuma delas invalida a descriminalização da eutanásia.

A eutanásia vista por um adolescente de 15 anos

A eutanásia tem sido ultimamente mote para larga discussão em todo o mundo. Há os que a defendem, há os que a atacam, há enfim uma opinião bastante dividida sobre o assunto.
Por um lado, uma visão religiosa que não aceita que o Homem mate o que Deus criou. Por outro lado, uma visão talvez mais realista, que defende a eutanásia como a única forma de aliviar o sofrimento de muitos doentes já condenados.
A posição das organizações estatais de todo o mundo é clara: a eutanásia é proibida, ou melhor, não é sequer reconhecida. É conhecido o caso das enfermeiras austríacas que foram presas em virtude do seu «crime de compaixão»: ao verem doentes idosos sem salvação, agonizando nas camas do hospital, só à espera da morte lenta, resolveram dar um fim a essa agonia, terminando com a sua vida vegetativa e sem sentido. Viu-se o que lhes aconteceu…
Já passou, inclusivamente, uma série na RTP – a «Clínica da Floresta Negra» – que abordava o problema num dos episódios, mostrando dois idosos desesperados com o facto de os médicos lhes terem salvo a vida. Não passava de uma série, é certo, mas o que lá se passava é mais frequente do que podemos imaginar. O mesmo acontece com os recém-nascidos com deficiências profundas para toda a vida: [Read more…]

A morte assistida e a carta de Lincoln

Marquis_Warren_Samuel Jackson

Laura Santos

Quando não aguentar mais, vão dizer-me que não reflecti o suficiente?

O último filme de Tarantino, Os oito odiados, situado uns anos após a Guerra Civil americana, começa com uma cena em que, numa tempestade de neve assustadora, um caçador de recompensas negro, Major Marquis Warren (Samuel Jackson) [foto], pede “boleia” a uma diligência, de modo a poder levar no tejadilho os cadáveres de três criminosos à cidade de Red Rock. Dentro da diligência está outro conhecido caçador de recompensas, O. B. (James Parks), algemado a uma mulher que vai levar para a forca na mesma cidade
O.B. identifica o Major como sendo aquele negro envolvido na Guerra a quem o próprio Lincoln teria escrito uma carta de amizade. Devido a esta fama, dá-lhe de facto boleia, pergunta-lhe se leva consigo a carta e lê-a em silêncio. [Read more…]

“O carácter sagrado da vida”

“A experiência de vida (…) é que me faz pensar que se tivesse de escolher entre aceitar a eutanásia ou aceitar que lhe manchassem os estofos do carro facilmente se decidiria pela primeira opção.” (in Âncoras e Nefelibatas)

Bilhete do Canadá: Prós e contras

Segunda-feira discutiu-se a Eutanásia.

Qual não foi o espanto, aquém e além mar, do lado Contras estavam as mesmas damas que se bateram contra o Aborto. Usaram a mesma argumentação e o mesmo discurso. Não sei se os cabelos são pintados. Só sei que são loiras.

A Direita não aprende nada. E depois, queixa-se. Haja pachorra, Fátinha, haja pachorra.

Liberdade para decidir

O direito à vida é inviolável, mas não uma obrigação ou fatalidade e muito menos provação ou vontade divina. Viver ou decidir morrer faz parte da liberdade individual, devendo ser respeitada a vontade de qualquer pessoa que solicite uma morte medicamente assistida, desde que na posse das suas faculdades. Vou mais longe, nem deveria ser um caso aplicável apenas a doentes terminais, mas a todos os que incapazes de se suicidarem o solicitassem. Dito isto, admito que os médicos possam ser objectores de consciência e que o acto médico deve ser cobrado ao requerente e não pago por todos os cidadãos. Ao que parece várias figuras publicas pretendem introduzir a discussão da eutanásia na sociedade portuguesa. Seja por via do referendo ou aprovação parlamentar, estarei a favor.

A pausa no meio da tristeza

Laura Ferreira dos Santos

“Já praticou a eutanásia? Já matou pessoas?”. Foi assim, sem mais, que a jornalista inglesa interrogou um médico belga que há pouco perdera a mãe de 82 anos através de um processo de eutanásia. A mãe já observara a evolução do Alzheimer em familiares próximos e não queria acabar do mesmo modo. Por isso, informou o filho médico e as filhas de que pretendia antecipar a sua morte, enquanto ainda lhe era reconhecida capacidade intelectual suficiente para o fazer.
Esta pergunta e esta pequena história está contida num programa que a Radio 4 da BBC emitiu em 9 de Janeiro deste ano sobre a eutanásia na Bélgica, em que se focava sobretudo a questão da possibilidade de estender essa realidade aos menores terminais em grande sofrimento físico que mostrassem discernimento suficiente para a entender e acabassem por dar indicações indesmentíveis de que era isso que pretendiam. [Read more…]

A Bélgica aprova a eutanásia para menores

Laura Santos

Regra geral, os menores com doenças graves adquirem uma maturidade elevada.

1. Ao contrário da lei holandesa sobre a “terminação da vida a pedido”, que prevê a possibilidade dessa prática a partir dos 12 anos, a lei belga (2002) exclui os menores não emancipados. Mas assim como os holandeses não sabem como lidar com os menores abaixo de 12 anos, também os belgas se interrogaram sobre o que fazer com os menores.
Finalmente, o senador do partido socialista Ph. Mahoux, antigo médico – co-autor da lei de 2002 -, tomou a iniciativa de, com outros, elaborar um projecto de lei que visa estender aos menores a lei existente, com as adaptações necessárias. Depois de muitos debates, a proposta foi aprovada no dia 13 de Fevereiro.
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Olha a vida, ó freguesa! Tão baratinha!

Os alegados socialistas, os putativos sociais-democratas e os democratas-que-se-dizem-cristãos, esses parasitas da Democracia, andam, há mais de trinta anos, a cevarem-se uns aos outros à custa dos nossos melhores pedaços. Como é natural, e para confirmar o adágio, estão, agora, a roer-nos os ossos.

Depois de terem, portanto, desperdiçado todos os recursos que lhes pusemos nas mãos sapudas, dizem-nos, com o descaramento dos criminosos sem consciência, que é preciso fazer cortes, que o Estado tal como o conhecemos já não faz sentido, entre outras agressões. Tem sido assim na Educação e é assim na Saúde.

O parecer pedido pelo Ministério da Saúde ao Conselho Nacional da Ética para as Ciências da Vida (CNECV) para se descobrir maneiras de se poupar nos tratamentos do cancro é, só por existir, meio caminho andado para a obscenidade. As declarações do presidente do dito Conselho são tão pornográficas que não deviam passar na televisão sem bolinha vermelha no canto:

 “Vivemos numa sociedade em que, independentemente das restrições orçamentais, não é possível em termos de cuidados de saúde todos terem acesso a tudo. Será que mais dois meses de vida, independentemente dessa qualidade de vida, justifica uma terapêutica de 50 mil, 100 mil ou 200 mil euros? Tudo isso tem de ser muito transparente e muito claro, envolvendo todos os interessados”

Vivemos, portanto, numa sociedade tão atrasada que “não é possível em termos de cuidados de saúde todos terem acesso a tudo”? Se não podem ser todos, como escolher os que terão direito a tudo? Se não é legítimo gastar 50 mil euros para se ter mais dois meses de vida, quer isto dizer que dois meses de vida valem menos que 50 mil euros? Para quando a publicação das tabelas com o preço da vida? E quem não puder comprar mais vida? Quanto faltará para que o ministério dito da Saúde peça ao Conselho-Nacional-alegadamente-da-Ética-para-as-Ciências-parece-que-da-Vida um parecer sobre a possibilidade de legalizar o infanticídio das crianças que revelem tendência para adoecer? Isso é que era poupar!

O presidente do CNEVC chama-se Miguel Oliveira da Silva e diz-se que é médico.

Armado em Filho-da-Puta

Este governo está armado em filho-da-puta, só pode.
Não se admirem, pois, quando começarem a aparecer cadáveres na berma da estrada, abandonados. Ou são doentes tombados por um governo masoquista ou são políticos a quem terá sido feita alguma justiça. Neste último caso, aplaudirei de pé. E eu até sou mui católico.

Ética cristã-liberal

Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida clarifica posição sobre a eutanásia: são contra quando é a pedido do doente, mas são a favor quando é a pedido da troika.

Roubado no Facebook ao Luís Branco

Outras opiniões de Manuela Ferreira Leite sobre a saúde dos portugueses


«É deplorável que se consinta que indivíduos que sofrem de moléstias incuráveis continuem a contaminar as pessoas sadias. Isso corresponde a um sentimento de humanidade do qual decorre o seguinte – para não fazer mal a um arruinam-se centenas.»

«Tornar impossível que indivíduos doentes procriem outros mais doentes é uma exigência que deve ser posta em prática de uma maneira metódica, pois se trata da mais humana das medidas.»

«Deve-se proceder, sem compaixões, no sentido do isolamento dos doentes incuráveis».

«Quem sabe exatamente se está doente ou não? Não se verificam inúmeros casos em que uma pessoa aparentemente curada, recai e causa desgraças horríveis, na perfeita ignorância da realidade?»

«Tudo o que se fez foi, ao mesmo tempo, insuficiente e irrisório. A corrupção do povo não foi evitada.»

«O papel do mais forte é dominar. Não se deve misturar com o mais fraco, sacrificando assim a grandeza própria.»

« Educando o indivíduo, o Estado deve ensinar que não é uma vergonha, mas uma lamentável infelicidade, ser fraco ou doente, mas é um crime e também uma vergonha.»

Estas e outras opiniões de Manuela Ferreira Leite na sua última obra

Pub. e Convite:

A Juventude Popular da Maia realizará, no próximo dia 25 de Março, um debate relacionado com o tema da Eutanásia – Morte Medicamente Assistida. O painel contará com personalidades do mundo político, médico-científico e religioso. Certos de que será um tema de elevado
interesse geral, contamos com todos às 21h no Fórum da Maia.


Moderador: Fernando Moreira de Sá, profissional de Ciências da Comunicação
Orador: Dr. Rui Nunes, Presidente da Associação Portuguesa de Bioética
Orador: Pe. Jorge Teixeira da Cunha, Professor da Universidade Católica
Orador: Dr. João Moreira Pinto, Secretário Geral do CDS/PP Porto
Orador: Drª Laura Ferreira dos Santos, autora do livro “Ajudas-me a morrer? – a morte assistida na cultura ocidental do século XXI”

Localização (Google Maps): http://tinyurl.com/yfv3gjm

Nem de propósito, no Sábado, numa organização do Cineclube da Maia: o filme Mar Adentro:

Hora de início:
Sábado, 27 de Março de 2010 às 21:30
Fim:
Domingo, 28 de Março de 2010 às 0:30
Local:
Cinema Venepor
Rua:
Rua Simão Bolivar
Cidade/Localidade:
Maia, Portugal

Eutanásia – Morte Medicamente Assistida

Sob a moderação do Fernando Moreira de Sá, meu companheiro do  ‘Aventar’, a Juventude Popular da Maia realizará, no próximo dia 25, no Fórum local, um debate subordinado ao tema ‘Eutanásia – Morte Medicamente Assistida’. Contará com a participação de personalidades do mundo médico, científico e religioso, com destaque para o Dr. Rui Nunes, presidente da Associação Portuguesa de Bioética (APB), o Padre Jorge Teixeira da Cunha da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e Dr.ª Laura Ferreira Santos, autora do livro ‘Ajudas-me a Morrer?’.

Do ponto de vista pessoal, interesso-me, há muito, por este tema e lamento não poder estar presente. Todavia, aproveito para expressar aqui alguns pensamentos, na sequência do que, de resto, já fiz no ‘Aventar’, em Maio de 2009; então, a propósito do projecto de lei do ‘testamento vital’ que o PS apresentou na AR, pela mão da Dr.ª Maria de Belém, na qualidade de presidente da comissão parlamentar da Saúde. O mesmo projecto de lei não foi, entretanto, submetido a votação na especialidade, por motivos meramente políticos. Ao que sei, para evitar conflitos institucionais com o Presidente da República, Prof. Cavaco Silva.

Com a perda maioria absoluta, e apesar da promessa de retomar idêntica iniciativa na legislatura actual, o respectivo processo – penso – está pelo menos suspenso.

Os entusiastas da acção legislativa em causa eram justamente o Dr. Rui Nunes (APB) e a Dr.ª Maria de Belém, afirmando a deputada que “o projecto tem a ver com a autodeterminação, não tem nada a ver com eutanásia” (sic). Por outro lado, a APB expressava que, mediante consentimento informado, os doentes poderiam deixar instruções sobre o tratamento que querem ou não receber. Bastava que o formalizassem perante um notário ou junto de um centro de saúde, na presença de duas testemunhas.

Sempre entendi que era uma tentativa enviesada de legislar sobre a prática da Eutanásia – creio que era esta também a opinião do médico, Dr. João Macedo, do BE. [Read more…]

Eutanásia:

No próximo dia 25 de Março a JP-Maia realiza um debate sobre a problemática da Eutanásia/Morte Medicamente Assistida. Fizeram o favor de me convidar para moderador. Ora, para começar a retribuir o amável convite, lanço já a discussão entre os nossos aventadoras(es) e leitores(as) e deixo as informações essenciais para prepararem a vossa agenda pois estão todos convidados:

A Juventude Popular da Maia realizará, no próximo dia 25 de Março, pelas 21h, um debate relacionado com o tema da Eutanásia – Morte Medicamente Assistida. O painel contará com personalidades do mundo político, médico-científico e religioso. Certos de que será um tema de elevado interesse geral, contamos com todos às 21h no Fórum da Maia.

Moderador: Fernando Moreira de Sá, profissional de Ciências da Comunicação
Orador: Dr. Rui Nunes, Presidente da Associação Portuguesa de Bioética
Orador: Pe. Jorge Teixeira da Cunha, Professor da Universidade Católica
Orador: Dr. João Moreira Pinto, Secretário Geral do CDS/PP Porto
Orador: Drª Laura Ferreira dos Santos, autora do livro “Ajudas-me a morrer? – a morte assistida na cultura ocidental do século XXI”

Localização (Google Maps): http://bit.ly/aAZRwM

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O elogio de José Sócrates

José Sócrates tem uma visão modernizadora para o país. A sua aposta nas energias renováveis e na sociedade da informação, via choque tecnológico, demonstram à evidência que o rumo escolhido pelo primeiro-ministro é o de alguém com uma ideia clara do que quer para o país que ama.
Com as energias renováveis, ficaremos menos dependentes das energias fósseis e de um futuro assustador para a Humanidade.
Com portugueses escolarizados do ponto de vista informático, temos as ferramentas indispensáveis para uma sociedade mais capaz e mais apta a enfrentar os desafios de um mundo em constante mutação.
E depois há as questões ditas fracturantes, que me fazem aplaudir José Sócrates pela coragem das medidas tomadas. A questão do divórcio veio corrigir uma flagrante injustiça que se verificava há muitos anos e que, como sempre, só prejudicava a parte mais fraca.
O aborto até às 10 semanas acabou com uma das situações mais vergonhosas do Portugal democrático – mesmo sendo contra o «aborto fútil» das classes média-alta e alta, entendo que nenhuma mulher pode ser criminalizada por exercer um direito.
E depois há o casamento «gay». Duas pessoas do mesmo sexo têm todo o direito de se amarem e de constituirem família. Com papel passado e com todos os direitos dos casais ditos normais. Normais por quê?
Numa sociedade mais aberta ao futuro e menos espartilhada pelos medos, complexos e preconceitos que nos foram inculcados pela Igreja Católica, estou em crer que o primeiro-ministro daria o passo seguinte: possibilidade da adopção de crianças por parte dos casais «gay», legalização da eutanásia, legalização das drogas leves, rescisão unilateral da Concordata com a Igreja Católica.
Aí sim, Portugal estaria ao nível dos países mais avançados do mundo e José Sócrates poderia finalmente dizer que os portugueses conseguiam acompanhar o seu ritmo progressista. [Read more…]

Testamento vital

Aqui está um importante instrumento político com larga influência em várias facetas da vida dos cidadãos e do próprio Estado.

 

É hoje pacífico que as modernas tecnologias hospitalares permitem manter a vida muito para além do razoável, nos casos em que a esperança na qualidade de vida se perdeu.

 

"Prolongar a morte" mantendo artificialmente a vida é, até sob o ponto de vista económico, insustentável.

 

Abrir o caminho a que cada doente, na plena posse das suas faculdades mentais possa, juntamente com a sua família e com o seu médico, definir até que ponto aceita as acções médicas para o manter vivo.

 

Nos últimos cinco anos acompanhei a doença de um grande amigo que morreu em sofrimento, rodeado por toda a cafernália de equipamentos que o mantinham artificialmente vivo, nos últimos meses. Conhecia-o o suficiente para saber que não seria essa a sua opção, principalmente pelo sofrimento que originou na família. Quando morreu foi como uma libertação.

 

Virão as vozes de sempre "próvida", confundir tudo com os costumeiros argumendos, que se "faça a vontade do Senhor" como se falassem todos os dias ao jantar com Deus. Baralhando com os papões de sempre, e aqui virão com a eutanásia, fazendo crer que uma e outra coisa são o mesmo. Não são, embora eu esteja de acordo com ambas, mas não são a mesma coisa.

 

A eutanásia é proceder activamente para que a morte chegue em determinadas condições.O Testamento vital, é um documento onde a pessoa regista que não quer que determinados procedimentos lhe sejam ministrados, numa determinada situação.

 

Vale a pena estar atento e lutar a favor deste direito!