Um novo recurso para a Educação

Aquilo que se considera novo é, muitas vezes, antigo. As calças à boca de sino reaparecem espantosamente novas e os discos de vinil são, desde há uns anos, uma descoberta surpreendente. Em Educação, passa-se algo semelhante, com ideias velhas anunciadas como invenções recentes, havendo, até, quem pense que o século XXI, que atingiu a maioridade legal este ano, é já gente crescida.

É por saber isso que acredito que um certo recurso educativo será reciclado dentro de alguns anos e anunciado ao mundo como um mar nunca dantes navegado.

As possibilidades constantes desse recurso são enormes, apesar de, presentemente, estar a ser desvalorizado, face à inundação digital e à propagação de métodos tão recentes que já estariam contemplados na Ratio Studiorum.

Este recurso possui, antes de mais, uma memória extensíssima, capaz de responder a vários pedidos de consulta. Não terá a capacidade do Google, mas, graças a um software único, utiliza critérios de pesquisa pessoais e personalizados, chegando ao ponto de criar relações entre páginas de internet, filmes antigos e enciclopédias aparentemente obsoletas.

Sendo um recurso eminentemente audiovisual, vai além do Youtube, porque consegue adaptar o discurso, o tom e até o volume ao ouvinte/espectador, criando interacções constantes, suscitando, consequentemente, empatia, simpatia ou antipatia e recriando, deste modo, uma relação aparentemente humana com os utentes.

Possuidor de inteligência natural, é capaz de, à semelhança dos supercomputadores, aprender com os erros, sendo, ainda, dotado de mecanismos de reconhecimento de linguagens e de leitura facial. Tal como os pais sabem traduzir o incompreensível linguajar dos filhos, este extraordinário recurso é capaz de penetrar no mundo quase inacessível do jargão infantil e adolescente, conseguindo levar os alunos a evoluir, proporcionando uma constante actualização vocabular e lexical.

O carácter humanóide desta maravilha da técnica, através da interactividade que o caracteriza, consegue fazer com que os alunos reajam, motivando-os ou, imagine-se, contrariando-os, duas faces fundamentais da moeda da formação.

Os estudos actuais e a febre das estatísticas têm levado a que este recurso esteja a ser negligenciado ou desvalorizado, tendo nascido como que uma seita que considera que deveria ser arredado do centro da Educação, como se se tratasse de uma actividade com centro fixo.

Alguns jovens apressados, por ser um recurso talvez tão antigo como a humanidade, consideram que está ultrapassado, desconhecendo ou aparentando desconhecer toda a capacidade de adaptação que é a sua principal virtude, porque ser antigo não é o mesmo que ser antiquado, sendo que, de qualquer modo, é importante que os jovens também lidem com o antigo e com o antiquado. Durante milhares de anos, aliás, este recurso foi utilizado na Educação com resultados crescentemente positivos, sendo visto, hoje, como algo estranhamente descartável.

Não defendo que a sua importância retire valor a todas as maravilhosas ferramentas que têm aparecido e a outras que aparecerão, exactamente porque o recurso a que me refiro consegue melhorar todos os outros, devido à sua versatilidade. Em Educação, de resto, o importante é acrescentar, mas, mesmo que falte a luz e um computador se desligue ou mesmo que o telemóvel fique sem bateria, um professor continuará apto a transformar mundos. Sim, o professor.

Comments

  1. Manuel Pereira says:

    Verdadeiro, autêntico, maravilhoso! Que mais poderia dizer?

  2. João barroca says:

    Excelente, como sempre.
    O meu problema é o ecrã táctil que já não reage como antigamente…


  3. Muito bom

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