Sem saber ler nem escrever

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Trumpalhada, poupem-me de merdas: um presidente não tem que ter 10 mestrados e 4 doutoramentos. Mas ler e escrever são requisitos mínimos. Até para um nacionalista (principalmente para um nacionalista?), a quem o novo politicamente correcto me obriga a chamar conservador. Como o gajo da Arábia Saudita, que manda fatiar jornalistas, mais o Orbán e o Bolsonaro. São todos conservadores e até bastante liberais. Já agora, que raio de nacionalistas são estes, que não respeitam o valor da língua materna? Que falam de tradições e raízes, mas não se dão ao trabalho de escrever correctamente?

Não é a primeira vez que Trump a anuncia, ainda que desta vez seja a sua ausência a estar em destaque. A smocking gun, que em Agosto Trump afirmava ter, está de regresso ao grande palco da política internacional. Entre a sociedade norte-americana, o medo de proliferação já leva a que muitos exijam o recolher obrigatório. Para proteger as suas filhas dos mexicanos. E da caravana. E dos covfefes que andam por aí, dissimulados, todos armados com as suas smocking guns.

Por falar em smocking guns, é notório que Trump não está nada preocupado com a investigação à “alegada” conspiração russa. Apesar de sabermos hoje que a reunião aconteceu, que a pirataria teve impacto directo no resultado, que Trump tem feito de tudo para travar a investigação, que despediu Jeff Sessions por não parar a investigação, que nomeou um crítico da investigação para seu sucessor, apesar da ausência de competência para o cargo e do facto de Mathew Whitaker ser um vigarista, que defende uma “visão mais bíblica” para a justiça norte-americana e o afastamento de juizes que não sejam cristãos.

Não está preocupado, mas foge dela como o diabo foge da cruz. “There was no collusion“, estrebucha ele, à medida que o cerco se aperta. E depois é vê-lo em Helsínquia, a ridicularizar a investigação dos serviços secretos norte-americanos, perante o olhar ternurento de Putin, humilhando-se a si e ao seu país, como de resto tem feito com o caso Khashoggi. E lá se vai safando, sem saber ler nem escrever.

Comments


  1. seguem apenas as tendências do tempo. Afinal, se nem a boyzada faz cursos superiores em condições, basta ouvir iluminados nas universidades de Verão… até no tempo da ditadura era um professor Catedrático de Coimbra que em defendeu tese de doutoramento e chegou a catedrático, ver aqui http://domedioorienteeafins.blogspot.com/2014/08/o-doutor-salazar.html, portanto até temos exemplos históricos…

    • ZE LOPES says:

      Bem, tripeiro, há um facto de que poucos têm conhecimento: Salazar era um homem com muita sorte! Tendo livrado à tropa por causa de um joelho de água, ganhou imenso dinheiro nas apostas por ter acertado no vencedor da guerra de 14-18. Com esse dinheiro comprou um lote inteiro de caixas da farinha Amparo onde lhe saiu uma tese de doutoramento (nessa altura as caixas não davam apenas cartas de condução). Foi assim que começou a subir na vida.


      • diga-me qual foi a tese de doutoramento dele, já procurei nada. Tempos eram diferentes, Salazar aproveitou a lei para subir depressa e sem precisar de prestar provas, leia o post do blog, é realista. No fundo era um português padrão, fez pela vidinha, conhecia os portugueses, percebeu que se lhes desse instrução seria despachado rapidamente

        • ZE LOPES says:

          A tese existiu, mas ninguém a viu! Chamava-se “Plano Secreto para Salvar a Minha Querida Nação Com a Qual Casei e Que Nunca Desgracei”. Como era secreto a lentalhada lá da Faculdade de Direito resolveu que não deveria ser divulgada senão 100 anos após a morte de Salazar e, mesmo assim, editada em coreano.

          O que se conhece da tese é pouco, apenas umas citações avulsas. A principal obra citada era o célebre tratado de Maria de Jesus intitulado “Evolução do Preço do Peixe Que Antes de o Ser Já o Era”, baseado nas suas investigações de campo no Mercado da Ribeira e em outras pescas mais domésticas quando, de tempos a tempos, Salazar utilizava a banheira.

          Uma das suas citações mais célebres registada por Américo Tomás na sua obra “Memórias de um Almirante Encalhado na Areia” foi “o carapau está pelas horas da morte, mais me vale entrar na banheira que tal sorte”. O problema, segundo Tomás, é que ela se queixava, como desculpa, do preço de qualquer peixe.

      • Ricardo Almeida says:

        Ah, boa! De essa não fazia ideia! Joelho de água para o Sr. Salazar e os “bone spurs” para o Sr. Trump que habilmente o safaram da guerra do Vietname.
        É deveras curioso ver estes símbolos do nacionalismo, estes heróis da pátria, estes modelos de cidadania a fugirem com o rabo à seringa sempre que a dita pátria precisa deles. Hipocrisia é a religião dos falhados de direita. A guerra e o serviço militar são muito bonitos mas é para despachar os pobres esquerdalhos que estes senhores andam muito ocupados a coxear entre os corredores do poder.
        Mais irónico ainda é saber que Robert Muller, o maior pesadelo do amigo Trump, não só serviu os EUA com distinção nessa mesma guerra (independentemente dos méritos e utilidade da mesma) como até teve que esperar um ano para curar uma lesão num joelho. E assim que os médicos do exército o validaram, entrou logo de imediato na escola de oficiais e pouco depois já se encontrava no meio das selvas vietnamitas a comandar um pelotão, enquanto o outro bronco passava os dias a perder os milhões que o pai lhe “dava” (apenas para não pagar impostos lá está) em negócios da treta e, basicamente, porque é estúpido que nem uma maçaneta.
        Agora falta aqui a Trumpalhada do costume a cuspir “Ah mas o Muller é Republicano!”. Pois é sim senhor, assim como era John McCain. Mas em 2016 passaram a existir republicanos e Republicanos..

  2. Luís Lavoura says:

    João Mendes cada vez mais próximo de Paulo Portas: a importância de escrever bem a língua materna, sem erros de ortografia. A esquerda junta-se à direita.

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