Maria Begonha e a precariedade

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Fotografia via Jornal Económico

O conclave da Juventude Socialista reuniu-se este fim-de-semana para escolher um novo líder. A votos apresentou-se apenas uma militante, algo comum entre as juventudes partidárias do centrão, o que nos diz muito sobre a vitalidade da democracia no seio destas organizações. Inevitavelmente, a polémica Maria Begonha tornou-se na 13ª secretária-geral da JS, algo que à partida lhe garantirá um lugar na Assembleia da República num futuro próximo. Mal posso esperar para ser representado por ela!

Maria Begonha saiu recentemente do anonimato, possivelmente após ser conhecida a sua intenção de se candidatar à liderança da JS, motivo que terá levado a que o seu percurso político e profissional fosse minuciosamente escrutinado pela imprensa. Passados os últimos anos a pente fino, o que se descobriu não foi coisa pouca. Ficamos a saber que Maria Begonha referiu no seu CV um cargo que nunca desempenhou, cargo esse que, mesmo não tendo sido desempenhado, contribuiu para que fosse escolhida para um cargo de assessoria na CM de Lisboa. Um cargo para o qual não tinha experiência, no exercício do qual auferiu um vencimento mensal superior a 6 salários mínimos. Nada mau para quem fez da precariedade uma das bandeiras da sua moção.

Confrontada com esta e outras irregularidades curriculares, Maria Begonha utilizou as redes sociais para emendar a mão. Escreveu, entre outras coisas, que “o meu percurso pessoal e cívico sempre se pautou pelo rigor e pela verdade”, apesar de nem uma palavra ter dedicado ao cargo que nunca desempenhou, e que alegadamente terá sido crucial para cargos que ocupou posteriormente.

Poderia também alongar-me sobre as avenças formalizadas por ajuste directo, ao longo dos quatro últimos anos, através das quais recebeu 140 mil euros da CM de Lisboa e da Junta de Benfica, ambas socialistas. 140 mil euros, a título de curiosidade, é aquilo que um trabalhador que recebe o salário mínimo demorará mais de 16 anos a auferir. Lá está, a precariedade. A precariedade e outras Razões de uma Esquerda um tanto ou quanto à direita. Depois é vê-los, muito surpreendidos e indignados, porque a opinião pública despreza e desanca nas jotas.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Parafraseio a menina:
    “o meu percurso pessoal e cívico sempre se pautou pelo rigor e pela verdade”
    Ninguém se preocupe com a mentira e a trapaça, emende ou não a mão ou o pé.
    Esta é a ética republicana dos xuxas, com o que Alegre enche a boca.
    Fico à espera da próxima “tourada” do Alegre. De certeza que, na sua ética republicana convicta, vai ter algo a dizer… sobre cultura e espectáculo.

    • Elvimonte says:

      “Esta é a ética republicana dos xuxas (…)”, que constituiem a generalidade dos políticos, da esquerda à direita. Atrevo-me até a propor que os políticos passem a ser designados por xuxas e a política por xuxaria. Entendimentos mais estritos são meramente tendenciosos.

      Não esquecendo que, num sistema eleitoral baseado em listas fechadas, “eles elegem-nos e nós votamos neles” (Eça, de memória), não me espanta que esta menina, ou outra qualquer, venha a ser deputada, bastando para isso ser colocada num dos lugares eligíveis de uma qualquer lista.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Concordo com o termo “Xuxa” dedicado a todos os políticos da direita à esquerda.
        Só pretendia corrigir um ponto: Eu, nesta gente, tenho orgulho em dizer que não voto. E vou sempre votar, mas prefiro outra solução que bater em mim mesmo.
        Esta gente é simplesmente mafiosa … e só um voto nulo (o voto branco é perigoso) é capaz de constituir a força que fará limpar a porcaria do parlamento.

  2. j. manuel cordeiro says:

    Maria sem vergonha.

  3. j. manuel cordeiro says:

    Chega a ministra, já se percebeu.


  4. ….como boa xuxialista de pequenina se torce a socratina,

    não tem é mesmo BEGONHA nenhuma !!|!!!

  5. Daniel says:

    Esta Maria sem-Begonha começa bem!..


  6. Ok, entendo que a senhora e a suas atitudes não inspirem grandes simpatias mas era desnecessário ilustrarem o post com uma foto da Mia Khalifa.

  7. José Luís de Matos says:

    Começa bem!!!!! Para não destoar

  8. Mr José Oliveira Oliveira says:

    O carneirismo mais reiterado impera naqueles jovens jotinhas. Um jovem, devia ser uma pessoa ousada, inconformista, curiosa, ansiosa por descobrir, enfim, tudo aquilo que aqueles não são, ou não querem ser ou foram doutrinados para não ser. E são alguns desses que vão liderar o país, como a Vergonha bem exemplifica. Queixas para quê? São artistas portugueses e usam pasta made in Largo do Rato!!!!!

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Sim, é verdade, mas olhe que os do Largo do Caldas, os do São Caetano à Lapa e os outros largos onde habitam outros partidos também produzem umas excelentes pastas que os seus habitantes usam …

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