Um paradoxo

Os motoristas de matérias perigosas estão obrigados por lei a possuir uma carta de qualificação de motorista (CQM), certificado de aptidão para motorista (CAM), certificado de ADR e precisam de fazer diversas formações.

Que se saiba os motoristas das Forças Armadas requisitados pelo Governo não cumprem estes requisitos. Está o Governo a colocar os portugueses em perigo ou são estes requisitos desnecessários?

Comments

  1. estevesayres says:

    Recebi através do SMS este artigo, que me parece de interesse publico, visto que a comunicação social no seu todo, não escreve uma só linha, quando alguém tem a coragem, de chamar à responsabilidade, do que se tem vindo a passar no movimento sindical ao longo dos anos.
    Eu estou á vontade porque estive ligado ao movimento sindical, antes e depois do 25 de Abril de 1974.e sei que isto é verdade..
    O artigo tem como titulo:

    “Os fura greves”

    “Fenómeno recente, com apenas dois anos, são as lutas dos trabalhadores dirigidas e protagonizadas por novas estruturas sindicais, em manifesta ruptura com as centrais sindicais da “concertação social” e da mais miserável pactuação com os interesses do patronato e do estado que o representa.

    Vale a pena uma breve síntese a explicar uma situação relativamente simples de desmontar. Antes da fundação dos sindicatos que actualmente protagonizam e dirigem a greve – SNMMP e Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM)- , a FECTRANS, que está afecta à CGTP, havia conseguido a “magnífica benesse” de um vencimento de 650€ base para os motoristas de matérias perigosas, sendo que o restante, para perfazer os 1.150 a 1.200 euros mensais que actualmente auferem, seria realizado à custa de subsídios e “bónus” diversos.

    Os trabalhadores começaram a aperceber-se de que, o “presente” que a FECTRANS havia cozinhado com a ANTRAM estava envenenado. Isto porque, quando fossem obrigados a estar de baixa por doença ou atingissem a idade da reforma, o valor de referência, para uma e outra situação, seria o do ordenado base, isto é, os 650 euros!!!

    Agora, para além da exigência de um ordenado base maior e progressivo até 2025, exigem melhores condições de segurança, maior respeito pela carga horária a que estão sujeitos, melhor remuneração pelo facto de, além de assegurarem o transporte de matérias perigosas, ter de ser o próprio motorista a proceder à sua descarga.

    Foi a sucessiva traição da FECTRANS que criou as condições para o surgimento de novas e mais combativas estruturas sindicais. E vai ser essa traição que levará os trabalhadores a “extinguirem” a FECTRANS e a central sindical onde se integram – a CGTP – bem como todos os sindicatos que tenham alinhado nesse tipo de praxis contrária à defesa dos interesses de quem trabalha e nada mais tem do que a sua força de trabalho para vender.

    Sufocado e refém de um sindicalismo reformista, amarelo e de traição há muitas décadas, um sindicalismo herdeiro do cancro do corporativismo herdado do regime fascista, o movimento operário e popular começa, ainda que timidamente, a sacudir a canga da manipulação que lhe foi imposta por toda a sorte de oportunistas.

    Desde a luta operária na Auto-Europa contra a imposição de uma carga horária castradora do convívio familiar, da actividade lúdica e da cultura, até ao levantamento dos estivadores em greve pelos seus direitos mais básicos, passando pela luta dos enfermeiros e médicos contra o roubo dos salários e do trabalho e a negação da progressão das carreiras, e dos camionistas de materiais perigosos – a que se juntam agora outros camionistas -, assiste-se a um novo paradigma de sindicalismo, mais consciente do seu papel na luta pela defesa dos interesses dos seus associados, mais robusto e coerente, mais combativo.

    Esta combatividade está a deixar aterrorizados patrões e governos que representam os seus interesses, habituados ao espectáculo que as centrais sindicais traidoras – CGTP e UGT – lhes têm proporcionado até à data, e que consiste em fazer voz grossa para, logo de seguida, terem saídas mansas!

    Centrais que têm aceite e alimentado uma aberração chamada “concertação social”, como se fosse possível concertar ou conciliar interesses tão antagónicos como aqueles que opõem quem é explorado a quem os explora.

    Face ao endurecer da luta e à firmeza com que se batem para levar a central patronal – a ANTRANS– a aceitar e cumprir os termos da negociação que levaram a cabo com os sindicatos rebeldes- o SNMMP e o Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM) – governo e patrões mobilizam a FECTRANS – dirigida pela CGTP social-fascista – para o serviço habitual de divisão e desmobilização dos trabalhadores.

    Num exercício de pura demagogia e abjecta traição, a FECTRANS aparece como estrutura sindical responsável que defende que as negociações entre aquela federação e a estrutura patronal da ANTRAM ainda não estão esgotadas, não se justificando, portanto, a convocação de uma greve.

    Escamoteiam, porém, que há mais de duas décadas que negoceiam com os patrões, sem de que daí tenha resultado qualquer alteração significativa para as condições de exploração, de segurança e dignidade, para os trabalhadores cujos interesses era suposto representarem, antes pelo contrário, só se tem vindo a agravar.

    É pelo facto de constatarem que a FECTRANS já não consegue enganar por mais tempo quem até agora se deixou capturar pelas suas falsas promessas, que assistimos à unidade de todos os sectores da burguesia para tentar desarticular as lutas protagonizadas por este novo modelo sindical. O caso dos motoristas de matérias perigosas e motoristas de outros sectores que à sua luta decidiram juntar-se, é disso um exemplo claríssimo.

    Primeiro foi o governo a arvorar-se em mediador, ao mesmo tempo que vociferava ameaças de recorrer à requisição cívil, anunciando que está a dar formação a motoristas do estado para desempenharem o papel de fura-greves, ao arrepio do que determina a Constituição.

    Acabando, no final desta tarde por, em conferência de imprensa na qual esteve o “núcleo duro” – os trauliteiros do costume – do governo, os ministros Matos Fernandes e Vieira da Silva, anunciar que o conselho de ministros tinha decidido declarar o “estado de emergência energética” preventiva (!!!)– um eufemismo para escamotear que esta medida visa furar a greve dos motoristas -, identificando uma rede de 374 postos de abastecimento que devem estar permanentemente operacionais, 54 para servir veículos prioritários ou equiparados e 320 para assegurar o abastecimento de viaturas do público em geral.

    Hoje mesmo, o homem das selfies, o tal que no ano transacto se andou a pavonear pelo país inteiro a bordo de transportes pesados de longo curso e a afirmar sentir grande compaixão e solidariedade para com os motoristas, a avisar que, mesmo que os objectivos da sua luta fossem justos, os meios utilizados – a greve – teriam o condão de colocar toda a população contra eles.

    E claro, para que a banda ficasse completa e a música não desafinasse, lá estão os bufarinheiros traidores da FECTRANS e os silêncios cúmplices da CGTP e das muletas do PCP, BE e Verdes, a fechar o ciclo e o circo da traição e do ataque soez e fascista à luta dos trabalhadores.

    A greve dos motoristas de matérias perigosas e outros profissionais do sector é justa e deve prosseguir sem desfalecimento, hesitação ou deserção. Todos os trabalhadores estão de olhos postos nesta luta, pois ela tornou-se num farol de esperança que indica o caminho que as lutas devem prosseguir para a esmagadora maioria de quem nada mais tem do que a sua força de trabalho para vender.

    Nunca os campos estiveram tão claros. Ou bem que a luta dos motoristas de matérias perigosas avança, não desmobiliza nem pactua, ou bem que a burguesia consegue desferir um golpe mortal sobre a sua luta, fazendo da sua derrota um exemplo e uma ameaça para a luta operária e popular em geral”!
    Assinado por JL


    • Só uma correcção : Esse SIMM é e sempre foi outro sindicato da treta, do sistema, que durante 20 anos não mexeu uma palha pelos motoristas. Estranhamente, pôs se em bicos de pés ao alinhar na greve do SNMMP mas como se acabou de ver retirou ao terceiro dia. Nem outra coisa era de esperar, pois afinal são uns vendidos que cuidam apenas do seu tachinho. Seria interessante os jornalistas descobrirem quantos sócios têm essa Fectrans., Número irrelevante, pois nenhum motorista está disposto a pagar cotas para estes parasitas

  2. Paulo Marques says:

    Um estado anormal é anormal em vários sentidos. Com isso e com serviços mínimos está tudo bem bem, o problema são as aldrabices laborais e a obrigação do governo em suportá-las graças ao mercado único e tratado orçamental.

  3. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Basicamente, o que o Governo transmitiu com esta actuação é que todas essas obrigações mais não são do que entraves burocráticos ao exercício de uma profissão, já que os militares a exerceram sem nada disso, e com uma “formação” feita em cima do joelho.

    Como acontece com muitas outras obrigações com que sobrecarregam trabalhadores e empresas, alimentando assim uma máquina burocrática que nada produz, e se alimenta vampirescamente dos que produzem.

  4. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    É uma questão de saber ler a lei e não considerá-la como preto ou branco … Augusto Santos Silva dixit.
    Ou seja, é como dá mais jeito … digo eu que sou leigo nestas coisas da lei… mas que sei do que gasta a “casa”.

  5. José Manuel Oliveira says:

    A única coisa que interessa ao Costinha é favorecer os patrões e esmagar os trabalhadores, como tem feito noutros casos. A lei que se lixe. Para boicotar uma greve serve tudo, muito bem apoiado e propagandeado pelos media subservientes ao poder instituído que exacerbam o circo montado pelo governo. E a Constituição depois logo se vê. Há que defender os interesses do país (leia-se patrões). !!!!!!!!!!!!!

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      É verdade… E para isso contou com o beneplácito do BE e do PCP, bem como com a “prestimosa” colaboração de uma Federação de Sindicatos afecta à CGTP.

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