O sentido de justiça

Há uns dias, em conversa com um amigo alemão já velhote, desde sempre activo na política e na cidadania e membro de uma série de conselhos de direcção de entidades sem fins lucrativos, dizia ele que a justiça na Alemanha se vinha cada vez mais afastando do que era o sentido de justiça do cidadão comum – à custa de questões processuais como a legitimidade do acesso a provas ou as prescrições – e que essa era uma das razões que atirava as pessoas para os braços da extrema-direita (AfD).

Faz-me sentido. Claro que me ocorreu logo Rui Pinto e o modo absurdo como “em Portugal a Justiça preocupou-se com a invasão dos computadores, mas não com a evasão fiscal e com a desonestidade desportiva (o caso e-toupeira só convence ingénuos).” [Read more…]

A Bronx Tale

In such a language as German or Latin the adjective would have one definite ending indicating more or less distinctly gender, number, and case, but all of these are left indefinite in English combinations like a heavy sleeper, the dirty clothes-basket, a public schoolboy, a practical joker, etc.
Otto Jespersen

I think that it is the obligation of the people that have created, and perpetuate and benefit from, a system of oppression to be the ones that dismantle it.
— Joaquin Phoenix

SONNY
You’re worried about Louie Dumps. Nobody cares. Nobody cares!
A Bronx Tale

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Em Janeiro, estive no Bronx, o borough nova-iorquino onde ainda não pusera os pés. Nos últimos anos, não encontrara ainda pretexto para me deslocar ao território dos Yankees — além disso, o Chez Bippy e afins ficam em Queens. Aproveitei uma manhã triste, de chuva, no dia do regresso a Bruxelas, para andar a passear por ruelas e parques, passando à porta da Rafael Hernandez Dual Language Magnet School, descendo a avenida Jerome, subindo a avenida Shakespeare, virando para a rua 167, na direcção da avenida Woodycrest, olhando com um sorriso para os turistas que faziam acrobacias na escadaria do Joker — alguns dos acrobatas retratavam-se (efectivamente, sem cê) e retratavam outros como eles, aperaltados e maquilhados a rigor, enquanto davam pontapés no ar, equilibrando-se com segurança naquele recanto sujo do Bronx profundo. O Five Boro Bike Tour não passa por aqui. A rua 166, mesmo ao lado, também tem uma escadaria, mas ninguém lhe liga. Cá está ela.

Foto: Francisco Miguel Valada (Bronx, NYC, 4 de Janeiro de 2020)

Terminada essa agradável manhã no Bronx, voltei para Manhattan e desenferrujei os dedos no piano do Port Authority Bus Terminal. Chegado a Bruxelas e lida a correspondência do Natal, verifiquei que nada mudara: o Acordo Ortográfico de 1990 continuava a fazer vítimas, na leitura e na escrita, e os responsáveis por esta situação continuavam no faz-de-conta habitual.

E hoje, primeiro dia útil de Fevereiro, mudou alguma coisa? Efectivamente, nada mudou.

No sítio do costume, como é óbvio, está tudo exactamente na mesma.

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Quem nos defende da DECO?


A DECO é uma organização que, supostamente, devia defender os consumidores. Pois bem, agora precisamos de alguém que nos defenda da DECO.
O spam na caixa de correio é constante. Mails e mais mails, sempre com promoções e ofertas.
Muitos incautos vão na onda, aliciados com um pagamento baixo no primeiro ano e com uma oferta de inscrição, que ultimamente tem andado entre o smartphone e o tablet. A oferta chega sempre a casa, o problema é que ao fim de duas ou três semanas já avariou. É assim há anos.
Quando temos problemas com alguma instituição ou empresa, podemos contar com eles. «Consulte os nossos especialistas», dizem. E nós consultamos. E esperamos. Sentados, de preferência. Porque geralmente a resposta nunca chega.
No final, para além de uma revista que faz testes a produtos que não nos interessam, voam todos os meses 15 euros da conta. É a única coisa que, na DECO, nunca falha.
Perante tanta incompetência e inoperância, se calhar vou fazer queixa à DECO. Sentado, claro.