25 depois da morte de Alcindo Monteiro, no país onde o racismo “não existe”

AM

Se fosse vivo, Alcindo Monteiro teria hoje 52 anos. Azar o dele, foi apanhado pelos “festejos” do 10 de Junho de 1995, que, em extrema-direitês, significou passar a noite a espancar negros no Bairro Alto. Alcindo foi um deles, apanhado por uma matilha raivosa de escumalha skinhead, e não resistiu aos ferimentos. Como ele, vários outros negros foram espancados nessa noite. Felizmente, mais nenhum faleceu.

Dizer que Portugal é um país racista é uma falácia. Dizer que não existe racismo em Portugal é desrespeitar a memória de Alcindo Monteiro, e de outros, que, de formas mais ou menos bárbaras, sofrem, ainda hoje, discriminação com base na sua cor de pele. E importa não esquecer que, alguns destes racistas violentos, com longos e assustadores cadastros, transitaram recentemente de organizações neonazis para o partido unipessoal daquele cujo nome não pode ser mencionado.

Sim, o racismo existe e continua a fazer vítimas na sociedade portuguesa. A ameaça é de tal ordem que agora até representação parlamentar tem. E não, não estamos a falar de alegadas ameaças paridas em cabeças alucinadas, ou mal-intencionadas, que se refugiam em comparações absurdas para justificar o injustificável: esta gente é violenta, colecciona armas e mata pessoas. Não têm, em Portugal, qualquer paralelo com a esquerda, por mais extremistas que alguns dos seus sectores possam ser, no campo das ideias económicas ou na forma de organização do Estado que defendem. E esse falsa equivalência, como sempre, apenas beneficia esses gangues de criminosos violentos. E quem dela faz uso sabe-o perfeitamente. 

Comments

  1. Albino Manuel says:

    Mas afinal quem foram eles? Eram vadios conhecidos na terra e de condição social baixa? Eram filhos de famílias respeitáveis? Têm nome? Porquê e para quê este segredo?

    E o tempo que levou. Os próprios estudantes caboverdianos locais dizem que nào foi motivo racial. Então o que foi e quem foi?

    Brancos eram. Vê-se pelos mãos pois os rostos estavam cobertos pelos capuchos da vergonha. Mas nomes, condição social, nada.

    Eram filhos do sr. Dr ou sr. que tal? Afinal quem eram?

    Ainda tentaram dizer que eram ciganos. Mas parece que são velhotes a viverem em condições imundas num ghetto improvisado.

    O que se sabe é que oito amáveis bragantinos mataram à paulada um pobre rapaz que não fez mal a ninguém.

    A culpa é individual e não colectiva. Mas a demora, o silêncio, deixam muito má imagem da cidade de Bragança. É a tal onde mataram um inocente e tentaram abafar o caso. Desta não se livram.

    • Albino manuel says:

      Mas afinal quem foram os oito que mataram o pobre cabo-verdiano, o Giovanni?
      .
      Não há ninguém em Bragança que saiba que A, B, C e companhia foram postos atrás das grades porque existem fortes indícios de que mataram o rapaz? E não têm nome nem família? É assim como no confessionário?

      Não deve ter sido gente de baixa extracção social. Se fossem já se sabia.

      Resta ver se há julgamento e se a conclusão é in dubio pro reo,com todos a saírem limpos como passarinhos.

      • Albino manuel says:

        Já dá para entender. Custa mas chega-se lá: um ex-bombeiro, um ex-militar e um rapaz das corridas.

  2. Henrique Silva says:

    Cuidado com a falácia dos “dois lados”. A “esquerda” não existe pois a esquerda é simplesmente qualquer um que não se reveja entre este grupo de parasitas inúteis.
    Um negro no autocarro e não o insultas? És um comuna. Uma mulher está aflita e vais ajudá-la? É um esquerdalho de merda. Passaste por um casal homosexual sem lhes atirar uma pedra? És pior que o Lenine. É assim que esta escumalha pensa e enquanto houver tamanho esforço para destacar a sua inutilidade e irrelevância não há dois lados: há os que andam por cá a desperdiçar oxigénio e o resto.
    Basta ver a aflição em que os fascistas no governo americano andam para tentar encontrar um líder, um ponto de entrada nos protestos pela morte de Floyd. Ele é antifa para um lado, Soros para o outro, desesperados por encontrar alguém para ameaçar ou prender, ignorando este simples facto: a antifa são todos os “outros”. O mais light dos conservadores até ao skinhead de armário é o resultado de um esforço de dogmatização. Como tal existe uma ideia comum que todos têm de acreditar cegamente, sem qualquer espaço para discussão, o que potencia o surgimento de figuras centrais sobre as quais recai toda a identidade da ideologia. Há 75 anos atrás era um tal de Hitler, hoje é um tal de Trump, ambos com uma estranha afinidade em correr para bunkers mal a coisa comece a correr menos bem. Daí que quando perante um movimento descentralizado, estes broncos passem os dias a correr em círculos, a tentar encontrar o “equivalente na esquerda” em vão. Por cá temos o nosso Venturinha que certamente já anda a ver de umas caves jeitosas ali para os lados da Assembleia.
    O grande azar do Alcindo foi andar sozinho. Sim, porque tal como os forcados (que basicamente são destilados do mesmo excremento, daí que não seja de estranhar que estes sejam a última adição ao Chega), se a probabilidade de sucesso for inferior a 99.999%, o racista/xenófobo/nacionalista nem pia sequer. Bastava mais um. Uma criança ou idoso que fosse e os ranhosos nem lhe tocavam. Porque nada grita superioridade que ter 20 merdas armados contra um coitado surpreendido num beco escuro, tal e qual os amigos forcados que nunca colocam os collants na arena em menos de uma dúzia de cada vez e só quando o animal de quinta que torturam tão “corajosamente” estiver a 2 segundos do colapso.
    Densidade testicular digo eu, ou melhor, a grande falta de.


  3. Havendo ladrões em Portugal, Portugal é um país de ladrões?
    (esta não calha muito bem porque não está longe disso)

    Havendo assassinos em Portugal, Portugal é um país de assassinos?

    Havendo racistas em Portugal, Portugal é um país de racistas?

    Portugal é um país de partidos, sem um Estado que saiba identificar valores para o país e que tenha o prestígio de os fazer valer, pela palavra, pela Lei e pela acção.

    • abaixoapadralhada says:

      Sa Lazarento

      Isto é conversa séria. Não é para leitores de cassetes bolorentas

    • POIS! says:

      Pois concluindo:

      Havendo retintos salazarescos em Portugal, Portugal é um país de salazarescos?

      Havendo encarnações vivas de cerejeiras em Portugal, Portugal é um país cerejícola?

      Havendo Menos em Portugal, Portugal é um país de Menos?

    • Paulo Marques says:

      Mas havendo pessoas de esquerda nos média, já são todos esquerdalhos. Havendo meia dúzia de contas mal explicadas, já são todos corruptos.
      etc.


    • Só por haver ladrões em Portugal não se pode dizer que é um país de ladrões, mas muito menos que é um país sem ladrões.
      Só por haver racistas em Portugal não se pode dizer que é um país de racistas (não é), mas muito menos que é um país sem racismo (obviamente não é).
      Só por haver cretinos em Portugal não se pode dizer que é um país de cretinos, mas muito menos que é um país sem cretinos.
      A existência não implica a universalidade, mas implica a não ausência. Pena que esta lógica básica pareça ser demais para cabecinhas com neurónios a Menos.

  4. Julio Rolo Santos says:

    Racistas somos todos independentemente da cor da pele. Dizer o contrário é só para inglês ver.

    • POIS! says:

      Pois claro!

      Só os ingleses é que evoluíram tanto que hoje constituem uma casta superior de inspetores.

  5. Fernando Manuel Rodrigues says:

    A estátua do Padre Antónioi Vieira foi vandalizada por energúmenos sem rosto, já depois de uma rpimeira tentativa há uns tempos, impedida pelos “fascistas” do PNR. Cobardes… O que têm a dizer sobre isso os “antifas” de serviço?

    • anticarneiros says:

      Trocas os p com os r, é natural que andes tambem com os miolos baralhados

    • POIS! says:

      Pois ora então, resumindo:

      Um destes dias uma data de “antifas” queriam pintar uma estátua. Vieram os “fas” e não deixaram. mas como os “antifas” estão sempre de serviço e não brincam ao mesmo, enquanto os “fas” perdem muito tempo nas redes de enegúmenos a trocar impressões energúmenas com outros energúmenos, lá acabaram por conseguir colorir a coisa à segunda tentativa.

      Moral da história: talvez agora haja muito mais gente a saber quem foi o Padre António Vieira, o que não deixa de ser positivo. Até os “fas” vão ficar admirados se experimentarem ler alguns dos sermões do prior. Não era bem o que esperavam. Mas temo que não porque são uma cambulhada de anal-“fas”-betos.

    • Paulo Marques says:

      Lamenta-se. Como se lamenta a quantidade de monumentos ao abandono com fim igual com que os supremacistas já não querem saber. Só se for a do Eusébio.

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