Botas cardadas

“O fascismo é uma minhoca
Que se infiltra na maçã
Ou vem com botas cardadas
Ou com pezinhos de lã.”

Longe vão os tempos em que os fascistas se deslocavam pelo Rectângulo com pezinhos de lã. Agora é vê-los ameaçar e agredir sem filtro ou vergonha, de botas cardadas calçadas, em todo o esplendor da sua delinquência criminosa, a espancar cidadãos comuns na sopa dos pobres ou à porta de teatros.

A normalização do terrorismo a que temos assistido, por estes dias – que, estranhamente, não levou ao rasgar das vestes dos hipócritas securitários, que podem ter lá um ou outro amigo – tem várias origens.

Tem raízes na seita do Bolsonaro da Temu, na postura do PAR quando legitima o discurso troglodita no Parlamento, na importação do pensamento neofeudalista, distribuído a baixo preço, em reels e tiktoks, por aspirantes a techbros, e, claro, nos burlões do YouTube, que descobriram que o ódio, a violência e a redução das mulheres a objectos são negócios tão ou mais lucrativos que a promoção de casas de apostas ilegais. [Read more…]

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. E de recordar Alcindo Monteiro

Hoje celebramos o nosso país, Portugal, celebramos os portugueses, celebramos a nosso fabuloso idioma (hoje brutalizado por um acordo ortográfico absurdo), celebramos as forças armadas, as comunidades portuguesas e um dos nossos maiores vultos literários, Luiz Vaz de Camões, que, alegadamente, terá falecido neste dia, em 1580. Um dia de festa, de evocar o nosso passado e as nossas raízes, de enaltecer os nossos feitos, de comemorar a nossa existência comum e de pensar o nosso futuro. Um grande dia! [Read more…]

25 depois da morte de Alcindo Monteiro, no país onde o racismo “não existe”

AM

Se fosse vivo, Alcindo Monteiro teria hoje 52 anos. Azar o dele, foi apanhado pelos “festejos” do 10 de Junho de 1995, que, em extrema-direitês, significou passar a noite a espancar negros no Bairro Alto. Alcindo foi um deles, apanhado por uma matilha raivosa de escumalha skinhead, e não resistiu aos ferimentos. Como ele, vários outros negros foram espancados nessa noite. Felizmente, mais nenhum faleceu.

Dizer que Portugal é um país racista é uma falácia. Dizer que não existe racismo em Portugal é desrespeitar a memória de Alcindo Monteiro, e de outros, que, de formas mais ou menos bárbaras, sofrem, ainda hoje, discriminação com base na sua cor de pele. E importa não esquecer que, alguns destes racistas violentos, com longos e assustadores cadastros, transitaram recentemente de organizações neonazis para o partido unipessoal daquele cujo nome não pode ser mencionado. [Read more…]