Informação versus Democracia

Não sou muito dado a teorias da conspiração, embora algumas façam pensar e outras sejam de uma criatividade digna de apreço.

Todavia, é interessante o facto da notícia da vacina da Pfizer, ter surgido logo após a confirmação de Biden como vencedor das eleições presidenciais dos EUA.

A tal vacina que Trump garantiu que iria surgir em breve, e que muita gente, na qual me incluo, gozou e zombou. E isso, não porque não se queria a vacina o quanto antes. Mas, pelo facto de que a palavra de Trump, por inegável mérito próprio, tinha o mesmo crédito do Pastorinho Pedro da fábula atribuída a Esopo.

É razoável pensar que se esta notícia tivesse surgido ainda durante a campanha eleitoral, Trump teria ganho uma credibilidade potenciadora de uma vitória, face à importância que teve na decisão dos eleitores, a gestão que a Casa Branca fez da pandemia.

Trump iria conseguir algo inaudito: credibilidade científica.

O mesmo Trump que zombou da ciência quanto lhe apeteceu, desde as alterações climáticas até ao uso da máscara.

Não seria de espantar, que a indústria farmacêutica tivesse decidido dar uma mãozita, ao derrube de um presidente que passou grande tempo do seu mandato num exercício de escárnio e mal-dizer, em relação à ciência e à comunidade científica. Num contínuo e execrável esforço de descredibilização, como foi seu apanágio.

Se assim foi, se houve atraso deliberado no anúncio da vacina, estaremos perante um mal menor com vista a um mal maior. Pois, sempre se poderá dizer, que mais 4 anos de Trump seriam um mal bem maior.

A verdade é que, pelo menos para já, só se conhece a data do anúncio da conclusão do ensaio da vacina. Embora o encadeamento cronológico, não deixe de ser interessante.

Não como ponto de partida ou sustentação para uma teoria da conspiração. Mas, sim, para uma reflexão à volta da importância da gestão da informação na defesa da democracia. Pois que, por vezes, os fins mais nobres, obrigam a rever a avaliação e a legitimidade de certos meios.

A questão será sempre saber quais são os limites.

Comments


  1. Completando o raciocínio do Mário, gostava de acrescentar um pequenino detalhe. O anúncio da Pfizer que tinha uma vacina milagrosa (90% de eficácia????), foi feito ao cronómetro para que as acções da empresa subissem, permitindo ao CEO vender um bom naco delas e assim ganhar cerca de $6M de um dia para o outro. Isto o que é preciso é saber viver, pessoal. O mundo é dos chicos espertos…hehehe!! Eficácia? Oh pá. Depois logo se vê….

    • Quere.se dizer... says:

      Comprem a vacina (Bacina lá no Norte) russa que tem 92% de eficácia e deixem-se de merdas com os Trumpes & Cia !

  2. Rui Naldinho says:

    Ou muito me engano, ou quando a vacina aparecer em grande escala para utilização profilática, mesmo só para os EUA, já a pandemia estará numa fase de retrocesso, por vários factores que o só a ciência médica explicará um dia. Poderá ir da mutação do vírus, perdendo este força, à imunidade de grupo por alastramento generalizado de contágios, maioria deles assintomáticos. Entretanto os mais idosos serão sugados por este Tsunami.
    Dito isto, a teoria da conspiração contra Trump vale o que vale, e sendo ele um puro idiota, até teria alguma piada.
    Quanto aos dois últimos parágrafos estou 100% de acordo.

    Já agora, em termos de gestão da informação na defesa da democracia:
    Os famosos ventiladores chineses já chegaram todos?
    Estão todos a funcionar nos hospitais, ou já estão como os Kamov?

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Boa pergunta, essa dos ventiladores. Também gostava de saber. Curiosamente, a nossa imprensa parece ter-se “esquecido”. São como os ratos… em muitos aspectos.


    • Democracia????????? Só foram 71 M que votaram no miserável. Lá como cá, o Acabado Silva tb teve várias maiorias e viva o povão….

    • Paulo Marques says:

      Portugal tem casos detectados em 2% da população. Admitindo que se ganha anticorpos, imunidade de grupo em breve é uma patetice.
      Tenho ideia que os ventiladores estão aí, agora se podem ser todos utilizados não faço ideia.

  3. J. Reis says:

    Relembro que os custos com medicamentos estavam em queda e Trump tinha instituido a comparação de preços com outros países, geralmente muito mais baratos que na América. A Indústria Farmacêutica fez a sua escolha… perde o Povo!

  4. Filipe Bastos says:

    O autor levanta uma boa questão, que por sua vez levanta outra: por que raio havia a vacina de “credibilizar” o Trampa? Que mérito teve ele? Anunciou que ia aparecer? E depois?

    Anunciar é fácil; há muito que se fala na vacina. Ainda que tenha acertado, o que é que isso muda? Acaso apaga as milhares de aldrabices que disse, o facto de ser um mamão trafulha, ou as demais razões que fazem dele a trampa que é?

    Ou seja, a questão de fundo vai além da gestão da informação: é a capacidade crítica de quem a ouve. Mesmo que a vacina não fosse ocultada, qualquer adulto com um dedo de testa devia chegar ao raciocínio que fiz acima. A vacina não devia importar.

    E no entanto, ia certamente importar; o autor tem razão. Se tivesse sido anunciada antes, é até provável que o Trampa ganhasse. É esta volatilidade, ignorância, estupidez, egoísmo e falta de memória das massas votantes que lixa isto tudo.

    Como pode haver uma democracia digna do nome, seja mais ou menos directa, se quem vota são carneiros com miolos de galinha? Como pode haver qualquer esperança num sistema que é tão fácil de viciar e aldrabar, pois esta carneirada come tudo?


  5. A propaganda da Pfizer só serviu para o salafrário CEO e outra escumalha do gangue “científico” fazer uns milhões extra a vender as acções…

  6. Paulo Marques says:

    Bom, se está pronta, o exército vai começar a distribuí-la pelo país inteiro e a coisa está resolvida num mês. Não? Pois.
    Quanto ao dono vender as acções, é o mercado a compensar os “criadores de emprego”. Não se gosta, parta-se ou nacionalize-se.

  7. JgMenos says:

    A vacina só conta quando acessível…veremos quando.

    Ainda que fosse hoje, sempre o Trump sem máscara é simbolo da idiotia,

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