Sá Carneiro deve estar orgulhoso

Foto: João Miguel Rodrigues@Jornal de Negócios

Foi Rui Rio quem, no início do ano, assumiu abertura para dialogar com a extrema-direita, caso esta se moderasse, impossibilidade que decorre da sua natureza extremista. Rui Rio sabia com quem lidava, ou pelo menos tinha a obrigação de saber, porque não anda nisto há dois dias, como o próprio não se cansa de dizer. Tal não o impediu, contudo, de se comprometer e de fragilizar a sua posição, bem como a do partido que lidera.

Aliás, se recuarmos até Setembro de 2018, verificamos que a narrativa que está na base da criação do Chega aponta precisamente para a necessidade de fazer cair a direcção de Rui Rio. Na altura, e ainda na condição de militante do PSD, André Ventura cria o Chega como um movimento que visava reunir assinaturas suficientes para convocar um congresso extraordinário do PSD, com o qual pretendia derrubar a direcção Rio.

Avançando para as eleições que se realizaram no final de Outubro, nos Açores, e após a divulgação dos resultados, que confirmaram a eleição de dois deputados da extrema-direita para o hemiciclo açoriano, André Ventura foi categórico: questionado pelo Expresso, Ventura rejeitou liminarmente um acordo com o PSD, afirmando que “o Chega não governa com partidos do sistema”, porque, sublinhou, “não confia” nos sociais-democratas. E rematou: “Estamos totalmente indisponíveis para isso, totalmente indisponíveis para nos entendermos com os partidos do sistema”.

Indisponíveis para se entenderem com os partidos do sistema.

Indisponíveis.

Há duas semanas.

Apesar deste bullying permanente, que remonta a eleição de Rio para a liderança do PSD, o Chega embarcou em nova contradição, assumindo, dias depois, estar disponível para negociar com o PSD, caso os sociais-democratas estivessem disponíveis para aceitar o caderno de encargos do Chega, do qual já deixou cair o projecto de revisão constitucional. Já na semana passada, em entrevista à TSF e DN, André Ventura admitiu um acordo escrito com o PSD, o tal partido do sistema com o qual estava “totalmente indisponível” para se entender, poucos dias antes. Durou pouco, a resiliência de Ventura.

Apesar de tudo, Rio mostrou-se disponível para capitular perante a extrema-direita, que anda há meses a achincalhar a sua direcção e o seu partido. Para bem da democracia, e da sobrevivência do PSD, gostava de ver Rui Rio fazer com André Ventura aquilo que Pablo Casado fez com Santiago Abascal. Convém é não esperar tanto tempo. Porque primeiro não havia acordo nenhum, depois já era se o Chega se moderasse, algo que não precisou de acontecer para que se entendessem nos Açores, e agora é ver Rui Rio abrir as portas da São Caetano à Lapa para dialogar, insistindo, uma vez mais, na impossibilidade que é a moderação de um partido que se distingue, precisamente, por ser extremista. Que não existe nem tem o apoio que amealhou se não o for. Daí até a uma futura coligação de governo, poderá ser uma questão de (pouco) tempo. Porque quem faz esta escolha, dificilmente agirá de forma muito diferente quando situação semelhante à que aconteceu nos Açores se voltar a verificar. E tanto Rui Rio, como o próprio PSD, têm plena consciência daquilo que está em cima da mesa. E foram a jogo. Sá Carneiro deve estar orgulhoso.

Comments


  1. O Dr. Sá Carneiro – que quando estava vivo era “fascista” e “caloteiro” nas paredes pichadas de Portugal, e cuja morte violenta foi celebrada com foguetes na “cintura industrial de Lisboa” – desde que morreu (e desde que dê jeito) passou a ser a definição de um “bom direitola”. No fundo, a actualização do aforismo segundo o qual o bom índio é o índio morto.

    • Rui Naldinho says:

      Que argumento mais insano para justificar a opção política da actual direção do PSD!
      Você parece um daqueles irmãos desavindos numa herança, que vão buscar ao passado comum com os progenitores, entretanto falecidos, argumentos para justificar uma maior vantagem na divisão do “bolo”, porque algures, em tempos idos, um deles foi presenteado com uma prenda melhor do que a sua, num aniversário ou no final de curso.
      Acredita mesmo que o Dr. Sá Carneiro pactuaria com o Dr. André Ventura?
      Eu não acredito.
      Dito isto, o Dr. Rui Rio tem toda a legitimidade democrática para fazer as coligações que quiser, desde que forme na Assembleia Regional dos Açores uma maioria no número de deputados eleitos. Contudo deve extrair daí as devidas ilações e as consequências caso possam vir a ocorrer num futuro.
      Os Portugueses devem também olhar para este cenário invulgar, e perceber se de facto aquilo vai ser o futuro político do PSD, ou se isto não passa apenas de um simples empurrão ao PS. Um PS sempre guloso em servir-se da esquerda, mas logo que servido, pronto a desembaraçar-se deles.
      Já agora e para terminar o meu comentário, a mim não me repugna este empurrão do PSD ao PS nos Açores. Eles merecem-no. É o primeiro aviso à direcção do PS, no continente. Em especial aos iluminados Carlos César e Augusto Santos Silva.
      Agora fo***-se!

      • Filipe Bastos says:

        Cá está o que digo. A confusão entre política e pulhítica, ou pior, pulhitiquice. Entre o que devia ser a gestão do bem comum e uma mera dança de tachos.

        Uma dúvida: Dr. Sá Carneiro, Dr. André Ventura, Dr. Rui Rio… mas não há ‘Dr. Carlos César’ e ‘Dr. Santos Silva’? Então estes dois não são médicos?

      • VTFC says:

        A última frase Lapidar: Fodam-se. Assim será , preparem-se corruptos esquerdopatas que o Chega chegou para vos foder.
        Até que enfim…

        VTFC

        • Paulo Marques says:

          Foder, não, substituir a dar ainda mais poder aos corruptores legalizando a negociata. Está no programa.

    • Albino manuel says:

      Jpt, tanto quanto sei o homem e o mano pediram dinheiro emprestado para jogar na bolsa. Veio o 25A, a bolsa é fechada, a dívida continua. O mesmo sucedeu com os proprietários rurais alentejanos. Em 1978 veio uma lei a dizer que os calotes destes estavam suspensos – com razão, pois tinham perdido a posse das terras.

      Mas quem mandou os manos investirem na bolsa? julgo que depois terá havido uma cessão de créditos. Seja.

      O PCP não tinha razão pois foi ele que estragou a bolsa.

      Os manos Sá Carneiro também não pois ninguém os mandou serem gananciosos.

      Quanto ao pós-25: o homem foi tratar-se a Londres em 1975 (moda dos ricos do Porto), desapareceu durante o PREC, quem aguentou tudo foi Magalhães Mota. Logo que regressado correu com este.
      Fez guerra a Eanes, ganhou na base de promessas, meteu Cavaco nas finanças para valorizar o escudo em seis por cento e mandar vir o FMI quatro anos depois, via bloco central. Pelo caminho tentou impingir à Nação um militar de extrema-direita, Soares Carneiro, e acabou numa avionete em Camarate Foi acidente ou atentado? não faço ideia. Parece que a base para este é o partido republicano de Reagan, ainda na oposição, e uns entendimentos com o Irão dos Atatollahs. Talvez. Uma coisa é certa: Sá Carneiro era um burguês do Porto com as manias e os gostos da burguesia do Porto. Snu Abecassis deve ter-lhe aberto outros mundos. Matosinhos e francesinhas não levam a lado algum. Como morreu com pouco mais de quarenta anos virou mito. Como Mário. Mas Pessoa não se comparava. Passados quarenta anos Eanes é o PR mais respeitado, aquele a quem todos reconhecemos ombridade. Sá Carneiro? um morto, como a naioria da geração dele.

  2. Vila do Vonde says:

    Lembro-me muito bem do “caloteiro” agora do “fascista” não… a sua memória é muito selectiva…

  3. Paulo Marques says:

    Afinal não é o Ventura que muda, é o Rio que se assume, que a história gosta de farsas.

    https://twitter.com/danielolivalx/status/1326168614035185666

  4. Filipe Bastos says:

    Sá Carneiro, como Kennedy (ou Che), teve o condão de morrer novo e no auge, o que ajuda sempre as lendas. Ficam cristalizados no tempo, ícones romantizados do que der jeito.

    Para a esquerda, como disse JPT, é uma espécie de “bom direitola”, um pau moral que usam para bater na direita. Para a direita é um santinho da casa. ‘O que faria Sá Carneiro’ torna-se assim uma questão permanente, e absolutamente inútil, a lembrar a piada ‘what would Jesus do’.

    O mais divertido é a pretensa pureza de PS e PSD, que, choque!, até já se aliam aos extremos. Como se tais viveiros de chulos, pulhas e trafulhas existissem para outra coisa que poleiro, tacho e mama, custe o que custar; ou como se PCP, Berloque ou Chega fossem mais extremistas que tachistas.

    O chuleco Ventura até se aliava a Estaline, se este fosse vivo e lhe desse acesso mais rápido a teta melhor. O chuleco Costa idem. O medíocre Rio nem sei; é um erro de casting tão grotesco que só na Laranja Podre podia ser normal.

    Anda tudo ao mesmo. Abram os olhos. Esta obsessão em ver tudo por um prisma ‘político’ é patética. Não há cá política alguma, há 40 e tal anos que só há pulhítica. E pulhas.

    • Paulo Marques says:

      Pode linkar para a lista de tachos do PCP e BE? Grato.

      • Filipe Bastos says:

        Quer dizer, além das Câmaras e dos Paralamentos – os nacionais e o da euromama? Há sempre a esperança de um tachito no aparelho partidário, numa comissão ou fundação, numa ‘iniciativa’…

        Nada que se compare ao Centrão, claro; os comunas são mais sérios. Ainda assim, também lá têm chulos, tachistas e oportunistas (Robles); e mesmo os mais sérios transigem com a podridão e a hipocrisia.

        Trabalhar faz calos, Paulo; pulhiticar faz bem menos. Até comunas se habituam à boa vida.

      • Fernando Manuel Rodrigues says:

        Rita Rato? Ou já se esqueceu? E o Louçã?

        Estes dois foram ssim, logo de repente. Mas se procurar, certamente encontrarei mais. Bastará, quiçá, procurar na Câmara de Lisboa. É capaz de ter havido por lá uma distribuição de lugares para os “camarados”.

        • Paulo Marques says:

          Estão ricos de tanto poder. O melhor é não haver governos nem câmaras para não haver nomeações.

          • Filipe Bastos says:

            Pela sua lógica não há tachos: todos são eleitos, nomeados, convidados, etc. Tudo mérito, dedicação e suor, né?

            O meu favorito é o ‘desafio’. Quando vão para novo tacho chamam-lhe ‘desafio’, como se fosse uma aventura arriscada e não mama garantida. Vá lá, seja isento, Paulo.

  5. Rui Naldinho says:

    Luis Osório – Jornalista bem conhecido da CS escreveu este POSTAL DO DIA, n’a sua página do Fecebook

    Comparar o Chega ao Partido Comunista ou ao Bloco de Esquerda é pornográfico

    1.
    Mais pornográfico do que o acordo PSD com o Chega nos Açores – e do reiterar por parte de Rui Rio da disponibilidade para que esse acordo possa ser nacional – é o repetir do argumento de que não faz sentido criticarem o PSD por se aliar ao Chega quando o PS se aliou ao Partido Comunista e ao Bloco de Esquerda.

    Um argumento ensaiado por vários comentadores dispersos por aqui e por ali. E repetido até à náusea nas redes sociais por pessoas comprometidas com a possibilidade de uma nova ordem à direita.

    O Partido Comunista e o Bloco de Esquerda são tão maus ou piores do que o Chega é o mantra que passou a ser uma palavra de ordem. E é isso que iremos ouvir nos próximos larguíssimos meses.

    2.
    Comparar um partido com simpatias pelo fascismo, um partido que faz pactos com movimentos populistas em toda a Europa, um partido que deseja o regresso da pena de morte, que quer vigiar muçulmanos e expulsar ciganos, que grita aos quatro ventos que deseja instaurar uma “quarta República” e um partido em que militantes chegaram a defender que as mulheres que abortam deveriam ficar sem ovários não pode ser comparável – nem por brincadeira – ao Partido Comunista.

    3.
    E o simples facto de isso ser ensaiado por gente do PSD – em nome da ambição do poder, é a triste prova de que em nome da vingança em relação a António Costa irá valer tudo – até um pacto com o demónio.

    Vamos lá a ver.

    O Partido Comunista é um partido com 100 anos. Ao longo da sua história viu largas centenas de militantes morrerem em nome de uma ideia de libertação do fascismo salazarista.

    Enquanto os outros desistiam o PCP manteve-se na luta.
    Não desistiu.
    Não se rendeu.
    Milhares foram torturados, centenas mortos, quase todos viram as famílias ser atingidas, chantageadas, todos deixaram de ter a possibilidade de trabalhar ou de existir como seres humanos.

    E nesse combate inclemente contra a ditadura estiveram ao lado e participaram em campanhas políticas de apoio a figuras que não eram comunistas.

    Norton de Matos e Humberto Delgado foram apoiados fortemente pelo PCP.

    Da mesma maneira que estiveram ao lado de projetos que aglutinavam muitos outros democratas não-comunistas como a CDE (apenas para dar um exemplo)

    Já agora, em 1975, no final do PREC, quando todos vaticinavam que o PCP iria tomar o poder por ter, aparentemente, o controle do poder militar e das armas, foi Álvaro Cunhal e o seu secretariado quem travou a possibilidade.

    E essa foi a razão para que Melo Antunes, o ideólogo do 25 de Novembro, tenha ido à televisão defender os comunistas e defini-los como essenciais à democracia.

    Na história da democracia portuguesa nunca existiu, e já lá vão quase 50 anos, o mínimo deslize institucional. Nos sindicatos ou nas câmaras municipais os comunistas deixaram a sua marca sem nunca colocarem em causa a democracia que ajudaram a fundar.

    4.
    É chocante ver alguma gentalha comparar os comunistas com o Chega.

    Chocante comparar homens e mulheres que se sacrificaram e ofereceram a sua vida, com pessoas como André Ventura e os que o seguem.

    Gente como António Dias Lourenço (e poderia falar de tantos outros ou outras), sempre de sorriso franco, sempre capaz e disponível para um abraço, mas sempre com o ímpeto da luta, do combate por uma revolução em que acreditou até regressar à clandestinidade aos 95 anos.

    É o que penso quando nele penso. Regressou à clandestinidade, nunca me passa pela cabeça que tenha morrido.

    É o que penso, sim.

    No seu regresso a Vila Franca e ao Alentejo onde conseguiu que tantas centenas acreditassem que era possível derrubar Salazar (Saramago dedicou-lhe Levantado do Chão). No seu regresso a Peniche onde voltará a dar um salto de 30 metros para as águas de onde nenhum cabrão de nenhum PIDE acreditou que fosse possível escapar. No seu reencontro com o filho de dez anos, António como ele, que viu morrer com uma leucemia. Estava na cadeia e Salazar concedeu-lhe dez minutos para se despedir da criança.

    Contou-me, sabem?

    É como se o ouvisse. “Custou-me tanto. Queria bater aos guardas, mas seria a última imagem que o filho levava do pai. Tive de me fazer de forte, sorrir e dizer ao António que brevemente nos iríamos voltar a ver”.

    Como é possível comparar?

    5.
    E como é possível comparar o Chega e tudo o que defendem com um partido como o Bloco de Esquerda?

    Um partido maioritariamente composto por gente que não viveu em ditadura, composto por jovens anticapitalistas (é certo), mas que mantém na sua matriz o idealismo de Miguel Portas, Fernando Rosas ou Luís Fazenda. E será André Ventura comparável a estes três fundadores ou a Francisco Louçã?

    6.
    Não sou comunista ou bloquista, mas este é um tempo em que as pessoas têm de perceber muito bem o que está em jogo.

    Faz sentido que o PSD esteja magoado com a “geringonça”, sou capaz de compreender com facilidade a acidez. Deve ter custado.

    Mas há limites.

    E Rui Rio acabou de passar esses limites.

    Um partido democrático não se pode coligar ou entender com um partido como aquele.

    Não é simplesmente possível.

    Porque se for possível então tudo é possível.

    LO

    • Paulo Marques says:

      «composto por jovens anticapitalistas (é certo)»

      É certo? Mesmo? Faz parte do programa acabar com a propriedade privada e passar os meios de produção para comunas?
      E quanto ao apoio a ditaduras, quem não, de Angola à China (fazendo agora de conta que sempre foram contra), até o Portas foi vender bugigangas à Venezuela.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Este texto é pura demagogia. Procure um bocadinho – é capaz de encontrar melhor do que este “choradinho”.

      Legitimar o PCP com o “sofrimento dos antifascistas” é simplesmente patético. Como se, pelo facto de um gangue ser morto às mãos de outro gangue o transforme de repente em grupo de santos.

      Não, não ficam legitimados., Continuam a ser adeptos de um totalitarismo, que simplesmente sucumbiram às mãos de totalitaristas de sinal contrário. Ou os nazis que foram torturados mortos pelo exército vermelho passaramn a ser mártires?

      Enfim… Nada de novo debaixo do Sol. O que vale é que não tarda vamos todos com o c… E os problemas ficam resolvidos.


    • O PCP combateu o Salazar. Ena. O Estaline combateu o Hitler. E é por isso que o estalinismo é um regime político aceitável? Ao Osório, um intelectual de óbvias tendências revisionistas, filho de um notório homossexual, o Dzhugashvili teria mandado dar um tiro na nuca. Já o António Dias Lourenço, como diz o Osório, morreu em 2010, aos 95 anos. PS: peço um link onde estejam identificadas as “largas centenas de militantes [que] morrerem em nome de uma ideia de libertação do fascismo salazarista” (sic). Conto que não incluam aqueles que foram mortos durante a I República, assassinados pelos próprios camaradas ou por seitas rivais, ou vítimas de doença vários anos depois de terem saído da cadeia.

  6. VTFC says:

    O Nalgas mete o PCP cu acima e gincha

    VTFC

  7. Aires Esteves says:

    Sabem o que o saudoso jurista Arnaldo Matos diria; #” Isto é tudo um putedo”!!!

  8. Albino Manuel says:

    Pelos vistos até o João Mendes acredita na treta de Sá Carneiro social-democrata. O homem foi o primeiro populista de direita pós-25.04. Mas fica bem o mito. Por alguma razão nasceu o sebastianismo.

    Sá Carneiro era de direita e bem à direita. Só que no seu tempo. E um tanto poujadiste.

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