Dá-me um especial gozo ver o argumentário de defesa a favor do Arruda, pela voz do chefe do Chega dos Açores.
Essa de tese de levar malas por engano, possibilita que nos telejornais possamos ouvir vezes sem conta a expressão “Uma mala por engano“.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Dá-me um especial gozo ver o argumentário de defesa a favor do Arruda, pela voz do chefe do Chega dos Açores.
Essa de tese de levar malas por engano, possibilita que nos telejornais possamos ouvir vezes sem conta a expressão “Uma mala por engano“.

Que o CH é um partido dado às mais variadas punições e crueldades, já se sabia. A sua natureza autoritária e iliberal não dá para camuflar.
Que propôs, na Assembleia Regional dos Açores, que crianças caiam para o fundo da lista de espera de acesso à creche gratuita, caso os pais estejam no desemprego, não surpreende. Punir os mais fracos está no ADN de um partido financiado por multimilionários.
Que o PSD alinhe nisto, diz tudo sobre o fim trágico que espera o partido na barriga da extrema-direita. Como de resto tem acontecido a outros PSDs por essa Europa fora. [Read more…]
Os açorianos foram chamados a decidir a nova composição do parlamento regional e, mais deputado, menos deputado, ficou “tudo como dantes, quartel-general em Abrantes”.
A AD, que congrega PSD, CDS e PPM, consegue 26 deputados. Em 2020, PSD tinha conseguido 21, CDS 3 e PPM 2. Ou seja: 26 deputados.
O PS perde 2 deputados, o BE perde 1, a IL mantém o deputado que tinha e o CH consegue mais 3.
Contas feitas, as alterações na aritmética parlamentar são insignificantes.
E, sobretudo, não mudam o essencial: sem maioria, José Manuel Bolieiro deve encontrar uma solução para garantir a governabilidade da região autónoma dos Açores.
Espero que essa solução não passe por acordos com a extrema-direita.
E que o PS esteja à altura dos tempos que vivemos e se abstenha de chumbar os orçamentos da AD.
Porque quando a escolha é entre a democracia e o retrocesso iliberal, conservadores, liberais, social-democratas e socialistas estão na mesma trincheira. E devem saber entender-se para a preservar.
Foi assim que se derrubou a extrema-direita na Polónia.
É assim que se impede a extrema-direita de chegar ao poder em França.
E talvez seja essa a solução para impedir o regresso da marioneta de Putin à Casa Branca.
Acima de tudo, é essencial preservar a democracia.
Porque sem democracia, as diferenças ideológicas não contam.
São todas suprimidas.
É este o “valor mais alto que se alevanta”.
Democracia.

Quando, em plena pandemia, António Costa decidiu destinar uma verba para apoiar a comunicação social, a direita rasgou as vestes e acusou o primeiro-ministro de tentar controlar a imprensa para benefício próprio. Para abafar notícias incómodas.
Tal, como hoje sabemos, não aconteceu.
Aliás, não houve um escândalo no governo que não fosse objecto de ampla cobertura mediática. Das trapalhices na TAP às saudosas cabritices, passando pelo pavilhão transfronteiriço e pelos mais recentes esquemas no Ministério da Defesa, nada, rigorosamente nada, foi abafado pela imprensa portuguesa.
Agora, que os papéis se inverteram, uma vez mais nos Açores, José Manuel Bolieiro prepara-se para seguir as pisadas de António Costa, destinando igualmente uma verba do orçamento regional para apoiar a comunicação social.
Tentativa de controlar a narrativa nas redacções?
“Disparate”, disse Bolieiro.
E da direita das vestes rasgadas nem um pio.
Esclarecedor.

Recorrendo ao populismo mais básico e demagogo, Nuno Melo, o último eurodeputado de um partido que caminha para a extinção, saiu-se com esta.
Segundo o líder do CDS, “a ganância de gente menor tomou conta da esquerda”, porque, no caso espanhol como no português, não será o partido mais votado a governar. Como de resto acontece em toda a Europa há muitos anos. Mas o que sabe Melo sobre a Europa, para lá dos restaurantes que frequenta em Bruxelas?
Claro que o lado mais risível desta intervenção patética reside no desfecho das regionais dos Açores, quando o partido mais votado, o PS, foi afastado do poder por uma coligação parlamentar maioritária que inclui PSD, IL, CH e…o CDS.
Será que Nuno Melo considera que o seu partido não sabe perder com honra?
Será que considera os militantes açorianos do CDS gente menor tomada pela ganância?
Deve ser isso.
RIP, CDS.

No rescaldo das eleições espanholas, que tem como desfecho mais provável a repetição do sufrágio, uma boa parte da direita portuguesa viajou no tempo, até 2015, e perdeu-se na boa velha ignorância sobre o funcionamento da democracia representativa. Ou então, influenciada pelos seus novos potenciais parceiros, deixou-se levar pelo populismo mais básico e infantil.
E porque chora essa direita?
Chora porque os seus amigos do PP venceram as eleições, mas não têm uma maioria para governar. Apesar do contributo dos neofranquistas do Vox.
É uma daquelas coisas chatas da democracia representativa: não governa quem fica à frente. Governa quem tem maioria no Parlamento. Porque são deputados que se elegem em Legislativas, não governos.
Aliás, não existe eleição alguma, em Espanha ou Portugal, para eleger um governo. Os governos, cá como lá, são uma emanação da arquitectura parlamentar. Governa quem consegue apoio maioritário para ser investido, no hemiciclo ou nas cortes.
E de pouco interessa, caras pessoas, se existem “pessoas que acham que votam em governos”. Também existem pessoas que acham que podem estacionar em cima do passeio, que o fazem impunemente, mas isso não as livra de levar uma multa. Mesmo que seja a primeira vez. [Read more…]

A Geringonça durou quatro anos.
A versão açoriana de direita, com a extrema-direita na equação, durou dois e meio.
A piada não está na durabilidade de cada solução.
Nem no espantalho da instabilidade que se agitou todos os dias, entre Novembro de 2015 e Outubro de 2019.
Esta no facto de terem sido os partidos que não aguentaram o acordo do Açores até ao fim a agitá-lo.
Se não conseguem entender-se para governar uma região autónoma, como conseguirão fazê-lo para governar o país?
Karma is a what?

Há duas semanas, o governo regional dos Açores, que resulta de uma coligação entre PSD, CDS e PPM com acordos de incidência parlamentar com IL e CH, anunciou que o défice de 2021 se havia situado nos 92,6 milhões de euros, 2,1% do PIB regional. Duas semanas volvidas, o INE revela que o buraco nas contas públicas da região autónoma se fixou afinal nos 360 milhões, quatro vezes o valor apresentado pelo executivo Bolieiro.
Para quem tinha um plano infalível, que era uma espécie de salvação regional dos Açores para acabar com o nepotismo socialista e com a “mama” dos beneficiários de prestações sociais, a gestão da coligação de direita é uma desilusão. Seja nas contas públicas, seja na nomeação de boys e familiares para a administração pública local. Valeu a pena mandar o cordão sanitário às urtigas, não valeu?
Uma das bandeiras do Chega é, como se sabe, a subsidiodependência. E o Chega, quando agita bandeiras, faz uma barulheira desgraçada.
Penso que podemos entender subsidiodependência como um sinónimo de parasitismo. Não haverá apoios sociais sem parasitismo, como não há medicamentos sem efeitos secundários.
A questão está em se a dimensão do parasitismo e dos efeitos secundários é suficiente para medidas mais drásticas. Depreende-se, então, do discurso do Chega, que a subsidiodependência é uma praga social, com multidões de parasitas alojados no erário público ou, para usar o chavão de Ventura, num país em metade vive à custa da outra metade, o que inclui Mercedes à porta e telemóveis e o diabo a quatro.
Diga-se, de passagem, que o parasitismo endémico, pandémico ou localizado deve ser combatido.
Nos Açores, o Chega alcançou uma boa votação com este discurso de combate à subsidiodependência como um problema, defendendo que é preciso reduzir os apoios sociais. A responsabilidade epistémica, a que se refere o César no seu magnífico texto, obrigaria a que o anúncio deste problema estivesse ancorado num conhecimento profundo.
Parece que, afinal, falta ao Chega-Açores esse mesmo conhecimento profundo, como se pode deduzir do pedido que fez à Assembleia dos Açores, com o deputado do partido a pedir informações sobre o RSI na região.
Diz um ditado antigo: “Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu.” Nem responsabilidade, nem epistémica – o Chega é o pistoleiro bêbedo do faroeste que dispara primeiro e depois se vê.

Quero começar por endereçar os merecidos parabéns a Rui Rio, que teve visão e habilidade política para mandar o cordão sanitário às urtigas e escancarar os portões da democracia para a entrada da extrema-direita. Um ano depois, o resultado está à vista: perdeu eleitorado para os extremistas, viu o seu junior partner ser canibalizado, a ponto de ficar ligado às máquinas, e o acordo para os Açores está na iminência de cair à primeira birra de André Ventura, que andou a mendigar ministérios num hipotético governo PSD, não conseguiu e lá se vingou no arquipélago. Lição nº 1 da extrema-direita: a extrema-direita não tem palavra: move-se, única e exclusivamente, pela destruição da democracia, pelo ódio e pela agenda pessoal do seu dono. [Read more…]
E o Público também. Recentemente, surgiu uma notícia do Público a alegar que o João Cotrim Figueiredo “não vê porque não repetir modelo dos Açores” com PSD e Chega. Vá lá, meteram as aspas até Açores, mas este título trata-se claramente de mais uma tentativa de descredibilizar a IL e colocá-la como braço direito do Chega. Não há uma entrevista que seja feita ao líder da Iniciativa Liberal sem uma referência ao Chega. Se querem escrutinar o trabalho da IL, ao menos que se faça com verdade. Questionem o porquê da abstenção em medidas pró-LGBT, por exemplo. Que já agora também discordo, porque deveria ser voto contra, visto que orientação sexual nunca deve ser um fator de desempate. Achar que a IL é contra LGBT é quase o mesmo que achar que a IL é contra aviões ou bancos. Questionem a abstenção em relação à audiência do Rui Pinto. Tenta coisa que têm, mas a única forma que encontraram para tentar melindrar liberais é falar do Chega. Ora, liberais dão palco a fachos por irem a umas palestras, mas trazer o Chega para a conversa todas as entrevistas é mero escrutínio.
Depois disto, ainda há pessoas que não perceberam o que se passou nos Açores. Não percebem que o acordo da IL é apenas e só com o PSD. Querem um desenho? Então tomem um desenho. Pode ser que seja desta.


E agora chegamos à parte mais grave. Cotrim mentiu-nos e não há como fugir às evidências. Ainda em tempos de legislativas, Cotrim disse não se juntar ao Chega.
Mais tarde, diz o mesmo numa entrevista ao Expresso.

Desta vez, não foi o JCF, mas sim Tiago Mayan a afirmar que não há hipótese para iliberais.
E agora, chegamos à mentira. JCF disse no Polígrafo SIC que seria a última vez que afirmava que não haveria acordos nenhuns com o Chega.
Ora, pois… É mentira. Infelizmente, repetiu dia 17/05 com Miguel Sousa Tavares.
E como se não fosse suficiente, ainda repete na RTP1, no 5 Para a Meia Noite.
Felizmente, temos esta excelente recolha do Myles. Para deixarem de perguntar e mentir sobre as posições liberais, talvez o Cotrim tenha de tatuar na testa “Chega é merda”.
Espero que da próxima vez, não haja resposta. Obviamente, virão os donos da virtude dizer que quem cala consente, mas não há motivo nenhum para repetir isto. Lamentável que os OCS dêem tanto palco a um partido como o Chega que apenas tem um deputado. Mas depois, os mesmos que acham isto normal são aqueles que gritam normalização a cada esquina.

Durante 20 anos, entre 76 e 96, os Açores foram governados pelo PSD, com Mota Amaral na liderança do executivo regional até 1995, ano em que foi eleito deputado da nação, sendo substituído por Alberto Romão Madruga da Costa. Em 1996, o tabuleiro inverte-se e o PS sobe ao poder, onde ficou até 2020, primeiro com Carlos César, que liderou o arquipélago durante 16 anos, sendo sucedido por Vasco Cordeiro, que completou dois mandatos, tendo falhado a reeleição em Outubro passado.
Durante estes 44 anos, e apesar de apenas ouvirmos falar dos “primos” de Carlos César, a verdade é que o governo regional dos Açores, tal como o da Madeira, sob domínio jardinista, foram, ininterruptamente, palco de um festim insular de contratos por ajuste directo ou concursos públicos viciados, nomeações decorrentes de lealdades e favores partidários, sem olhar ao mérito ou à competência e restante regabofe a que por cá estamos habituados a ver nas mais variadas autarquias, onde, tal como nas regiões autónomas, o poder quase-absoluto dos caciques é a lei. [Read more…]

Tanta merda para acabar com o nepotismo e o controle absoluto do PS sobre as estruturas da administração pública nos Açores, e, em apenas três meses, o novo regime PSD/CDS/PPM, com acordos parlamentares firmados com a IL e o CH, têm mais nomeados que o anterior regime socialista, que fizeram a factura para manter toda aquela gente subir dois milhões de euros. E muitos familiares à mistura, provando que o efeito Carlos César é transversal aos caciques do PSD, do CDS e do PPM, que é pequeno mas tem os mesmos vícios dos grandes. Perante este agravamento da tacharia e do nepotismo no arquipélago, é de esperar que IL e CH rompam imediatamente com o acordo firmado com a nova maioria, que a IL encha as rotundas dos Açores com outdoors #comPrimos e que o CH faça o mesmo, denunciando esta vergonha, com as suas artimanhas populistas. E muitos parabéns à direita dos puros e castos que combatem o socialismo, por nos mostrarem que conseguem ser iguais ou piores que os seus antecessores. Depois de normalizarem a extrema-direita, conseguem agora o feito inédito de normalizar o Carlos César. Parabéns!

2020 foi um ano difícil, que pode ser resumido em poucas palavras: vírus, epidemia, pandemia, medo, confinamento, distanciamento social, máscara, álcool-gel, negacionismo, contágio, zaragatoa, teste, ventilador, profissionais de saúde, SNS, layoff, crise económica, vacina e morte. Talvez pudessem ser acrescentadas mais algumas, que nem me ocorrem nem me apetece procurar, porque não pretendo fazer disto uma obra científica, mas este foi o léxico dominante, durante os nove últimos meses. E, não nos iludamos, continuará a sê-lo.
Muito foi dito e escrito sobre a pandemia. Da “gripezinha” à falsa sensação de segurança, passando pelas habituais conspirações, amplificadas pela ignorância militante, de repente éramos 7,8 mil milhões de especialistas em saúde pública, virologia e gestão de crises. Por cá fomos bestiais, depois bestas, e, quer-me agora parecer, terminamos o ano como culpados pelo agravar dos números. E não, não saíamos mais unidos, mais conscientes ou mais humanos de tudo isto. Saímos como entramos, com as nossas virtudes e defeitos, adaptados ao novo normal que, esperamos, já seja uma recordação distante daqui por um ano. [Read more…]

Há quem esteja a tentar minar a discussão pública sobre aquilo que se está a passar nos Açores, recorrendo a falsas equivalências para desviar os holofotes do cerne da questão, que é o acordo entre a maior força política portuguesa e um partido de extrema-direita, herdeiro do salazarismo, com uma ala neonazi e ligações às principais forças neofascistas europeias.
É disto que estamos a falar, não de outra coisa. Da legitimação da extrema-direita por forças democráticas. Da extrema-direita das castrações químicas, das remoções compulsivas de ovários, das fake news, das assinaturas falsas aquando da formação do partido, do albergue de antigos militantes de organizações neo-nazis, dos negacionistas da ciência e das alterações climáticas, dos teóricos da conspiração, da fábula anti-elites, financiada pelas elites, e das infindáveis contradições e mortais à retaguarda daquele cujo nome não deve ser mencionado, mais a verborreia virtual e as tiradas xenófobas e racistas. É isto que está em causa. É este o cerne da questão. Foi a isto que o PSD de Rui Rio se rendeu.

Imagem: PÚBLICO
O mal não acontece por acaso.
A Hidra começou com Passos Coelho a promover Ventura ao palco nacional, em 2017, através de um candidatura autárquica. Nos Açores ensaia-se um Governo Regional. E agora já se admite alargamento ao plano nacional.
A situação do Chega e PSD nos Açores é um dos momentos em que há ruptura. Alguns tentam comparar esta gerinçonça de direita com a geringonça do PS/PCP/BE. Mas são situações completamente distintas. O PSD tem toda a legitimidade para conseguir uma maioria no parlamento, mesmo que não tenha ganho a eleição. Já aliar-se a um partido de extrema-direita, defensor de ignomínias sem igual no PCP ou BE, faz toda a diferença.
Não faltará muito para se falar de Chega de PSD.

Foi Rui Rio quem, no início do ano, assumiu abertura para dialogar com a extrema-direita, caso esta se moderasse, impossibilidade que decorre da sua natureza extremista. Rui Rio sabia com quem lidava, ou pelo menos tinha a obrigação de saber, porque não anda nisto há dois dias, como o próprio não se cansa de dizer. Tal não o impediu, contudo, de se comprometer e de fragilizar a sua posição, bem como a do partido que lidera.
Aliás, se recuarmos até Setembro de 2018, verificamos que a narrativa que está na base da criação do Chega aponta precisamente para a necessidade de fazer cair a direcção de Rui Rio. Na altura, e ainda na condição de militante do PSD, André Ventura cria o Chega como um movimento que visava reunir assinaturas suficientes para convocar um congresso extraordinário do PSD, com o qual pretendia derrubar a direcção Rio. [Read more…]
Entre a direita democrática (pergunto-me, tantas vezes, se isto não será um paradoxo), tem surgido um discurso que pretende reduzir os partidos da esquerda parlamentar a gente tão radical como André Ventura, só que de sinal contrário. Daí a dizer que, no fundo, são todos iguais é um passinho de pardal, misturando tudo numa imensa sopa de radicalismo e de sede ditatorial.
Mesmo antes de André Ventura, já pêéssedês e cêdêésses atiravam umas ideias semelhantes: a a esquerda radical, a esquerda que defende ditaduras, a esquerda que tem a mania da superioridade moral (esta é particularmente divertida, por ser tão infantil).
Nota muito importante a propósito de André Ventura: em menos de um fósforo, saiu do passismo para a extrema-direita lepenesca ou trumpiana. Ou será que não saiu verdadeiramente do passismo, mudando apenas de nome e não propriamente de ideias? O que é certo é que Passos Coelho esteve presente no lançamento da candidatura de Ventura à câmara de Loures.
A esquerda parlamentar não está isenta de erros e de más companhias ou de preferências discutíveis. Efectivamente, um dos pecados do PCP está em não ver ou não querer ver o horror de muitos regimes comunistas, incluindo o da Coreia do Norte. [Read more…]
Açorda. Enquanto reflectimos acerca da Geringonça açoriana, recomendo um texto do António Fernando Nabais, uma delícia da Banda do Casaco e esta fotografia.
Em Novembro de 2015, o segundo governo liderado por Passos Coelho caía. PS, PCP e BE resolveram aliar-se e formar uma maioria na Assembleia da República, o que fez com que António Costa pudesse ser primeiro-ministro.
Foi um escândalo à direita, de Belém (ah, o Cavaco!) a São Bento: que isto era uma vergonha, que devia governar o partido/coligação que teve mais votos, que o Costa, o Jerónimo e a Catarina estavam a desrespeitar a democracia, que era um roubo, muito disto e mais daquilo! Talvez por distracção, pêéssedês e cêdêésses esqueciam-se de que um governo só pode funcionar se for sustentado por uma maioria parlamentar.
Durante estes cinco anos, pêéssedês e cêdêésses continuam, de vez em quando, a lembrar esse acontecimento, enlutados, enegrecidos, revoltados, cheios de uma estudada vergonha alheia, ainda e sempre esquecidos do insignificante pormenor de que, em Portugal, os governos obedecem ao parlamento (sabemos que há perversões instituídas, sim, mas uma maioria parlamentar é uma maioria parlamentar é uma maioria parlamentar). [Read more…]
Lisboa é Portugal, mas o resto não é paisagem. O país, tirante a capital, não é apenas uma cara bonita que Lisboa pode apresentar ao parceiro de negócios estrangeiro. O resto do país tem, igualmente, direito a “contatos”, também por não ser menos que a Eleven Sports.
As Regiões Autónomas fazem parte do resto do país, porque a autonomia não é à vontadinha. Como a globalização é grande e o acordo ortográfico é o seu pastor, os “contatos” já chegaram aos Açores e à Madeira. Sim, podemos dizer, em termos ortográficos, que já chegámos à Madeira ou que isto é a casa da Mãe Joana.
Nos Açores, o gabinete da Vice-Presidência do Governo dos Açores usa duas vezes “contatos”. O gabinete do Presidente, por sua vez, tem “contactos”, mas é mesmo assim que deve ser, porque a ortografia medieval é variegada e, portanto, avariada.
Na belíssima página Visit Madeira, da responsabilidade da Direcção Regional do Turismo, também há – todos juntos, agora! – “contatos”!
As imagens que provam a existência dos “contatos” insulares vêm mais abaixo. Não é preciso agradecer, é para isso que cá estamos.
O jovem português em idade de formação poderá ficar com a impressão de que se pode escrever das duas maneiras ou poderá optar pela que está errada, mesmo sendo difícil saber qual é que está certa. O estrangeiro desejoso de aprender a escrever a nossa língua tem à sua disposição uma grafia dupla, mas poderá escolher a que mais lhe agradar, porque, com o AO90, há liberdade, mesmo que não haja ortografia. [Read more…]
Os amantes da Geringonça bem podem continuar a bradar contra Pedro Passos Coelho e a sua desastrosa governação. Têm toda a razão. Mas quando assobiam para o lado sempre que o assunto é o PS, perdem toda a credibilidade. Passam a ser apenas uma espécie de Insurgente ou de Observador em versão pseudo-Esquerda.
Ontem ficou a saber-se que Carlos César conseguiu a nomeação de mais um familiar para a Câmara de Lisboa. Já vai no quinto e outros mais se seguirão. Enquanto tiver familiares para nomear, ele não vai parar.
Dirão os geringonços que o PSD e o CDS andaram anos a fazer o mesmo. É verdade, andaram. Fizeram coisas destas e ainda piores. Mas por que é que agora fingem que não é nada com eles quando no passado não largavam o osso? Alguma coisa mudou?
Sim, mudou o nome do Partido.
A única coisa que não muda é Carlos César, que continua sem ter qualquer pingo de vergonha.
– Luísa César: Mulher de Carlos César, foi nomeada Coordenadora dos Palácios da Presidência ainda quando o marido liderava o Arquipélago. Mais tarde, foi nomeada, sem concurso público, Coordenadora da estrutura de missão para a criação da Casa da Autonomia, com um vencimento de 2.591 euros brutos mensais. Antes ainda da nomeação para estes cargos, liderou uma visita oficial ao Canadá, como cônjuge do Presidente do Governo Regional, onde gastou mais de 27 mil euros em 5 dias e onde se fez deslocar, durante esse tempo, numa limousine contratada localmente; [Read more…]

As eleições regionais nos Açores estão à porta e, no Caldas açoreano, contam-se espingardas. Mas Ana Afonso, candidata do CDS-PP, não se limita a apelar ao voto dos açorianos. Ela precisa que lhe confirmem, através de mensagem privada, que o vão fazer. Porque de boas intenções está o inferno cheio, ou se está com Ana Afonso, e nesse caso há que confirmar por escrito, ou não venham depois pedir favores à senhora. Qualquer dia, selam-se intenções de voto com pactos de sangue. Ou cuspe, que com tanta doença que por aí anda, não convém muito arriscar.
O aeroporto de Ponta Delgada passa a integrar a rede low-cost irlandesa. Finalmente, é possível visitar os Açores e sermos visitados pelos nossos compatriotas ilhéus por um preço razoável. E os EUA ali tão perto… O que tu queres sei eu O’Leary!

© Sandra Rocha
Durante cinco anos, entre 2009 e 2013, Sandra Rocha regressou à ilha Terceira, onde nasceu e viveu até aos vinte anos, para visitar e fotografar a sua família. [Read more…]
A História é uma ciência. Agiu bem o governo regional dos Açores.
As meninas dos Açores mostraram nas quadras que são a melhor equipa nacional e ganharam, com inteira justiça, mais um
título – o Ribeirense é novamente campeão nacional de Voleibol.
Das quatro equipas apuradas para a fase final – Ribeirense, Leixões, Gueifães e Castêlo – o agora tri-campeão Ribeirense e o Leixões chegaram à final, tendo a equipa do Açores conseguido vencer os dois jogos da final (3-0 a semana passada e 3-1 hoje).
Hoje, domingo, a nave, em Matosinhos, encheu para apoiar as Sereias que lutaram com tudo o que tinham (e até o que não tinham). O esforço do Leixões acabou por dar ainda mais brilho à vitória do Ribeirense: aquele segundo set com um 31-29 para a equipa da casa foi fantástico.
Agora é tempo de levar a bola para a areia!
O cidadão Luiz Fagundes Duarte está vivo e desejo-lhe muitos e bons anos de vida. Recentemente empossado como secretário regional da Educação e Formação dos Açores, manifestou “a intenção de introduzir as disciplinas de latim e grego clássico nas escolas, a título de opção.” O estudo dessas matérias no ensino secundário e a recuperação do ensino das Humanidades constituem factores de enriquecimento de qualquer país desenvolvido. O desprezo dessas áreas é um dos sintomas do nosso subdesenvolvimento educativo. Saúda-se, portanto, que numa parte do território nacional se esteja a preparar uma revolução que consiste, afinal, na recuperação daquilo que nunca se deveria ter perdido. Há revoluções assim. [Read more…]
O povo é burro?
Mas estes tipos não aprendem?
Quer dizer, o PSD perde porque
” há uma clara penalização da política nacional que está sendo realizada particularmente e com responsabilidade do PSD.”
O PS, diz o Camarada, ganhou porque
“um resultado que não é alheio à abusiva utilização em seu benefício dos recursos e meios do poder regional.”
Começo a pensar que para o PCP o problema é o povo, que deverá ser demitido de modo a eleger um novo, mais amigo, mais sintonizado com a luta da classe trabalhadora!
Santa paciência para os aturar! E desculpem lá a azia, mas é de facto um exagero esta permanente postura do PCP.
E se me permitem, até conto um episódio ocorrido há uns dias e que ilustra o que é o PCP. [Read more…]

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Efectivamente, na KEXP.
Por acaso, já agora… Um dia, estava eu no Castle Howard, a recordar, reviver e revisitar, mas num ambiente pop, quando me apareceram de surpresa. Amanhã, em Bruxelas, voltarei a vê-los e ouvi-los. Com novidades, anunciadas há meses por Alexis Petridis, como “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim“, “my dream house is a negative space of rock” ou “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery“. Em princípio, será isto. Veremos.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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