André Ventura e Marine Le Pen, ou a arte de se afirmar defensor dos portugueses de bem e promover quem os persegue e ameaça de morte

Historicamente, França tem sido o principal ponto de chegada para centenas de milhares de emigrantes portugueses, desde a década de 60, quando fugiam da miséria imposta pelo regime salazarista. Estima-se que vivam no país cerca de meio milhão de portugueses e luso-descendentes, a maioria dos quais perfeitamente integrada, sem historial relevante de associação a problemas sociais ou criminalidade, que, não raras vezes, diz “presente” quando se trata de desempenhar as funções que os franceses não querem fazer, das limpezas à construção civil.

Estes portugueses, tão portugueses como qualquer português que habite em solo nacional, são, apesar das vicissitudes, portugueses orgulhosos e patriotas, que investem em Portugal, que constroem casa em Portugal, onde regressam após se reformarem, que geram milhões para o sector do turismo, do Algarve ao Alto Minho, e que transferem milhões de divisas para o seu pé de meia, num qualquer banco português. Apenas para dar alguns exemplos.

A comunidade emigrante em França tem sido alvo crescente de xenofobia, e a responsável máxima por esse ambiente persecutório foi, por estes dias, convidada de honra de André Ventura em Portugal. Chama-se Marine Le Pen e é líder do partido de extrema-direita Rassemblement National, um partido de neo-nazis, negacionistas do Holocausto, racistas e xenófobos que querem acabar com a União Europeia e “fazer a folha” aos emigrantes que ajudaram a reconstruir a França que a Segunda Guerra Mundial deixou em escombros.

Apesar da plena integração destes cerca de 500 mil portugueses que vivem em França, Marine Le Pen e o seu partido querem impedir o ensino de português nas escolas francesas. A lógica é aquela a que Ventura já nos habituou: se querem aprender português, que “voltem para a sua terra”. Mas verdadeiramente graves são as ameaças de morte, dirigidas pelos gangsters neofascistas do partido de Le Pen contra a comunidade portuguesa. Contra os tais portugueses que Ventura diz representar, mas para os quais se está totalmente nas tintas. Ventura prefere receber o carrasco destes portugueses com honras de Estado e apaparicar, como se de uma deusa se tratasse, a responsável moral por ameaças de morte contra centenas de milhares de portugueses que Ventura e o Chega consideram menos importante que a Vladimir Putin francesa, facínora de quem é aliada assumida. Tal como toda a extrema-direita que Ventura considera a sua familia política. Tal como será Ventura, no dia em que já não precisar de máscara para enganar totós. Já repararam que o Ventura fala muito de Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, mas não emite um pio sobre o czar da Rússia?

Recentrando, e para concluir, Ventura escolheu Marine le Pen como cabeça de cartaz da sua campanha para as Presidenciais. Ou, posto por outras palavras, mostrou o dedo do meio a todos os portugueses trabalhadores e íntegros que tiverem que abandonar o país por uma vida melhor, sem nunca o esquecer. Para Ventura, esta francesa fascista vale mais que todos eles. Eis o respeito e o amor de Ventura aos portugueses emigrados: zero. Prefere bater continência à francesa fascista que lidera o partido que ameaça os seus compatriotas de morte.

Comments

  1. JgMenos says:

    Verdadeira Trumpada de esquerda!
    Um lixo de um post, calunioso, estúpido e que só cabe na cabeça de um esquerdalho idiota.

    Não tarda este cretino vai querer que se ensine marroquino no sistema de ensino português.

    • Daniel says:

      Essas substâncias fazem mesmo efeito… não devias exagerar na dose…

    • POIS! says:

      Pois, mas não é para agora!

      E vai ser tarefa difícil. Parece que o Marroquino ainda não foi inventado. Aliás, como o Português, por isso é que a Le Pen está contra.

      Só gosta de línguas que já foram inventadas, como o Russo. É muito amiga do Czar, até se consideram como família. Por lá até lhe chamam uma boa filha da Putin. Da família, claro.

    • POIS! says:

      Pois não me diga!

      Quando se começarem a ensinar línguas estrangeiras esquisitas no ensino público português, espero que o Marroquino não seja a primeira. E que não incluam línguas esquisitas como o Francês e outras assim.

      Veja lá, ó Menos, que até chamam ao queijo fromagem, ou lá que é! Não tem importância? Olhe, se em França o mandarem levar no pescoço, depois não se queixe!

    • Paulo Marques says:

      Estou à espera da insurgência contra as aulas de música e educação física por não aumentarem o PIB desviado pelo Menos.

    • XAVI F. says:

      O atrofiado bronco com a enjoativa conversa da treta.

  2. Júlio Rolo Santos says:

    André Ventura obriga-me a mudar de sentido de voto porque, pela sondagens de hoje, dão-lhe o segundo lugar. Assim sendo, tenho que dar o meu vota á candidata Ana Gomes para a ajudar a derrotar o demagogo e perigoso André Ventura. De fascismo bastaram-me os quarenta e oito anos salazarista e caetanista. Quem vai ficar prejudicado com esta minha mudança de voto é o candidato Vitorino Silva, o famoso Tino de Rans.

  3. Filipe Bastos says:

    Admitindo que o Ventura não é estúpido, sabe perfeitamente que isto só o encosta mais à extrema-direita que passa a vida a negar.

    Pode alegrar a carneirada do Chega, mas deve alienar muita gente. Ora o Ventura quer é mama, logo porquê afugentar botinhos?

    Nestas eleições o PCP e o BE parecem os capitalistas, gastam mais que todos. Reparei que um cartaz do Ventura perto do Colombo foi vandalizado: rasgaram-lhe a cara e o slogan. A poucos metros, cartazes do João Ferreira e da Marisa Matias. Intactos.

    • POIS! says:

      Pois olha!

      Afinal o respeito do Sr. Bastos pelos “FDP” é igual ao que imputa gratuitamente aos outros.

      Vai “ficar registado”, não vai? Sim, o Sr. Bastos é um tipo tão importante, tão importante, tão importante, que até regista coisas. Estará talvez colmatar a falta de um serviço que existia lá por Lisboa, mas com delegações em todo o país, e que fechou num dia em que não aconteceu nada que se comemore e que acabaram por transformar num condomínio.

      Quanto ao incidente dos cartazes? Não me diga! É o DRAMA! O HORROR! A TRAGÈDIA!

    • Paulo Marques says:

      Quem não se desloca para falar para os trabalhadores que despreza gasta menos. Fora isso, são projecções, não são contas finais.


  4. Não voto Ventura, nem votaria Le Pen, mas o autor deste post devia informar-se melhor sobre o sentido de voto da comunidade portuguesa em França (que, contando naturais e luso-descendentes totaliza um milhão, e não meio milhão de pessoas, – essas são os que APENAS têm a nacionalidade portuguesa). Dado que, em França, é proibida a recolha desses dados estatísticos, é uma análise empírica (e, também, baseada no número de apelidos lusos nos candidatos a postos políticos, antes de mais autárquicos), mas é conhecido que a FN é um partido com enorme adesão entre a nossa comunidade. E é natural, pois os emigrantes são pessoas que arriscaram tudo, que trabalham de sol a sol, que criaram empresas e postos de trabalho (desde logo, o seu), e não encostados que ficaram por esta parvónia à conta de tachos, empregos faz-de-conta, ou esmolas. Assim, tal como os brasileiros em Portugal votaram, em maioria esmagadora, em Bolsonaro, também os portugueses em França votam em partidos da direita demagógica e “anti-sistema”. E o interesse da comunidade portuguesa no ensino do português é mais do que duvidoso (excepto para os daqui, que querem ser contratados para dar aulas), dado que a maioria nem sequer o fala em casa com os filhos, por entender (mal, a meu ver, mas a minha opinião não interessa para nada) que isso prejudica a sua integração na sociedade francesa. Aconselho umas tardes à conversa em qualquer tasca de qualquer aldeia do concelho do Sabugal, no próximo mês de Agosto, antes de voltar a escrever sobre este assunto (e desenferruje o seu francês).

    • Daniel says:

      “E é natural, pois os emigrantes são pessoas que arriscaram tudo, que trabalham de sol a sol, que criaram empresas e postos de trabalho (desde logo, o seu), e não encostados que ficaram por esta parvónia à conta de tachos, empregos faz-de-conta, ou esmolas”
      Hahahahaaa… ariscam tudo, arriscam… alguns vão fugidos – cheios de dívidas e de gente atrás deles…
      Nem tudo é como a tua parvónia ou a tua comunidade e os portugueses a votar na Le Pen, são uma minoria e, normalmente são aqueles “avecs” que não sabem ler/escrever…
      Já agora, o partido chama-se Rassemblement National

    • Filipe Bastos says:

      A sua visão dos emigrantes é de facto algo romântica: ficou algures nos anos 60, quando arriscavam muito mais por muito menos. Ainda há desses emigrantes, portugueses pobres que se arriscam e fazem sacrifícios, mas não será a norma.

      Além dos que vão fugidos, como diz o Daniel, a norma é malta com canudo que vai mamar belos salários em países ricos. Países que já eram ricos sem eles.

      É legítimo querer ganhar mais, ou abandonar esta bandalheira corrupta em forma de país. Mas servem-se dele para o que lhes convém, e vão depois produzir e pagar impostos para países melhores. Pode ver-se nisto certo oportunismo e falta de brio.

    • Paulo Marques says:

      Em Portugal, EUA e por aí fora não faltam idiotas em votar em quem acha que quer saber deles e do que ganham. Outra coisa é ouvir o que dizem, fazer as contas, e saber que não são milionários temporariamente embaraçados.

  5. Luís Lavoura says:

    (1) Que eu saiba, em França não há ataques xenófobos contra imigrantes portugueses.

    (2) Marine Le Pen sempre manifestou (tal como, aliás, a quase totalidade da população francesa, junto da qual os imigrantes portugueses gozam de grande prestígio) apreço pelos imigrantes portugueses e nunca os atacou.

    Aquilo contra que Marine Le Pen se manifesta não é o ensino do português em França, mas sim esse ensino ser pago pelo Estado francês.

    Já agora: o João Mendes é favorável a que os imigrantes nepaleses, bengalis e chineses em Portugal disponham de aulas dessas línguas pagas pelo Estado português???

    • POIS! says:

      Pois tá bem!

      Não há ataques xenófobos contra emigrantes portugueses. Tá tudo bem!

      Só contra marroquinos, tunisinos, argelinos, e outros, pretos e assim. Tudo bem, não é nada connosco!

      E contra judeus, vivos e mortos. Mas tudo bem, não é nada connosco!

      E os fornos crematórios nunca existiram. Morreu lá algum português? Dois ou três, mas eram pouco católicos. E estavam doentes. E foi no único dia em que os fornos estiveram em funcionamento.

      E realmente a Le Pen não quer proibir um pai de ensinar Português ao filho. Desde que seja lá em casa, tá tudo bem.

      E ensinar português a um francês tem alguma utilidade? Para quê? Uma língua que só meia-dúzia fala? Francamente!

      Ou vamos ter de ensinar, também cá, francês nas escolas? Francamente! Os que chamam ao queijo fromagem? E à carne vianda?

    • Pimba! says:

      E qual é o problema disso?
      Na sempre aclamada Finlândia, por exemplo, o Estado paga o ensino da língua materna a todo e qualquer filho de imigrantes, com 10 crianças por turma. Há escolas com 1 turma, há escolas com 5 turmas, quantas forem necessário.
      Sim, todos. De nepaleses a bengalis, passando por chineses.
      Até portugueses!

      O LLavoura é contra isto?

      • Luís Lavoura says:

        A Finlândia que faça como quiser. A França, idem.
        Eu discordo de que o Estado português gaste dinheiro a ensinar a língua materna aos filhos dos imigrantes.

        • POIS! says:

          Pois estou cada vez mais estarrecido. E esclarecido!

          O ensino do Português é só para lusodescendentes?

          E deve o Estado português gastar dinheiro com o ensino da língua materna dos franceses? Comigo gastou que se fartou! É horrível, sr, Lavoura, simplesmente hó-rrível!

  6. JgMenos says:

    Não há por aí um Instituto Camões para divulgar e promover a Língua Portuguesa?

    Deve estar subfinanciado, que o que se precisa são de observatórios para acomodar a boiada.

    • POIS! says:

      Pois já se cá sabia!

      Que, se a ignorância pagasse imposto, V. Exa. estava todo carimbado. Embora em matéria de línguas V. Exa. seja uma verdadeira autoridade, principalmente na de porco, mas também na de vaca.

      O que é que tudo isto tem a ver com o Instituto Camões?
      Não se ensina francês em Portugal? E inglês? E castelhano? E português em Espanha? E português na Roménia, no ensino secundário? Não se ensina mandarim em Portugal (e não a imigrantes chineses, porque a maioria nem sequer o usa)? Algum Instiuto Camoens, Camoñes ou Camones paga isso?

  7. estevesayres says:

    Como diria o saudoso jurista Arnaldo Matos ;”isto é tudo um putedo”!

    • POIS! says:

      Pois pois!

      É pena que seja tudo o que restou de uma vida a mandar papaias pseudomarxistaleninistas.

      É como se de Marx restasse algo como “outra vez a chover?Porra!”.

  8. whale project says:

    Um velho francês dizia dos portugueses que eram “demasiado modestos”. E porquê? O velho continuava “são como os bois, pões-lhes a carga em cima e eles puxam, sem dar um pio”. É por isso mesmo que há alguns que votam na Le Pen. Porque se julgam superiores a pretos e mouros, mais dados ao protesto e a não se deixar chupar até ao tutano, porque se fosse para isso tinham ficado na terra deles e não tinham muitos arriscado a vida no mar.
    Sim, os tugas trabalham de sol a sol e desprezam não só pretos e mouros mas também os franceses, que acusam de não querer trabalhar. Já trabalhei em França, tive um incidente com um chefe que era um cão, fui defendida por outros colegas franceses e uma da minha raça só soube dizer que o homem tinha o direito a dizer a barbaridade que tinha dito porque era o chefe. É dessa massa de escravos que são os portugueses e por isso acredito que o dia 24 vai acabar muito mal. Queira Deus que me engane.

    • Daniel says:

      De que raça és?!

    • Filipe Bastos says:

      Não sendo uma característica exclusiva dos portugueses, é verdade que a vasta maioria assim é.

      Carneirada. Vê-se pelas ditaduras saloias que aguentaram, vê-se pela classe pulhítica que toleram há 50 anos.

      Um país de cornos mansos que se deixam chular, roubar e gozar sem jamais se revoltar. Até o sagrado 25/4 foi um mero golpe corporativo de militares a defender o tacho.

      • POIS! says:

        Pois, pois.

        Militares esses que foram uns mal-agradecidos. Depois de lhes terem oferecido umas generosas estadias na praia, cerveja e lagostas a rodos e uns safaris muito divertidos em África, ainda se foram revoltar, os manhosos. lamentável!

    • Paulo Marques says:

      etnia. Quando muito.


  9. “Até o sagrado 25/4 foi um mero golpe corporativo de militares a defender o tacho.”

    Deve ser por isso que o mero golpe tinha um programa político completamente escrito e conhecido entre eles meses antes do golpe.

    Realmente a JSN não entrou em funções logo no dia 25/04 a libertar presos políticos.

    Fizeram o golpe e foram beber umas bejecas depois de terem conseguido defender o tacho.

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