25 razões para não votar André Ventura

Hey, eleitor português revoltado com o estado a que isto chegou, também és daqueles que acha que o Chega é a solução para os nossos problemas? Pois bem, então aqui fica uma lista daquilo que apoias com o teu voto, se o decidires entregar a André Ventura:

  1. Apoias o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde. Está no programa do Chega. Sim, também estás a votar nisso.
  2. Apoias o desmantelamento da Escola Pública, a privatização de escolas e universidades. Está no programa do Chega. Sim, também estás a votar nisso.
  3. Apoias um partido que quer castração química de pedófilos, apesar de ter proposto, no ano passado, a descriminalização de abusos sexuais a crianças entre os 14 e os 18. Os pedófilos podem ficar sem tesão, mas poderão sempre abusar daquela miúda de 15 anos, que parece ter 20, sem que ninguém se possa chatear por isso. Sim, também estás a votar nisso.
  4. Apoias um candidato que vê com bons olhos que se cortem as mãos aos ladrões, o que é óptimo para os apreciadores da Idade Média e dos maravilhosos regimes totalitários do Médio Oriente, aqueles que financiam terroristas com bombas e tal. Sim, também estás a votar nisso.
  5. Apoias um partido onde existe quem defenda remoção compulsiva de ovários para mulheres que decidam abortar, o que também é espectacular, porque o sexo é só para reprodução e há que castigar essas galdérias que decidem abortar. Lembra-te, contudo, que a próxima proposta poderá passar por te arrancar os tomates pelo mesmo motivo. Sim, também estás a votar nisso.
  6. Apoias um candidato financiado por César DePaço, um português que foi acusado de furto qualificado pela justiça portuguesa e fugiu para os EUA até o crime prescrever. Sim, também estás a votar nisso.
  7. Apoias um candidato que quer acabar com quem anda “a mamar”, mas que não tem tomates para abrir o bico sobre as dívidas do seu amigo Luís Filipe Vieira, top 3 dos maiores caloteiros deste país. Sim, também estás a votar nisso.
  8. Apoias um candidato que fala em 20 ou 30 pedidos anuais de asilo de migrantes do norte de África e do Médio Oriente, como se de uma invasão de milhares se tratasse, não porque seja verdade, mas porque precisa de um inimigo comum para mobilizar pelo medo. Se não forem os migrantes são os ciganos, os negros, as feministas, os gays, a esquerda ou a comunicação social. Apoias, no fundo, um candidato que recuperou a velha técnica de dividir para reinar, que, como sabes, funcionou maravilhosamente com Adolf Hitler. Sim, também estás a votar nisso.
  9. Apoias um candidato que quer confinar uma etnia, censurar o Twitter e derrubar a ordem constitucional. Lembra-te que hoje são os ciganos, o Twitter e a Constituição, amanhã és tu, o Facebook e todos os teus direitos fundamentais, que isto tem que ser uns de cada vez. Sim, também estás a votar nisso.
  10. Apoias um candidato que se diz escolhido por Deus. Se és católico, a heresia em si deveria ser suficiente para te afastares deste aldrabão. Se não és, devias fazê-lo por gozar com a tua inteligência. Sim, também estás a votar nisso.
  11. Apoias um candidato que elogia o salazarismo, que recrutou altos quadros do partido em movimentos neo-nazis, e que tem, dentro de portas, condenados por crimes violentos. Se gostas de ditaduras de extrema-direita, estás no bom caminho. Se vais dizer que também não gostas de ditaduras de extrema-esquerda, digo-te o seguinte: eu também não. Mas o teu whataboutism não vai mudar a realidade. Sim, também estás a votar nisso.
  12. Voltando à comunicação social, que foi quem deu palco a André Ventura e lhe permitiu crescer, caso contrário ainda não tinha saído do PSD, importa sublinhar que apoias um candidato cujo director de campanha classificou a imprensa de inimiga do Chega, na mesma noite em que militantes do Chega vandalizaram uma viatura da RTP. Apoias, no fundo, o regresso da censura e o controle da comunicação social pelo regime, não muito diferente daquilo que faz Nicolás Maduro. Sim, também estás a votar nisso.
  13. Apoias um candidato que tentou convencer o país que metade do país trabalha para sustentar a outra metade. E, perdoa-me a franqueza, e a incorrecção política, mas é preciso ser um bocado alheado da realidade para comer um absurdo destes. Sim, também estás a votar nisso.
  14. Apoias um candidato que ajudou milionários a fugir aos impostos, como o antigo patrão de José Sócrates, Lalanda e Castro, que, com o inestimável contributo de André Ventura, escapou ao pagamento de 1 milhão de euros de IVA. Sim, também estás a votar nisso.
  15. Apoias também um candidato que quer que os ricos paguem menos impostos e que os pobres paguem mais. Repito: mais impostos para os mais pobres, menos impostos para os mais ricos. Ou tu achas que a elite que o apoia e financia o faz porque gosta muito dos seus lindos olhos? Sim, também estás a votar nisso.
  16. Apoias um candidato que quer acabar com os sindicatos. Incluindo os afectos às forças de segurança. Se achas que isto não tem importância, perde cinco minutos da tua vida a investigar a luta que os nossos polícias tiveram pela frente para o conseguir. Ou vê o testemunho do PSP reformado que está na origem do Movimento Zero, que se ofereceu para a segurança pessoal de André Ventura, achando que o deputado o defendia, até ler o programa do Chega e descobrir que o objectivo é acabar com o sindicato pelo qual lutou. Sim, também estás a votar nisso.
  17. Ainda sobre a polícia, essa grande bandeira do Chega, importa recordar que apoias o candidato que não só quer acabar com os sindicatos das forças de segurança, como quer privatizar a Saúde e a Educação. Com os salários que recebem, como irão os policias pagar por Saúde ou pela Educação dos seus filhos, mais ainda quando André Ventura quer acabar com a organização sindical que defende os seus direitos? Sim, pessoa que está a pensar votar no Chega: o Ventura está-se a cagar para os polícias, que, para ele, não passam de um meio para atingir um fim. Sim, também estás a votar nisso.
  18. Apoias um candidato que faz do securitarismo uma bandeira, apesar de vivermos num dos paises mais seguros e com taxas de criminalidade violenta mais baixas do mundo. Lamento, uma vez mais, mas é preciso comer muito sono para engolir esta merda sem mastigar. Sim, também estás a votar nisso.
  19. Apoias um candidato que se diz anti-corrupção e anti-sistema, mas que é dos poucos deputados actualmente sob investigação da Polícia Judiciária, pela alegada contratação de um assessor fantasma. Que tem na cúpula do partido malta ligada ao escândalo BES, aos Panama Papers, a contratos milionários com o Estado, por ajuste directo, e aos mais variados esquemas de evasão fiscal. Que faz reuniões exclusivas, nos melhores hotéis do país, com a nata empresarial e financeira que vive às custas dos teus impostos. Anti-sistema é o Tino de Rans. O Ventura é o sistema, versão salazarismo evangélico. Sim, também estás a votar nisso.
  20. Apoias um candidato que passa a vida a falar sobre aqueles que andam a mamar e que tem, nada mais, nada menos que seis assessores. Seis.
  21. Apoias um candidato que, sobre a corrupção, limita o seu discurso a Sócrates e ao PS. Quantas vezes ouviste André Ventura a falar em grandes casos de corrupção, tráfico de influências ou evasão fiscal, como Monte Branco, Operação Tutti Frutti, Panama Papers ou todos os casos que envolvem o Benfica? Pois foi, ouviste zero. Sim, também estás a votar nisso.
  22. Apoias um candidato que, antes de chegar ao Parlamento, fez campanha contra os deputados que não exerciam a função em exclusividade. E que garantiu que abandonaria todas as outras funções no dia que fosse eleito. E que demorou quase dois anos a cumprir, sendo a empresa onde ajudava milionários a fugir aos impostos, com o conhecimento adquirido nos seus anos na Autoridade Tributária, foi a última que abandonou. Haverá algo mais anti-sistema que ajudar milionários a fugir aos impostos através de paraísos fiscais? Sim, também estás a votar nisso.
  23. Apoias um candidato que, no ano passado, quando o Parlamento votou propostas para agravar penas para criminalidade fiscal e financiamento ao terrorismo, se teve que ausentar do Parlamento. Muito conveniente, não achas? Sim, também estás a votar nisso.
  24. Apoias, aliás, um candidato que passa a vida a faltar ao trabalho, para andar na rua a mandar trabalhar os outros. Sim, também estás a votar nisso.
  25. Apoias um candidato que idolatra Bolsonaro e Trump, o autor moral do atentado terrorista contra o Capitólio, e cujos aliados internacionais são Marine Le Pen, do partido que odeia as centenas de milhares de emigrantes portugueses, chegando mesmo a ameaça-los de morte, e Matteo Salvini, conhecido por ser um fanboy facho de Vladimir Putin (tal como Marine) e de Santiago Abascal, o franquista espanhol. Sabem o que têm em comum todas estas pessoas, para além de beijarem o anel ao Putin? Odeiam a democracia e as instituições que fizeram da Europa o espaço mais próspero do planeta. Sim, também estás a votar nisso.

Era isto, cara pessoa que ainda pondera votar André Ventura. E, antes que digas que os outros são iguais, reflecte sobre isto: se são todos iguais, porque é que escolhes aquele com a agenda mais violenta, o que te quer tirar mais direitos e liberdades e o único determinado em reinstalar uma ditadura?

Pensa nisso. E lembra-te que hoje são os ciganos, os gays e as feministas, amanhã podes muito bem ser tu. E não te esqueças da caneta quando fores votar.

Comments

  1. Abstencionista says:

    “Hey” João Mendes, por esta ordem de ideias também arranjo uma lista para não votar nos outros candidatos.
    V/ sabe que muitos dos itens dessa lista são “fait divers”
    Mas concordo consigo quanto ao SNS, à escola pública e aos sindicatos.
    Só isto Chega para não votar Ventura.

  2. Filipe Bastos says:

    Interessantíssimo. Bem precisávamos deste post sobre o Ventura. É tão raro aqui falar-se dele.

    Entretanto, por mero caso, descobri a notícia mais importante que li este ano. Saiu ontem no DN. O link não deve passar no Akistreta, mas pelo título encontra-se bem:

    23 ANOS DE TESTES E NENHUM RESULTADO. PORQUE NÃO AVANÇA O VOTO ELECTRÓNICO?

    Eis, caros, o único futuro possível da democracia. Já não deve ser no nosso tempo; não se a canalha pulhítica o puder impedir.

  3. Filipe Bastos says:

    Interessantíssimo. Bem precisávamos deste post sobre o Ventura. É tão raro aqui falar-se dele.

    Entretanto, por mero caso, descobri a notícia mais importante que li este ano. Saiu ontem no DN. O link não deve passar no Akistreta, mas é fácil de encontrar pelo título:

    23 ANOS DE TESTES E NENHUM RESULTADO. PORQUE NÃO AVANÇA O VOTO ELECTRÓNICO?

    Eis, caros, o único futuro possível da democracia: o único que permite dar as decisões a quem as paga. Já não deve ser no nosso tempo; não se a canalha pulhítica o puder impedir.

  4. Kari Guergous says:

    Obrigada! Vou partilhar o seu texto no meu Facebook.

  5. JgMenos says:

    «cara pessoa que ainda pondera votar André Ventura.»

    O Ventura não será eleito Presidente da República.
    O que ele seja ou não seja relevam para as legislativas.
    Agora, para manifestar que está farto da esquerdalhada que imbeciliza o país há 46 anos: VOTA VENTURA!

    • JgMenos says:

      Nota: não li o processo de intenções em 25 passos de tradicional intrusão esquerdalha em tudo que não siga a sua cartilha.

      • POIS! says:

        Pois não leia!

        O seu coração pode não aguentar! Quem já se tem de abster de tudo, como é o caso de V. Exa, não pode arriscar. Duas linhas apenas e poderia ser fatal.

        Particularmente aquela de o Venturoso se intitular um “escolhido de Deus”. Ao contrário do que diz o João Mendes, eu tendo a aceitar que é verdade.

        Quando alguém escolhe qualquer coisa, e Deus não deve ser exceção, fica com o que quer e manda muita merda fora. Foi o que aconteceu: despejaram o caixote e agora temos de gramar com o Venturoso.

        Lá por cima ainda não estão muito sensibilizados para a reciclagem. Azar o nosso.

    • Paulo Marques says:

      46 anos de vitórias, chegando a isto, e o problema é não ter destruído mais. Certo.


  6. Hey João Mendes… e que tal colocar link para deixar as pessoas ler e decidir pela sua própria cabeça?

    https://partidochega.pt/programa-politico-2019/

    Depois de ler, e imagino o choque de muita gente quando e se o fizer pela quantidade que vai concordar, as pessoas que são adultos e assim o entender amanhã votam.

    https://barradeferro.blogs.sapo.pt/free-speech-82713

    • POIS! says:

      Pois não sabia!

      Que os extraterrestres já têm direito de voto! E a fazer campanha!

      Não há dúvida que V. exa. vem de algures no universo. E a prova é que escreve num português do outro mundo.

    • Filipe Bastos says:

      Obrigado pelo link. Tal como muitos têm dito, está realmente lá isto: “Ao Estado não compete a produção ou distribuição de bens e serviços, sejam esses serviços de Educação ou de Saúde, ou sejam os bens vias de comunicação ou meios de transporte”.

      Ou seja, aquilo de que acusam o chuleco Ventura: quer acabar com o SNS, com a escola pública, pelo visto até com estradas e transportes públicos.

      Algum comentário, Olympus?


      • Comentar? – Sim. Houve uma altura em que “competia ao estado as comunicações”. Por isso, para ter um número de telefone você esperava 2 horas em fila, tal como hoje espera por ser atendido no hospital publico do SNS. Isso para ter o número, depois era um mês para ter o telefone. Depois, o estado decidiu que “não compete a produção ou distribuição de bens e serviços” de comunicações e fomentou a concorrência e os serviços privados… e os portugueses em 10 anos passaram a ter dos melhores serviços de comunicações do mundo. E mais giro, os pobrezinhos passaram a ter os mesmos serviços de comunicação que os ricos. Não é maravilhoso o capitalismo?

        Agora, volte ao início e substitua comunicações por serviços televisão e….

        Quão burro tem que ser um povo, ou melhor quantos mais exemplos precisa, para aprender? E você, porque não aprendeu ainda?

        • Paulo Marques says:

          Não só não temos dos melhores, como é dos mais caros. Boa piada. Eu ria-me, até porque se me engasgasse não precisava de 2000€ para chamar uma ambulância onde discutiria qual o médico coberto pelo seguro, se o patrão quisesse pagar um, mas os 63 cortes eficientes para liberalizar a coisa correram um bocado mal e são perigosos que chegue.

        • Jorge says:

          Se é por uma questão cognitiva ou limitação ideológica, desconheço. Mas é muito simples de constactar e entender que nesse seu Olimpo com serviços exclusivamente privados cheios de qualidade, em que o Zeus seja um pelintra sem autoridade, a coisa acaba com os deuses refastelados no templo a curtirem os serviços, enquanto os meros mortais chafurdam nas cavalariças a limpar a caca dos cavalos, com smarthphone sem saldo no bolso. Ou colocando de outra forma, já que há quem pareça estar alheado da realidade, convém relembrar que o telemóvel, a net e a tvcabo são giros, mas há vida e despesas para além disso. O país está cheio de famílias que todos os meses se veem à rasca para conseguir pagar ( os que conseguem ) renda, água, eletricidade, comida e outras coisa que até os pobrezinhos consomem. Educação, Saúde e Vias públicas, os pobrezinhos vão tendo porque é público. No dia em que desgraçadamente seja privado, Educação e Saúde serão para ricos e remediados. É uma questão de filosofia, que aos bem pensantes neoliberais parece escapar. Serviços como Educação ou Saúde, na perspectiva pública, são direitos, e o serviço que prestam é numa lógica de “para cada um conforme a sua necessidade”, pagando cada um, com os seus impostos, “conforme a sua possibilidade”. Na maravilhosa lógica do privado, a saúde, tal como a educação ou o trabalho e tudo o resto são meras mercadorias cujo fim máximo é gerar lucro para os acionistas. Tudo o resto é acessório. Um hospital público não pode nem deve ter uma lógica mercantilista. Trata quem tem que ser tratado da melhor forma possível, independentemente do doente chegar lá de autocarro ou BMW. Não é suposto sequer dar lucro. Em última análise, é suposto no imediato dar prejuízo, porque o prejuízo de hoje a tratar cada doente é o investimento num futuro com uma população mais saudável. Já no privado, só tem que dar lucro. No privado o doente é, acima de tudo, um cliente. No encerramento de contas, a coisa tem que dar lucro. A preocupação dum hospital privado com a saúde colectiva é zero. A coisa é, simplesmente, negócio. Pegando nas palavras da sua rica amiga Isabel Vaz, “melhor negócio que a saúde, só o armamento”. Nesta frase está toda uma visão da coisa. Na educação privada a lógica é exactamente a mesma. A escola pública é suposto dar prejuízo porque é um investimento no futuro. O “lucro” virá só passado uma década ou mais, quando aquele meio palmo de gente que entrou para o 1º ano crescer e começar por sua vez a contribuir. Se dúvidas houver para tirar conclusões fundamentadas, no Eldorado do liberalismo, os EUA, a Educação, sendo pública, permite que mesmos os filhos dos mais pobres tenham acesso à escola. A coisa nem sempre funciona bem, mas funciona. Nos EUA do deus do privado, qualquer pessoa, mesmo pobre, pode chamar os bombeiros ou a polícia. Mesmo o carro mais pobrezinho pode circular nas estradas. No farol do capitalismo, tudo isso é público. A Saúde, nos EUA, é privada… E é o que se sabe…
          Claro que para o bom neoliberal as brutais desigualdades de acesso são um detalhe displicente. É preciso é haver serviços de qualidade. O facto de parte substancial da população não ter acesso igualitário a esses serviços é um pormenor que não lhes tira o sono. Veem com horror, nos seus piores pesadelos, um mundo onde os serviços não estejam ao nível dos portadores de VisaPlatina, mas ao nível de qualquer pelintra com Multibanco. Porque nesse mundo, todos, mas mesmo todos, possam ter acesso aos serviços de forma igualitária. Em resumo, prefiro uma sociedade em que tenha que esperar umas horas para ser atendido, mas sabendo que todos os outros terão também direito a ser atendidos, do que um em que espero cinco minutos, sabendo que boa parte dos meus concidadão nem sequer terão acesso ao mesmo serviço. Quem acreditar que um mundo sem serviços públicos é mais eficiente, espere até todos os hospitais e todas as escolas serem privadas, e verá que, com todos os clientes agarrados pelos “ditos” e sem alternativa, os preços a subir e a qualidade descer, mexendo na mobilidade social da classe média, com felizardos a conseguir escalar para o topo, e com outros a espalharem-se no caldeirão da plebe, quando a massa já não chega para pagar os “serviços de qualidade”. Essa queda de qualidade e subida de preços é o que aliás já se vai passando em muitas clínicas e hospitais privados, principalmente nas situações a que o público já não responde.
          Enfim, continua a surpreender-me que os neoliberais classe média não aprendam, por mais ofuscante evidência que a história lhes enfie pelos olhos, que o Shangri-la com que sonham, se um dia chegar, os vai deixar quase todos à porta, de braço dado com a plebe que tanto desprezam.

          • Filipe Bastos says:

            Jorge, não leve a mal, mas v. não é fácil de ler. A font aqui é pequena, o espaço exíguo, sem parágrafos fica um longo lençol de texto.

            Se resumir mais e dividir em parágrafos ajuda.

        • POIS! says:

          Que fábula maravilhosa!

          A da magia feita pelos privados nas comunicações telefónicas. Quando surgiram, partindo do nada, desataram logo a desenrolar cabos (antes era tudo à base de cordéis), a espalhar aparelhos por onde se falava, (antes era tudo através de pombos correios, e em código morse), a esburacar as ruas para ligar postos (antes só se esburacavam para servir de latrinas e bebedouros para os cavalos) e colocar aqueles armários de rua, que antes serviam para guardar arreios, enxadas e coisas assim. Tudo feito a partir, rigorosamente, do nada. Do nada!

          E assim o país deixou para trás a era dos arautos e entrou no maravilhosos mundo da internet.

      • Filipe Bastos says:

        Dos melhores serviços? Não sei se melhores, mas de certeza dos mais caros da Europa. Somos chulados à tripa-forra e a dobrar; pelo Estado e pelos mamões privados.

        Olympus, a ver se nos entendemos: nada contra a iniciativa privada, sou um privado. E o primeiro a criticar este Estado incompetente, negligente, prepotente, chulo e corrupto.

        Mas o Estado é uma coisa; o bem comum (infelizmente) é outra. O Estado é quem o gere. Décadas de pulhíticos, pseudo-gestores e relaxe criaram o Estado que temos.

        Não acredito nem defendo este Estado. Mas acredito no bem comum. E tem de haver uma entidade que por ele zele, e que regule, que mantenha a ordem, que crie e aplique as leis, etc. Sem Estado, tem a Somália.

        Com isto v. e o Ventura concordam; mas discordam no bem comum. Só querem o Estado, sejam claros, para defender a propriedade. O resto fica à lei da selva.

        Eu rejeito a lei da selva. Não por querer colinho do Estado, como vocês costumam dizer, mas porque temos de evoluir e não de regredir.

        Sou igualitário, desprezo a ganância, o egoísmo, a escolha fácil e fruste de fazer só o que nos convém, a obsessão infantil de acumular riqueza, de ter os brinquedos todos, e depois mascarar isso como uma grande escolha filosófica.

        • Paulo Marques says:

          Ora bem, os liberecos não querem um estado mínimo, senão não haviam rendas, polícia a proteger-lhes a propriedade, ou mercados de derivados de derivados de derivados espalhados à força.

        • Jorge says:

          Paulo Marques. Reconheço e aceito a crítica. Infelizmente o tempo não é muito e limito-me a escrever ao correr da pena. Não tive tempo para revisões. Obrigado.

    • brasucaprobrasil says:

      Olympos

      Tens pinta de brasuca, como tal só dizes merda

  7. Anti_Ventira says:

    Pelo excelente artigo e a todos os comentários inerentes …. sim vou votar Ventura.

    • POIS! says:

      Pois muito bem!

      Como diz o povinho, lá na minha terra “podes levar um burro á água, mas não podes fazê-lo beber”. Pelos vistos, V. Exa. não está com sede, e não há nada a fazer, pelo que se confirma o que diz o povinho. Lá na minha terra.

  8. Jorge says:

    A lista é interessante e esclarecedora. Apela à razão e racionalidade. Logo será, infelizmente, ineficaz a atingir o alvo pretendido.