André Ventura, o português “de bem” que profanou uma missa fúnebre para fazer propaganda eleitoral

Esmiuçar o percurso e o modus operandi fundamentalista de André Ventura é uma missão quase impossível, na medida em que as ventiras, menturas e andrebices se sucedem, as ameaças à democracia são uma constante, o discurso renova-se diariamente de novos chavões absurdos e fanáticos, e a lavagem cerebral que a máquina de propaganda do Chega tenta impor ao país é incessante e de recursos quase ilimitados. Ser financiado pela elite do sistema tem as suas vantagens.

Podemos falar de inúmeros casos, das assinaturas falsas entregues ao Tribunal Constitucional ao programa que prevê o desmantelamento do Estado Social, passando pelas ligações a criminosos, a militantes de organizações violentas, com provas dadas em espancamentos e até assassinatos de ódio, ou à elite financeira e económica, apesar da anedótica narrativa anti-sistema e anti-elites, onde não faltam as ligações ao caso BES, aos Panamá Papers ou a contratos públicos de milhões de euros com o Estado, via ajuste directo. Podemos falar no estilo decalcado do terrorista que ontem cessou funções na Casa Branca, na hostilização de jornalistas, com viaturas vandalizadas à mistura, na normalização do ódio, do racismo, da xenofobia ou da retórica reles, grosseira e ordinária, reveladora de um André Ventura com distúrbios de personalidade, que num dia afirma que o insulto é a arma dos fracos, para no outro dia chamar “avô bêbado” a Jerónimo de Sousa ou boneca insuflável a Marisa Matias. Podemos ficar horas nisto, revistar o cigano que não é cigano, a promessa da não-acumulação de funções, a ligação a fundamentalistas evangélicos, o clima de medo, intimidação e lei da rolha no seio do seu partido ou a validação do discurso anti-científico e negacionista da pandemia ou das alterações climáticas.

Podemos ficar horas nisto.

Mas não precisamos. Toquemos apenas neste ponto, que, no fundo, é a cereja no topo do bolo do embuste que são o Chega e o político profissional André Ventura: ontem, durante uma acção de campanha, André Ventura entrou por uma igreja dentro, com missa a decorrer, com os seus operadores de câmara e som, com os seus assessores e seguranças gigantescos, para criar conteúdos para as redes sociais. O homem que se diz defensor da moral e dos bons costumes, o homem que se respeitador da fé dos homens e que se apresenta como tendo sido escolhido por Deus, o homem que se propõe liderar os portugueses de bem, seja lá o que isso for, desrespeita uma celebração religiosa em curso, que invade sem um pingo de vergonha na cara, e porquê?

Porque é crente?
Porque respeita a fé católica?
Porque foi escolhido por Deus?

Não, nada disso.

André Ventura fez tudo isto para criar conteúdos para as redes sociais, a sua verdadeira igreja, onde, qual ditador totalitário do século passado, promove o culto da sua própria imagem e alimenta o seu egocentrismo ultranarcisista, sem olhar a meios para atingir os seus próprios fins. E, sem vergonha na cara, viola a santidade da celebração religiosa, profana a casa de Deus e cospe na fé daqueles que a têm, num momento em que estão prestes a não poder regressar ao seu templo de oração por tempo indetermina. Não há nada de religioso, muito menos de patriótico ou de bem numa atitude destas. Apenas um político com ambições pessoais de poder, capaz de atropelar tudo e todos na sua ânsia autocentrada de se tornar no próximo Salazar.

No meio de tudo isto, uma senhora, visivelmente incomodada, informa um elemento da comitiva de André Ventura:

O senhor não se importa de parar de filmar? É que isto é a missa pela alma da minha mãe!

Eis os portugueses de bem, versão André Ventura: políticos profissionais egocêntricos e narcisistas, que não olham a meios para atingir fins pessoais, nem que isso implique desrespeitar a memória da pessoa por quem a missa que invadiram está a ser celebrada.

Não, André, Deus nunca escolheria alguém capaz de fazer isto.

És uma fraude sem vergonha na cara.

Comments

  1. Albano de Campos says:

    De 1 escroque fascista e fascizante, RESPEITO, não faz parte do seu léxico !
    Para este energúmeno, o céu é o limite. Como católico, espero k Deus lhe conceda o Inferno !!

  2. joao lopes says:

    Pobre louco,patrocinado pelos mui conservadores e religiosos sites Observador(muito virtuosos ,estes),e pelo blog extrema direita Blasfemias(estes o cumulo da virtude)

  3. Rui Naldinho says:

    André Ventura veio despertar uma direita que sempre existiu no PSD e no CDS, onde se resguardou, depois do fim da descolonização e da estabilização do regime democrático, em 1979.
    O núcleo duro do PSD, tinha uma boa parte daquela gente que se transferiu agora para o Chega.
    Admito que André Ventura alcance o 3.°lugar nestas eleições presidenciais, muito à custa de Marcelo Rebelo De Sousa.
    Quanto a isso nada de anormal. Conheço vários votantes em Marcelo, que desta estão dispostos a “dar o benefício da dúvida a Ventura”.
    Será um sinal para ele próprio, Marcelo, e para as suas tentativas de reunir de novo a direita. Uma direita que sabe não poder alcançar o Poder sem uma grave crise económica, a qual se avizinha.
    Mesmo assim, se de facto as ajudas europeias se concretizarem, pode ser que a direita se fique por mais um período de azia.

    • Paulo Marques says:

      Há uma coisa que Marcelo não se enganou, era preciso o dobro da “ajuda” só para a quebra económica.

  4. Abstencionista says:

    Tenho lido, visto e ouvido tanto escroque jornalista, comentarista, político, etc., com provas dadas de que sabem deitar-se, rebolar e dar a pata a este regime de corruptos, que o Ventura ao lado deles parece o padre Melicias.
    Até dá vontade de votar no homem só para chatear estes sabujos.
    Mas não vou votar!
    Mas se votasse, meus caros aventares, votaria no primeiro do boletim de voto pois foi o único que não mentiu e não insultou durante uma campanha eleitoral que não fez.

    E enquanto não voto fico varado e estarrecido por ser cidadão do país com o maior número de casos e mortes covid do mundo!!!!!!
    (DO MUNDO…perceberam?)

    E estamos com sorte pois somos governados pelo Costa se não iríamos ter em breve os hospitais,as morgues, os crematórios, os cemitérios e as agências funerárias em colapso tal como acontece no Brasil.

    Protejam-se e fiquem em casa.

    • abaixoapadralhada says:

      Abstencionista

      Abstente de dizer merda

      • Abstencionista says:

        Olha ó mata-frades: como é que um atrasado de ideias como tu se atreve a dirigir um comentário a um aventar inteligentíssimo como eu?
        Enxerga-te e vai comentar pró xaralho.
        Bjs


    • “E enquanto não voto fico varado e estarrecido por ser cidadão do país com o maior número de casos e mortes covid do mundo”

      Acho muito bem que um cidadão dos Estados Unidos da América não vote nas presidenciais portuguesas.

    • Paulo Marques says:

      Nem em número (um absurdo), nem em percentagem, nem culpa de um governo que nunca permitiu as festanças que muitos fizeram, e quando os opositores “sensatos” pediam ainda mais liberdade.

  5. JgMenos says:

    BLASFÉMIA!
    Vota ventura!

    • POIS! says:

      Pois não!

      Blasfémia? O João Mendes não disse isso, entendeu mal, ó Menos.

      O que causou desilusão a muita gente foi o facto de o Venturoso não ter prometido aos presentes a ressurreição do defunto. Depois de todas as promessas que fez, e sendo ele tu cá, tu lá, com a divindade, desta vez foi mauzinho. Não se faz!

      Também caiu muito mal ter passado um eternidade a falar com o Afonso Henriques e não ter passado cartuxo ao D. Sancho por este ter doado castelos a tipas de brincar cheias de batom vermelho. Os esquerdeiros, que se acumulam no café do lado, aproveitaram logo para montar uma perfumaria! Um escãndalo.

    • Paulo Marques says:

      Blásfemia é outra coisa…
      “Não terás outros deuses além de mim. “Não farás para ti nenhum ídolo, ne­nhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra. ”
      Mas se for fasço, já está bom.

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