O comportamento de Cristiano Ronaldo foi vergonhoso!

Numa das três ou quatro tiradas avulsas em que despejei nas redes sociais a minha indignação face ao comportamento de Cristiano Ronaldo, pessoa amiga deixou o seguinte comentário:

Mas querias o quê?! Que ele continuasse em campo e não atirasse a braçadeira ao chão, portando-se à altura de um atleta profissional, de 36 anos, que sabe agir com desportivismo e maturidade? Tens cada uma…

Lapidar, ou seja, digno de ser inscrito na pedra – está tudo aqui: a falta de profissionalismo, de desportivismo e de maturidade.

É difícil, em qualquer jogo, com a adrenalina no máximo, manter a serenidade? É, mas aos que devem ser exemplos exige-se que façam o mais difícil. É difícil dominar uma bola que vem com força, é difícil driblar em corrida, é difícil rematar com os dois pés, é difícil saltar a 2,56 metros de altura durante 1,5 segundos e cabecear, é difícil ser o melhor marcador de sempre. É difícil não perder a compostura, quando um golo é mal anulado no último minuto de jogo.

É grave que o português mais conhecido no mundo, ídolo da juventude, abandone o campo e atire com a braçadeira de capitão, como se fosse um menino mimado e malcriado.

Também é grave que uma multidão de adultos apoie este comportamento: pais e filhos, jornalistas e cronistas, recorrendo à habitual conversa da inveja, das conspirações das arbitragens ou da necessidade de defender a tribo, elogiaram o que Cristiano Ronaldo fez ontem. O povo português talvez devesse redireccionar esta capacidade de revolta para outros assuntos e, no mínimo, não elogiar a falta de educação só porque joga por nós.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    A mim custa-me aceitar a desculpabilização da atitude de Cristiano Ronaldo, com base na revolta e na indignação do próprio jogador, como se a braçadeira de Capitão da Seleção Portuguesa tivesse alguma coisa a ver com os erros do árbitro.
    Aceito a indignação, mas não aceito a falta de respeito pelos símbolos. Aquela braçadeira representa todos os jogadores dentro e fora das quatro linhas, convocados para o evento.
    Depois temos os “cagadeiros” da CS, cagam sentenças a toda a hora, desvalorizando a agressividade e a má educação dos jogadores, dirigentes e treinadores, a arruaça das claques e do público em geral, desde que seja no clube ou na seleção deles. Até desvalorizam os erros de arbitragem desde que esse erro tenha beneficiado a sua equipa. Já quando lhes toca no clube do coração, soltam os cachorros todos contra o árbitro.
    O árbitro até ao minuto 90+2 tinha efectuado um trabalho sem grande mácula, pelo que aquela bacorada, no final do jogo, muito por culpa do fiscal de linha, da falta de um VAR, deixou uma marca negativa em todo o seu trabalho, na condução das leis do jogo.
    A pergunta que se coloca é esta:
    Mesmo sendo aquele golo limpinho, Portugal merecia assim tanto a vitória?
    Claro que não.
    É óbvio que podemos sempre perguntar se em vez de Portugal, aquele golo fosse marcado por germânicos, num jogo da Sérvia contra a Alemanha, ou por franceses, num jogo contra a França, o árbitro teria o mesmo raciocínio e frieza?
    Tenho sérias dúvidas. Muitas dúvidas mesmo.
    O Futebol tornou-se numa indústria. Basta ver como são hoje organizadas pela UEFA as competições internacionais entre clubes; em 2024 inicia-se uma nova liga milionária com mais equipas do que as actuais competições, já de si extensas, tudo para facturarem mais uns quantos milhões, em prejuízo dos campeonatos nacionais, e deixando o futebol cada vez mais assimétrico. Por exemplo, o Real Madrid já venceu 3 ou 4 Ligas dos Campeões Europeus, sem ter sido o vencedor da competição nacional que lhe daria acesso. Há países que conseguem colocar 4 equipas na competição internacional mais importante da UEFA.

    • Pimba! says:

      Por mais que goste do Liverpool, lembro que no período em que näo ganhou o título inglês (e foram 30 anos!), já foi a 4 finais, ganhando 2. Palhac,ada!
      Pelo menos o Real Madrid vai ganhando o campeonato espanhol ano sim ano näo…

  2. Filipe Bastos says:

    E pronto, vai ser uma semana inteira a ouvir sobre a birra do bronco mamão favorito da carneirada.

    Claro que atirou o que tinha à mão; calhou ser a braçadeira, porque tirar a camisola dá sanções. E não foi pelo golo de Portugal ter sido anulado; foi pelo golo dele ter sido anulado.

    Falta de respeito pelos símbolos, diz o Naldinho. Como se houvesse algo a respeitar numa massa acrítica de carneiros que idolatram grunhos e prima donnas obscenamente sobrepagas num pseudo-desporto mafioso. Ofendamo-nos, ofendamo-nos.

  3. Rui Correia says:

    Para quem se esqueceu, existem três símbolos da Nação: o hino, a bandeira e a presidência da República. A braçadeira de capitão seja de que modalidade for não faz parte destes três. O argumento disto ou aquilo resulta apenas da importância maior ou menor que se dê ao futebol.
    Na final do euro 2016 o nosso Ronaldo fez exactamente o mesmo e num palco muito mais global como é uma final, ninguém resmungou coisa nenhuma. Estava tudo feliz.
    Aquilo que realmente nos deve indignar é o Ronaldo achar que pode dar o jogo por terminado. Isso é que é inaceitável. A sua justíssima revolta não lhe permite decidir qual é o tempo de jogo. Isso cabe ao árbitro e ao seu treinador.
    Ele pode deitar as braçadeiras ao chão que ele quiser, a toalha é que não. Quem pensa ele que é?

  4. Rui Correia says:

    E no jogo contra a Espanha em 2010, depois daquele maravilhoso golo anulado por causa da (falta de) cabeça do Nani. O mesmo. Fez o mesmo. Quem se queixou? (som de grilos)


  5. Mas o que é que esperavam? Simplicidade, humildade, dignidade, solidariedade? Num oportunista cheio de dinheiro, elevado aos píncaros pela carneirada do negócio do futebol e do capital financeiro? Abram os olhos!


  6. Se há espectáculo para nos animar, nestes tempos tristes, é assistir à justa indignação dos 6 milhões de portugueses, honestos, probos e bem-educados, que se contorcem com a ordinarice do Sérgio Conceição e do Cristiano Ronaldo. A sério, não parem! E, se for possível, liguem a rega e apaguem a luz.

  7. LUIS COELHO says:

    Não aprovo a atitude do cr7, o futebol enoja-me devido ás trafulhices, ladrões e vigaristas que gravitam e fazem fortuna á sua conta!
    Todavia quando eu tinha a idade do cr7, se tivesse a minha vida resolvida e o dinheiro que ele agora tem, o trio que deviam ter visto o golo eram tratados a rigor!

  8. Paulo Marques says:

    É giro ver como a bola roda. Sá Pinto agride Queiroz? Tudo na boa, vai treinar o Sporting com grandes elogios de não ter medo de nada. Ai Jasus empurra um agente da autoridade? Épah, foi o calor do momento!
    Nada de novo, já na década anterior se tinha visto Mourinho passar de perigoso rasgador de camisolas a melhor do mundo só porque cuspiu na sopa.


    • O Sá Pinto agrediu o Artur Jorge. Mas, bem melhor é termos um vice-presidente (ou director, nem sei bem) da FPF que agrediu um árbitro num jogo do Mundial. E, se contarmos os que lhes tiraram cartões ou as bandeirinhas, então, temos meia dúzia, desde o falecido Zé Beto, até ao tranquilo Paulo Bento. Mas a braçadeira no chão, isso é que não pode ser.

  9. esteves aires says:

    Não sou um fanático do futebol… Talvez por ter sido federado quando em jovem… Não concordo com atitude do capitão da seleção nacinal de futebol… Que já pediu desculpas…Mas existem coisas mais importantes no futebol que ninguém se atreve a falar nelas. Porque será?!

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