O rating de schrödinger

As agências de rating, para este leigo que vos escreve, têm a credibilidade de uma Stratton Oakmont. Vocês poderão não se lembrar, mas eu ainda me lembro dos triplos A do Lehman Brothers, que faliu fez esta semana 13 anos. A Moddy’s manteve o rating até ao dia anterior ao colapso.

Não obstante, a opinião das agências da rating é bastante valorizada, no contexto das economias capitalistas, pelo que o anúncio da Moddy’s, que decidiu subir o rating da dívida soberana portuguesa e alterar a perspectiva para “estável”, estará, seguramente, a ser celebrada do lado direito do espectro.

Ou então não. Porque o rating da dívida portuguesa não pode melhorar com um governo do PS que aprova orçamentos de Estado com o PCP. Com os comunistas, com o PAN, com os Verdes ou com as deputadas não-inscritas. Ou, em tempos, com o BE. De maneira que isto só pode ser obra do Soros. Ou dos chineses. Ou do marxismo cultural que tomou conta das agências de rating norte-americanas.

Deixo-vos com algumas considerações da Moddy’s, no esquerdalhíssimo Observador.

Comments

  1. Standard & Poor’s says:

    Os gajos da Moddy’s devem estar com uma “ganda buba”!
    Ora vejam só, aumentaram o rating da dívida Portuguesa, de Baa3 para Baa2, sem perguntarem nada ao Menos, ao Bastos, ao Saraiva, ao Zezé Ferreira, ao Camilo Lourenço, …
    Já não se pode confiar em ninguém, fosca-se!

  2. JgMenos says:

    Quem paga à Moooy’s?

    • POIS! says:

      Pois parece-me…

      que serão os mesmos que lhe pagavam quando os ratings estavam a descer

      Embora eu considere os ratings uma burla organizada (e pior, institucionalizada). Subam ou desçam.

      • Filipe Bastos says:

        Pois tem carradas de razão.

        Só que a pulhítica tem destas coisas: quando os ratings descem a Moody’s é uma burla a ignorar; quando sobem é a prova do ‘bom trabalho deste governo’ – seja qual for o governo, mas é particularmente irónico quando é xuxa.

        Se a UE não fosse um mero grémio de mamões, cada comunicado das agências de rating devia ser seguido de um comunicado da UE, sempre o mesmo: “Estamo-nos a borrifar e cagamos de alto para as agências de rating.”

        • Moody’s says:

          “Estamo-nos a borrifar e cagamos de alto para as agências de rating.”

          Agora falaste bem, Bastos.
          Mas tu ainda dúvidas que a nossa dívida nunca será totalmente paga. Nem metade, quanto mais a totalidade.
          Este país sem dívida, não têm assunto nem tema.
          Antes do 25 de Abril tínhamos uma dívida de merda, e mesmo assim toda a gente se cagava para nós.
          E porquê? Achavam eles que não passávamos de uns miseráveis. Que não lhes dávamos lucro. Uns forretas.
          Agora não. Vê a quantidade de Mercedes, Porches, etc, etc, que circulam nas ruas.

        • Filipe Bastos says:

          Agora não. Vê a quantidade de Mercedes, Porches, etc, etc, que circulam nas ruas.

          Claro: os mamões querem é consumidores, devedores e ‘bons alunos’. Sem eles, onde iam mamar?

          E conseguem-no pela cumplicidade de uma minoria que vai papando umas migalhas, como no imobiliário, e pela apatia da imensa maioria de pobres e remediados que sonha vir a fazer parte dessa minoria.

          Para essa minoria o capitalismo funciona, está bem e recomenda-se. Daí ver-se mais carros caros e caríssimos por cá do que em Madrid ou Barcelona, cidades ricas de uma economia seis vezes maior.

          Um primeiro passo: parar e investigar cada carrão. De onde veio a massa? Num país só meio decente, talvez nem 10% seguissem viagem.

        • Paulo Marques says:

          A única razão para exaltar é para contrariar a noção da relação do rating com mais austeridade e mais precariedade. Continua a ser mais lixo que a dívida, porque, sem um qualquer colapso, os bancos centrais pagam sempre. O contrário de “senso comum” é filme que já só passa na eurolândia, enquanto o resto já avança para o que é e como é um colapso.
          De onde vêm os luxos? De quem ainda herda e consegue aproveitar as regras para o multiplicar; um grupo cada vez menor.

    • Moody”s says:

      E quem te paga a ti, otário?

    • Paulo Marques says:

      O Sócrates.

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