UE aperta a trela do capitalismo hardcore

O Parlamento Europeu aprovou ontem uma importante medida, que se espera promotora de transparência, e que tratará para a luz do dia informação objectiva sobre os lucros que as multinacionais – comunitárias e extra-comunitárias a actuar no interior da União – obtêm em cada Estado-membro, bem como os impostos que aí pagam.

O universo de empresas abrangido engloba todas as multinacionais que gerem facturação superior a 750 milhões de euros, e o âmbito da lei irá para lá do espaço europeu, incidindo também sobre negócios realizados por essas empresas nas jurisdições offshore listadas nas listas negra e cinzenta ds UE, algo que sendo ainda limitado, é um salto significativo em relação àquilo que existe actualmente.

Vai ser interessante, perceber quanto “mamam” os grandes players que usam as nossas estradas, os nossos portos e aeroportos, as nossa redes de comunicação, as nossas universidades, os nossos benefícios fiscais, fundos europeus e apoios dos vários Estados, para, não raras vezes, pagar e tratar miseravelmente os seus funcionários. Nada como ver a big picture para perceber o quão fundamental é manter a trela curta dos pitbulls do capitalismo hardcore.

Comments

  1. Alexandre Barreira says:

    ……na pratica…..é mais “serradura para os olhos”….e a “máfia” continua no….seu esplendor…..!!!!

  2. Filipe Bastos says:

    Menos mal, Mendes, embora a medida tenha seis meses; só agora passou no Paralamento da Euroteta.

    E conhecendo a UE, deve ter sido planeada em conjunto com os mamões que supostamente fiscaliza, ou pelo menos deu-lhes tudo para criarem as tangas e alçapões que lhes convier. Na prática deve mudar zero. Ou zero vírgula zero zero um.

    Compreendo a alegria de ‘moderados’ como o Mendes com estes avanços milimétricos: todos gostamos de nos sentir seguros e descansadinhos, sem nada arriscar – a democracia funciona! as instituições funcionam! devagar havemos de lá chegar!

    Vão entretanto vivendo a sua vidinha, comprando os seus gadgets, chamando os seus Ubers, alugando os seus Airbnbs… gozando o capitalismo. Qual a pressa, né? I’m alright, Jack.

    • POIS! says:

      Eh pá!

      Depois de ler o último parágrafo, palavrinha de honra que pensei em dizer adeus a este Mundo, para o qual já não há, nem sentido para a existência (ou, pelo menos, uma parte dela que fosse, já não exijo mais…) nem salvação possível!

      Até já tinha apalavrado a venda do meu meio-apartamento, com medo de que ficasse largos séculos a penar no Purgatório, quando tentei tirar informações sobre o que se passa lá do outro lado.

      E descobri que, por essa net afora há muita gentinha muito bem informada sobre o Além (tentei o mesmo sobre frigideiras antiaderentes e e tive menos sorte).

      E fiquei preocupado. Parece que aquilo é dirigido por um tipo que ninguém elegeu, acolitado por anjolas que fazem tudo o que manda e assessorado por uma assembleia de santolas que se julgam o máximo com aquelas auréolas nos bestuntos, e que só sabem bater palmas e gritar “esfola!” sempre o que anjolas Gabrilela (que não tem sexo, porque também não tem costas onde o segurar) diz “mata!”.

      Foi então que resolvi pegar no relógio inteligente, vi as horas e chamei um Uber e para uma cabana alugada num Airbnb que fica no meio do cerradíssimo Pinhal de Leiria.

      Onde estou a meditar, inspirado pelo grande poeta que foi Dom Dinis, iluminado por um LED que lança raios cósmicos portáteis.

      PS. Presumo que o seu comentário terá sido escrito com uma pena de pato, a negro-de-fumo, à luz de uma candeia de azeite e de uma vela de banha de cachalote.

      A minha solidariedade. Deve ter sido moroso e complicado, mas terá valido a pena! Aliás, tudo vale a pena quando a ave não é pequena.

      • Filipe Bastos says:

        PS. Presumo que o seu comentário terá sido escrito com uma pena de pato, a negro-de-fumo, à luz de uma candeia…

        Pois já conhece certamente o ‘meme’, mas aqui o tem: https://imgur.com/gallery/LPHFQ

        Quanto ao resto, pois não sei, sabe?

        Não lhe faz impressão, não o incomoda mesmo a paz podre e pífia desta pseudo-democracia enche-mamões?

        Esta moderaçãozinha esquerdista-centrista, tão starbucks e centro comercial, t-shirt do Che com ténis da Nike, Black Lives Matter e Je Suis Charlie, que bem ficam no meu Instagram, o-mundo-não-é-justo-mas-que-se-há-de-fazer?

        Esta resignação urbano-consumista, pequeno-burguesa que se desculpa com os filhos e com a vida, classe média com férias e SUVs, esta derrota que o Nabais até concede, mas não consegue mudar, esta cumplicidade cobarde de quem sabe que isto não está nem pode acabar bem, mas que se lixe, vamos botando o botinho, vamos reelegendo pulhas, vamos enchendo mamões, vamos fazendo de conta que quem põe isto em causa é que é maluco, onde já se viu, pôr tudo em causa, isso é coisa de Chegas e Trampas, nós somos moderados e sensatos, sim, nós somos como deve ser, e os nossos filhotes hão-de ser como nós?

        • POIS! says:

          Respostas:

          Eu também não.
          Faz-me impressão muita coisa.
          Nunca usei nada disso. Mas não tenho nada contra. Nem a favor.
          Não. Hão de ser como eles.

          • POIS! says:

            Respostas:

            Alguém aqui come números. Era assim:

            Pergunta um: Eu também não.

            Dois: Faz-me impressão muita coisa.

            Três: Nunca usei nada disso. Mas não tenho nada contra. Nem a favor.

            Quatro: Não. Hão de ser como eles.

  3. JgMenos says:

    Se há um capitalismo hardcore, que outras mais espécies haverá?
    O dos tótós que investem no país dos abrilescos, será uma delas?

    • POIS! says:

      Pois esteja V. Exa descansado!

      Há mesmo um capitalismo hardcore.

      E inclui uma mãozinha invisível que V. Exa. pode aproveitar. Para se aliviar, à falta de melhor.

      • POIS! says:

        Quanto á segunda pergunta:

        A quem se refere V. Exa. em concreto?

        À Autótóeuropa? A Tótóbosh? A Contitótónental Mabor? A Faurétótócia? A Repsotótól?

        Ou aos tótós que compram tótóquarteirões inteiros em Lisboa e outras tótócidades?

        Que saudades da era salazaresca em que o investimento vinha mais de cima. Sim, nessa altura investia o Pai, o Filho e o Espírito Santo

        • JgMenos says:

          Tudo isso é hardcore, tótó.

          Papel passado e arbitragem em Londres.

          • POIS! says:

            Pois pois!

            De hardcore parece V. Exa. perceber muito. Imenso.

            E está excitado que nem pode. Ó homem, recorra à mãozinha invisível. Nunca ninguém a viu, mas parece que alivia muita gentinha.


  4. Saber quanto mamam? Então e se em vez disso se decidisse que os impostos dessas empresas são pagos nas jurisdições onde operam??? Simples não??????
    Tanta transparência faz-me lembrar o contrato entre a UE e as farmacêuticas que, após muitas insistências, foi enviado aos deputados europeus. Todas as páginas estavam a negro. Porque será? As corporações agradecem reconhecidas.

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