A Braga dos segredos de Batista da Costa

tub-monologo_batista_da_costa
Um “Encontro” ocultado, secreto, sem plateia, sem perguntas, sem respostas, apenas com jornalistas a segurar o microfone.

O administrador dos TUB Batista da Costa não tem tempo para responder a cartas registadas dirigidas à empresa municipal que administra mas – e é bom sabê-lo, – tem tempo para dar palestras em salas vazias. Com a conivência, claro, da imprensa da cidade.
Absolutamente mantida secreta e ocultada a conferência-monólogo que ontem “aconteceu”, o administrador da empresa municipal entende que os Transportes da cidade não são para serem debatidos: são para serem monologados.
Na melhor das hipóteses, debitados: o administrador debita, os jornalistas transcrevem.

Não há direito a perguntas. Os TUB não respondem a perguntas. O Batista da Costa manda dizer ao telefone que não responde a perguntas.
De positivo deste Encontro (há foto da plateia??) há a registar o facto de os autocarros virem, em breve a entrar no campus de Gualtar da Universidade do Minho, uma micro-cidade com umas 15 mil almas.

Como termo de comparação (e Braga é incomparável), o serviço concessionado de transportes urbanos CORGOBUS (Vila Real) entra no campus da UTAD desde a data da criação da empresa, 2004.
Já vamos com 13 anos de atraso.

É o autarca Ricardo Rio conivente com o silêncio em torno deste Encontro secreto, sem plateia? E porquê?

A miséria da riqueza

O Jornal PÚBLICO teve que recorrer ao Tribunal para ter acesso a informação financeira de divulgação pública obrigatória, mas que lhe foi sonegada pela Cáritas de Lisboa e pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSS).

Hoje o jornal dá notícia de que a IPSS criada para ajudar os pobres, tem depósitos bancários no montante de 2,4 milhões de euros e 320 mil euros investidos em obrigações. Possui ainda imóveis cujo valor ascende a 1,4 milhões de euros.

No ano de 2014, a Cáritas obteve um lucro líquido de 119 mil euros, tendo gasto 147 mil euros na ajuda aos pobres, do quais apenas 11.314 euros sairam do seu próprio bolso, pois os donativos particulares recebidos ascenderam a 325 mil euros.

Além de ter obtido a informação só depois de recorrer a instâncias judiciais, o PÚBLICO dá nota de que as contas da Cáritas não batem certo, pois verifica-se que os apoios dirigidos para ajuda directa aos pobres é ainda mais residual do que o que se depreende das contas apresentadas ao MTSSS. Terá sido em razão destas e de outras incongruências que foi apresentada uma queixa junto do Ministério Público, queixa que já originou a abertura de um inquérito.

[Read more…]

A Caixa

O Presidente Executivo da Caixa Geral de Depósitos terá solicitado, aos serviços jurídicos do próprio banco que dirige, um parecer sobre a obrigatoriedade da declaração dos seus rendimentos ao Tribunal Constitucional.

O parecer dos serviços do banco terá sido no sentido de eximir o seu presidente dessa declaração, argumento que o próprio terá usado para o não fazer.

Parece existir aqui não só uma dupla opacidade – um parecer solicitado a serviços subordinados e a consequente recusa da apresentação dos rendimentos – mas um padrão de comportamento totalmente incompatível com os deveres de transparência a que deve estar obrigado um alto responsável da administração do Estado Português.

[Read more…]

Durão Barroso e Goldman Sachs: uma relação de transparência

db

O jornal Público divulgou ontem duas novas informações sobre a relação entre Durão Barroso e o Goldman Sachs. A primeira é que, ainda na qualidade de presidente da Comissão Europeia, Durão recebia, confidencialmente e com alguma frequência, “sugestões” de alterações a políticas comunitárias provenientes do banco norte-americano. A segunda diz respeito à inexistência de qualquer registo sobre uma visita de Barroso à sede do Goldman Sachs em 2013, algo que, para além falta de transparência, revela um regime de excepção, na medida em que não existe registo de outros contactos desta natureza que não tenham sido devidamente documentados. [Read more…]

Carta do Canadá: Respeitinho é bonito

Charles Angelil

Charles Angelil, a dicursar no funeral do pai

Para compreenderem melhor o que vos vou contar, digo-vos que a cantora Celine Dion é para o Canadá o que Amália Rodrigues é para Portugal: um ícone.  O que se compreende porque, desde muito nova a bela voz de Celine prendeu este povo, que passou a seguir atentamente o crescer da menina que é conhecida em todos os continentes. Viu-a casar com o seu empresário, René, viu nascer-lhe os filhos, acompanhou-a na longa e tremenda luta do marido contra o cancro.

Quando René morreu e se soube que a cantora desejava sepultá-lo no Quebeque, a província que a viu nascer, o governo dessa província imediatamente a informou que oferecia um funeral de estado. Convenhamos que foi um exagero, porque não se tratava do funeral da artista mas do seu empresário e marido, ambos impecáveis, é certo, mas sem estatuto para cerimónias de estado. Os governos às vezes são assim desgovernados.  Seja como for, a cantora aceitou sensibilizada e ficou a saber que agência funerária tinha sido escolhida. [Read more…]

(Mais) Merda nos canos do governo

merda

Enquanto José Sócrates, o principal trunfo eleitoral da recentemente renovada coligação PSD/CDS-PP, continua a ser cozinhado em lume brando, as últimas semanas têm sido férteis no emergir de inúmeras polémicas que colocam o regime passista numa situação de extrema fragilidade. Para além dos habituais tachos, das incompetências e irresponsabilidades ministeriais, dos calotes e das mentiras de Passos Coelho, a denúncia feita na passada semana pelo ex-dirigente social-democrata Paulo Vieira da Silva sobre uma suposta rede de tráfico de influências que gravita em torno do vice-presidente, antigo secretário de Estado e homem forte de Pedro Passos Coelho, Marco António Costa poderá significar um duro golpe nas aspirações políticas daquele que em tempos abria as portas todas.

[Read more…]

Juntando os pontos…

“Temos um nível de transparência como nunca existiu em 40 anos” PPC

“Membros do Governo tinham mais de um milhão de euros no GES quando decidiram o seu futuro” PÚBLICO

A transparência é total: o conflito de interesses é claro como água.

Diz-nos a lata infinita de Passos Coelho

que temos hoje “um nível de transparência como nunca existiu em 40 anos“. Afirmação a desenvolver nos próximos dias. Para já recebe o galardão de piada do dia.

Luxo pago com o dinheiro do contribuinte é imoral

Não sei se o conteúdo deste vídeo é novo para quem o está a ouvir. Para mim não é mas mesmo assim senti a necessidade de o partilhar. Ele fala-nos de um juiz do Supremo Tribunal de Justiça da Suécia que todos os dias pedala até à estação de comboios da sua cidade – Uppsala – e dai segue, imagino, para Estocolmo, num comboio que faz o percurso, segundo o Google Maps, em 38 minutos (de carro seriam 53). Um juiz que, imaginem lá o maluco, é contra a corrupção e acredita que luxo pago com dinheiro dos contribuintes é imoral.

[Read more…]

E vão dois

Queremos saber quanto ganha António Borges. Participe.

Medidas Anti-Crise: Transparência

As medidas que sugiro neste post, não são defendidas por nenhum partido à excepção do Partido Pirata, que infelizmente em Portugal ainda nem é partido.

Muitos insurgem-se contra o movimento dos Partidos Piratas, alegam que nunca terão expressão, ou que vêm ocupar espaços já preenchidos políticamente. Na verdade, o partido não necessita de ir a lado nenhum (apesar do exemplo berlinense contrariar essa afirmação) e mesmo assim influenciar os outros partidos. Há ideias que começam a circular, não só nos partidos piratas, que os partidos tradicionais em geral não defendem, nem podem, a transparência total é uma delas.

[Read more…]

É tão giro ser oposição

O PS, na oposição, quer o que nunca quis no governo. Agora há-de ser o PSD que não quer, mas vai querer quando estiver na oposição e o PS, no governo, já não quiser. Na oposição são sérios, transparentes, corajosos e têm, em ambos os casos, a arreigada mania de que somos todos papalvos.

Administração Pública: os transparentes somos nós

Independentemente dos juízos de valor que façam ao que irei escrever neste artigo, desde já faço duas reservas: irei escrever a partir da minha experiência pessoal; e existem excelentes profissionais na Administração Pública e não são raridades.

O tema é muito simples, e parte da propalada ideia de que a Administração Pública preocupa-se em ser transparente: recorrentemente quando me dirijo a serviços públicos – principalmente a Conservatórias, Finanças e Tribunais – sinto-me como se fosse chatear alguém. Sou constantemente ignorado por aqueles que, dentro do balcão, tudo fazem para não olhar para mim: olham para o computador, para os papéis, para o chão, para o infinito. Chegam ao cúmulo de desviar o olhar quando, ao encararem-me, se apercebem que os vou abordar, ainda que seja para dizer “bom dia” ou “boa tarde”. Isto, mesmo em serviços em que as próprias chefias são de inquestionável lisura e educação, pelo que nem se pode colocar a possibilidade do “mau exemplo hierárquico”.

Pensava que fosse problema meu, embora, modéstia à parte, não vislumbrasse na minha fisionomia qualquer deformação que justificasse algum tipo de repulsa. Mas falando com outras pessoas – incluindo Colegas -, acabo por constatar que, na verdade, não é nada pessoal (felizmente!), é mesmo institucional: os transparentes somos nós, porque na Administração Pública há quem, pelos vistos, nem nos pode ver.

Transparentemente opaco

O presidente do Tribunal Constitucional, Rui Moura Ramos, proibiu que as contas das campanhas eleitorais e anuais dos partidos políticos sejam publicamente divulgadas pela Entidade das Contas e Financiamentos Políticos.

Faltou apenas alegar que a medida se justifica a bem da transparência.