A vingança de André Ventura

Foto: Eduardo Costa/Lusa@Público

Quero começar por endereçar os merecidos parabéns a Rui Rio, que teve visão e habilidade política para mandar o cordão sanitário às urtigas e escancarar os portões da democracia para a entrada da extrema-direita. Um ano depois, o resultado está à vista: perdeu eleitorado para os extremistas, viu o seu junior partner ser canibalizado, a ponto de ficar ligado às máquinas, e o acordo para os Açores está na iminência de cair à primeira birra de André Ventura, que andou a mendigar ministérios num hipotético governo PSD, não conseguiu e lá se vingou no arquipélago. Lição nº 1 da extrema-direita: a extrema-direita não tem palavra: move-se, única e exclusivamente, pela destruição da democracia, pelo ódio e pela agenda pessoal do seu dono.

Foi, portanto, para isto que Rio e a sua direcção venderam a alma ao Diabo: queriam, a todo o custo, governar os Açores. O governo regional era para eles tão importante que estavam disponíveis a receber os herdeiros de Salazar de braços abertos. E, é bom recordar, notem bem que Ventura e os seus lacaios nem piaram quando foi tornada pública a nova rede de boys e familiares do sistema açoriano, ou, por outras palavras, quando José Manuel Bolieiro se transformou no novo Carlos César. Não, isso não incomodou Ventura. O único incómodo, porventura, seria não serem seus, os boys. Porque a extrema-direita, já todos sabemos, não quer acabar com o sistema: quer ser o sistema.

Agora, como se diz por cá, “que se amanhem”. E não se façam despercebidos. Qualquer percevejo unicelular percebia que nunca haveria estabilidade com o Chega na equação. Porque o Chega não quer estabilidade. O Chega quer destruir a estabilidade, a democracia e as suas instituições, para de seguida elevar Ventura a novo Salazar. E os portugueses ficam alertados, caso ainda não estivessem: a confirmar-se a retirada do apoio parlamentar do CH ao actual executivo regional, anunciada por André Ventura desde Lisboa, e não pelo seu deputado açoriano, que ninguém sabe bem quem é, decorre, única e exclusivamente, do facto de Ventura ter ficado zangado por – alegadamente – ter sido excluído pelo PSD de um futuro governo da nação. Ainda poderá dar o dito por não dito, porque, afinal, a sua palavra não vale nada e não, mas este número de circo a que hoje assistimos mais não foi do que uma vingança de Ventura contra Rio. Não foi por falta de aviso.

Comments

  1. Alexandre Barreira says:

    …é isso mesmo……é como a canção…..”ora chega….chega……ora afasta…afasta”…….olarilólé…..!!!!

    • POIS! says:

      Pois, mas…

      Creio que isto se resume ás últimas três singelas letrinhas do comentário. “(…)olé…..!!!!”.

      O Pacheco (vulgarmente conhecido como “o deputado que resta da Venturosa Agremiação”) recebeu ordens do Venturoso Enviado da Providência Divina para espetar duas bandarilhas no cachaço do Bolieiro.

      Mas como, lá pelos Açores, a tradição é a da tourada à corda, creio que é para aí que vai a lide.

      Ou seja, marcam o Bolieiro com um número e, de tempos a tempos, amarram-lhe uma corda ao cachaço e continua a função (lá não há toiros de morte, como sabemos).,

      Só que agora o toureiro de ocasião Pacheco recebe ordens do Venturoso Diestro, que faz de Inteligente Virtual, de telemóvel em punho a partir de Lisboa.

      Aliás, não foi por acaso que a época da tourada à corda foi prolongada lá nos Açores. Isto está tudo ligado!

    • POIS! says:

      E pela imagem se vê…

      Que aquilo tinha tendência para acabar ao murro!

    • British says:

      What ?

  2. JgMenos says:

    Tanta treta com a democracia, mas enquanto acolhem os declarados totalitários de esquerda, esperam que um partido que parece vir a ultrapassar a soma dessa cambada esquerdalha se conforme a ser excluído da participação política.

    E o meu único lamento é que o Chega não reúna a qualidade de gente que assegurou a governação no tempo do Salazar.

    • POIS! says:

      Pois é!

      Mas, realmente, torna-se um bocado difícil reunir aquilo que nunca existiu.

      Realmente, é de lamentar. Mas ainda bem que o lamento é único.

      Porque lá diz o povinho: se um lamento incomoda muita gente, dois lamentos incomodam muito Menos.

      Diz o povinho. Lá na minha terrinha.

    • POIS! says:

      Pois, é mesmo pena!

      O Venturoso não poder usufruir, pelo Menos, de um Rapazote no Ministério do Interior.

      Era um às a ilegalizar oposicionistas!

    • Melga says:

      .I.

    • José Peralta says:

      PÔRRA, ò “menos” !

      Estava a temer que não aparecesses, a “defecar”, sentado numa ventoínha !

      Tão igual ao coirão do ventura que até pareces gémeo…

      Até no discurso da “vítima” :”Coitadinho de mim ! Todos me execram. todos tentam banir-me, não me conformo em ser excluído da participação política”, és um gémeo…

      Continua a lamentar-te, ó “menos” ! 5 ministério 5, era a “participação política” que o escaravelho queria, como quem se alimenta da bola de merda a que vive agarrado !

      O Rio quiz dar-lhe o “rebuçadinho” dos Açores, quando devia era ter pisado “o cagalhão “…E é por isso que “o amigo” de ontem, é hoje um vendido e um traidor…

      E o preço da vingança, é a tentativa de instabilizar no governo açoriano…

      E vens tu para aqui falar em “tretas da esquerdalhada” !

    • Paulo Marques says:

      Se é declarado, não terás problemas em convencer-nos com citações dessas declarações.
      Fico à espera.


  3. e não se esqueçam do mentor, do homem por trás que inicialmente apoiou Ventura quando este estava no PSD e concorreu à câmara de Loures, que até já professor Catedrático (convidado) conseguindo superar o modelo que anseia ser em rapidez, Salazar…. Passos Coelho. Quando olho para Ventura vejo Passos Coelho nas sombras à espreita, Ventura é pouco mais que um testa de ferro.

  4. Rui Naldinho says:

    Essa ideia peregrina de que o Governo do PSD dos Açores vai acabar por cair por desavenças com o André Ventura é algo ingénua. Na hora da verdade o gajo do Chega salta fora, tipo limitando.
    O Chega é um epifenómrno que veio para ficar por pouco tempo. O que não significa que um outro partido de extrema direita se erga em sua substituição, mas com outra consistência política e acima de tudo com outro tipo de organização política. Aliás André Ventura sabe que se derrubar o governo dos Açores, os seus eleitores, mesmo os mais radicais, o mandarão à merda, por entregar o poder ao PS, de novo.
    O Chega é a ala fascista do PSD. Os herdeiros da saudade do Império, ou filhos dilectos de um passado colonial que já não existe, e cujas frustrações vêm mais tarde ou mais cedo ao de cima.
    A queda do governo dos Açores, por iniciativa do Chega, pode vir a ser o seu definhamento a nível nacional. A direita não perdoa birras, nem aos seus filhos maus radicais.

  5. Filipe Bastos says:

    Talvez o pior feito do pulha Ventura: além de ser a falsa alternativa, queimando eventuais alternativas reais que pudessem surgir, cria o que podemos chamar o ‘efeito Relvas’.

    O efeito Relvas é aquele fenómeno que concentra todas as críticas, todo o opróbrio, todo o foco numa figura, como se sem ela o resto fosse tolerável ou aceitável. Ainda que a figura o mereça, acaba por tornar-se uma obsessão e uma distracção.

    Assim foi o Relvas. Andaram meses a persegui-lo, com razão, mas enquanto isso o resto da canalha folgava. Depois lá se foi o Relvas, finalmente, e que mudou? Nada. Tal como nada mudará quando o pulha Ventura for chular para outro lado.

    Enquanto chamarmos ‘democracia’ à partidocracia podre que gera os Relvas, os Passos, os Venturas, os 44s, Varas e Bostas, enquanto lhes passarmos cheques em branco, enquanto não houver real fiscalização e responsabilização dos eleitos, enquanto se puderem juntar e separar à vontade sem qualquer validação democrática, enquanto delegarmos todas as decisões nesta pandilha de chulos e rameiras, nada vai mudar. Só para pior.

  6. Filipe Bastos says:

    Ó xuxas do Aventar, dia de festa: a Ana Catarina Mendes, piaçaba-mor do Partido Sucateiro no bordel paralamentar e na Quadratura dos Chulos, escreveu hoje no Guardian!

    https://theguardian.com/commentisfree/2021/nov/18/portugal-bosses-work-hours-right-to-disconnect

    Que rica dose de propaganda para o PS. E quem a leia até pensa que o ‘Portuguese Socialist party’ é socialista… e que o PCP e o BE, obviamente omitidos pela Anocas, nada têm a ver com isto.

    Até o Paulo Marques, que diz desprezar o Guardian – algo estranho, sendo este a catedral do esquerdismo caviar e woke – deve hoje imprimi-lo e emoldurá-lo… grande dia para a sucata nacional.

    • Paulo Marques says:

      Então o The Guardian não sabe que a província é o pior local na terra? Está tudo comprado.
      Mas, de facto, fico contente que a Ana Catarina Mentes vá publicitar para outro lado, ao menos deixa-nos em paz.

  7. estevesayres says:

    Mais um estratagema do neofascista do partido do Ventura, com o apoio da maioria da comunicação-social, e não só!
    Esperem para enxergar!


  8. O menos e outros do mesmo calibre adoram embandeirar em arco com os cheganços e depois lamentam os cambalachos sucessivos onde se vão metendo todos os dias.
    Para temperar esses amores excessivos, posso assegurar que uma parte significativa da votação no dito nada tem a ver com paixão coisa nenhuma, menos ainda confiança ou sequer crença nas suas funestas virtudes. Muito pelo contrário. Um grande nº de tugas vota no caramelo apenas como voto de protesto, tal como eu já votei PCP durante os anos negros do acabado Silva, não por confiar nos camaradas, mas por ser na altura a única maneira de contrariar aquele consulado lamentável.

  9. JgMenos says:

    O Chega cumpre o papel fundamental de não alinhar na ‘doutrina dos coitadinhos’ que funda a cambada abrlilesca:
    os trabalhadores, tadinhos que precisam de turores para se defenderem dos patrões;
    os migrantes, tadinhos, que consentem os seus países governados por corruptos;
    os ciganos, tadinhos, que não lhes aturam a cultura ancestral de negociantes vigários;
    e mais uma enfiada de tadinhos a serem pastoreados pelos mamões de impostos e cargos públicos.

    • POIS! says:

      Pois, ou seja…

      Para V. Exa cumpre o fundamental papel…higiénico.

      Já tem V. Exa. material para se limpar. Assim deixa de fazer más figuras.

    • Paulo Marques says:

      E, não se esqueça, o papel fundamental de defender a lavagem de dinheiro para fora do país, em defesa dos portugueses de bem.
      Sobre o amigo dele da Promovalor é que continua calado.

  10. Sampaio says:

    Mais um post deste senhor para servir de papel higiénico

    • POIS! says:

      Pois sim. Se Vosselência prefere…

      Já se acabaram os discursos do Venturoso Enviado? É pena!

      Mas lembre-se que tem de imprimir primeiro.

      Deve custar muito a sair do écran.

      A não ser que V. Exa. esteja a usar o telemóvel. Esse já pode limpar ás orelhas. Em caso de persistência ao cabelo á volta.

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