José Manuel Bolieiro é o novo Carlos César

Durante 20 anos, entre 76 e 96, os Açores foram governados pelo PSD, com Mota Amaral na liderança do executivo regional até 1995, ano em que foi eleito deputado da nação, sendo substituído por Alberto Romão Madruga da Costa. Em 1996, o tabuleiro inverte-se e o PS sobe ao poder, onde ficou até 2020, primeiro com Carlos César, que liderou o arquipélago durante 16 anos, sendo sucedido por Vasco Cordeiro, que completou dois mandatos, tendo falhado a reeleição em Outubro passado.

Durante estes 44 anos, e apesar de apenas ouvirmos falar dos “primos” de Carlos César, a verdade é que o governo regional dos Açores, tal como o da Madeira, sob domínio jardinista, foram, ininterruptamente, palco de um festim insular de contratos por ajuste directo ou concursos públicos viciados, nomeações decorrentes de lealdades e favores partidários, sem olhar ao mérito ou à competência e restante regabofe a que por cá estamos habituados a ver nas mais variadas autarquias, onde, tal como nas regiões autónomas, o poder quase-absoluto dos caciques é a lei.

Com as eleições regionais de 2020, o ciclo socialista foi interrompido, sendo o seu lugar ocupado por uma coligação sui generis, que junta PSD, CDS e PPM na governação, apoiados no hemiciclo regional por acordos de incidência parlamentar com IL e CH. Rompido que foi o cordão sanitário que separava os partidos democráticos que respeitam e defendem a ordem constitucional da extrema-direita autoritária, entrou em spin uma narrativa que garantia que os meios justificariam os fins: colocar um ponto final no despesismo, no compadrio e no nepotismo socialista. Um “mal menor” para acabar com o compadrio.

Contudo, três meses volvidos, a realidade conta-nos uma história diferente: o novo governo regional substituiu os boys socialistas pelos seus próprios boys, o nepotismo mudou de cor e os custos com a máquina governativa, segundo investigação do jornal Expresso, no que aos cargos de nomeação política diz respeito, irá custar quase oito milhões de euros a mais aos contribuintes açorianos. Perante este desfecho, os parceiros parlamentares do novo governo tiveram posturas diferentes: a Iniciativa Liberal afirmou que “não aceita que este governo dos Açores seja mais um repositório de jobs for the boys” e que o partido “não aprovará orçamento com aumentos de custos do funcionamento do governo”. Já o Chega, o tal partido que desceu à Terra para combater sistema, e que fez uma furiosa campanha contra os boys, o despesismo e o nepotismo socialista, bateu continência a José Manuel Bolieiro, não levantou objecções e deixou, preto no branco, que está perfeitamente confortável com o despesismo, com os boys e com o nepotismo do governo de PSD, CDS e PPM. Porque o Chega não quer nem nunca quis acabar com o sistema. O Chega quer ser o sistema. Ver menos

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Concordo com tudo o que aqui está escrito, palavra a palavra, vírgula a vírgula.

  2. POIS! says:

    Pois estou admirado!

    Como é que o Venturoso Enviado da Providência alinhou nisto. Bastava olhar a foto do Boieiro para ver que é uma coligação dos diabos!

  3. JgMenos says:

    Se é só mudar as mosca, sou IL.

    • abaixoapadralhada says:

      Menos

      Claro, está sempre bem com a m**da.
      Mas no caso dos Açores, parece que a IL está a ser mais séria, que o teu nazi de estimação.

      • JgMenos says:

        Sabes nada, como é hábito.

        • abaixoapadralhada says:

          Menos

          Para o caso de tu teres dificuldade em perceber, volto aqui a repetir parte do post inicial:

          “a Iniciativa Liberal afirmou que “não aceita que este governo dos Açores seja mais um repositório de jobs for the boys” e que o partido “não aprovará orçamento com aumentos de custos do funcionamento do governo”

          “Já o Chega, o tal partido que desceu à Terra para combater sistema, e que fez uma furiosa campanha contra os boys, o despesismo e o nepotismo socialista, bateu continência a José Manuel Bolieiro, não levantou objecções e deixou, preto no branco, que está perfeitamente confortável com o despesismo, com os boys e com o nepotismo do governo de PSD, CDS e PPM.”

          Percebeste agora ou ainda não ?

          Inteligente como gostas de te auto definir, provavelmente não

          • JgMenos says:

            « não levantou objecções e deixou, preto no branco, que está perfeitamente confortável com o despesismo, com os boys e com o nepotismo do governo de PSD, CDS e PPM »

            Ora diz-me lá onde se pode ler essa ‘declaração’ do Chega.

          • POIS! says:

            Pois pode ler-se, ao Menos, no jornal Público de 5/2:

            “O líder do Chega também não fugiu à actualidade e disse estar convencido com as explicações do presidente do governo regional sobre as alegadas relações familiares existentes no executivo açoriano — noticiadas no Expresso. “Tomamos como boa a explicação que nos foi dada pelo senhor presidente e os objectivos de um maior controlo da situação na sua própria pessoa”, afirmou”.

            Pois é! Da mesma maneira que partilhou e reproduziu uma suposta autonomeação de um suposto deputado do BE em Loures, QUE ERA MENTIRA, e uma suposta entrevista da deputada Joana Mortágua a um jornal brasileiro sobre “táticas contra o Chega” manipulada a partir de uma entrevista verdadeira, mas feita um ano antes da existência da Venturosa Legião, parece que bastou uma conversinha com o Boieiro para ficar tudo na paz do senhor.

            Seguiram-se efusivos ósculos e abraços de paz e amor entre os “Sistema” e os “Anti-Sistema” já que, na realidade, apenas quatro letrinhas e um tracinho os separam.

            Foi deveras comovente a despedida. Boieiro entregou ao Enviado um pano bordado com dois corações com a inscrição “Se vencemos a distância deste mar, não será um rio que nos vai separar”.

    • Paulo Marques says:

      Desde que te continuem a pagar, tanto te faz. A gente sabe.

    • POIS! says:

      Ora pois!

      Muda “as mosca” e V. Exa. fica na mesma.

      Confere!

  4. LUIS COELHO says:

    Penso ser oportuno esclarecer, como é feita a trafulhice e roubo através de ajustes directos.
    1º Publica-se um concurso para fornecimento de determinado bem ou serviço, e fixa-se um preço a baixo do preço de custo, para que ninguém concorra.
    2º Passado o prazo legal sem qualquer concorrente adjudica-se esse fornecimento a um do gang pelo preço que eles quiserem e divide-se ou roubo de maneira conveniente!

  5. anónimo says:

    ” o novo governo regional substituiu os boys socialistas pelos seus próprios boys”.
    O pior é que nem sequer substituiu: acrescentou. Porque há sempre um acordo de cavalheiros que não deixa ninguém para trás. Nunca se sabe o dia de amanhã e elites são elites….

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