O estado a que chegou a Biblioteca Municipal do Porto

Frementes de agitação e de movimento, os funcionários da Biblioteca Municipal do Porto afadigam-se, atropelam-se para entregar os 5 volumes diários permitidos aos 3 leitores presentes.


A pandemia começa a desaparecer, as medidas vão sendo suavizadas, mas há uma instituição – pelo menos uma – que não sai do caminho que trilhou e que vem dos tempos dos confinamentos.
Como se estivesse tudo igual. E a pergunta é: até quando?
A Biblioteca Municipal do Porto continua a apresentar barreiras incríveis a todos os que tentam fazer alguma coisa.
Continua a ser necessário fazer a requisição prévia -com dias de antecedência – do que se quer pesquisar.
No caso de periódicos, por exemplo, agora lembraram-se que só podem ser pedidos 5 volumes por dia.
Ou seja, quero fazer uma consulta rápida, porque sei exactamente a data que procuro. Demoro uma hora com os tais 5 volumes e não posso fazer mais nada o dia todo. Só no dia seguinte…
E tudo isto se tiver sorte. Se alguns dos volumes estiverem em mau estado e não puderem ser consultados, paciência. Só para terem uma ideia, toda a colecção do «Jornal de Notícias» está fora de consulta até cerca de 1970. Idem para outras referências da cidade como o «Comércio do Porto ou «O Primeiro de Janeiro».
Apesar de haver muitos dicionários e enciclopédias na Biblioteca, parece que por ali ninguém conhece o significado da palavra restauro.
Gostava de saber a quem pertencem estas cabeças luminosas que cristalizaram no tempo e que continuam com as mesmas medidas como se nada tivesse acontecido.
Acima de tudo, gostava de saber por quê. Compreendo a medição da temperatura, a máscara, o distanciamento.
Mas expliquem-me, porque eu gostava de perceber, por que é que, com uma sala de leitura praticamente vazia (hoje estamos 3), só podem entregar-me 5 volumes durante um dia inteiro e não me podem entregar mais 5 quando eu acabar os primeiros?
Dantes, ia ao computador requisitar periódicos e, quando chegava ao meu lugar, já lá estavam. Havia o limite de 4 volumes de cada vez, mas as entregas de novos volumes eram constantes ao longo do dia todo. Quando estava a acabar os tais 4 volumes, podia pedir mais 4.
Não culpo os funcionários, como é óbvio. Só cumprem regras. A culpa é, sei lá, do director da Biblioteca, que nem sei quem é. E acima dele, do vereador que tutela a Biblioteca, que também não sei quem é. E acima dele, do presidente da Câmara, que sei quem é mas preferia não saber.
Pode-se trabalhar assim? Não, não pode. Alguém quer saber? Não, ninguém quer.
Quanto a mim, teria vergonha se tivesse responsabilidades políticas e tivesse deixado a Biblioteca Municipal do Porto chegar a este ponto.
Alguém tem vergonha? Não, ninguém tem.

Comments

  1. balio says:

    Faz bem em protestar. Continue.
    (As restrições pandémicas têm que acabar!)

  2. Paulo Marques says:

    Um país que não valoriza a cultura só a pode ir perdendo aos poucos nestes pequenos disparates. A pandemia não acabou, rais a parta, mas evoluiu. Se os transportes podem andar cheios, a biblioteca também.

    • balio says:

      Se os transportes podem andar cheios, a biblioteca também.

      Pois.

      E se os jovens podem estar na discoteca sem máscara, também deveriam poder estar na escola ou na universidade sem máscara.

      • Paulo Marques says:

        Pode estar na discoteca sem máscara porque a alternativa era fecharam mais um ano, já que obviamente ninguém ia cumprir coisa nenhuma.
        Acho que não se perdia nada, mas estou em minoria, e bem com isso.

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