Sobre imbecis indesejáveis

Eu sei que a grande maioria de nós pensa que os que apoiam ou são neutrais em relação a putin ou mesmo aqueles que esboçam a condenação da Rússia e depois não resistem em gritar “mas” são uns imbecis indesejáveis.

Mas não estamos correctos. Imbecis são, indubitavelmente. Aliás enormes imbecis cuja qualificação nasce das motivações que os animam: cobardias quase criminosas, ideologias sem sentido, interesses financeiros ou (a mais imbecil de todas) a histérica necessidade de se afirmarem mais inteligentes que os outros num processo que os aproxima muito mais da idiotice do que da genialidade que à força querem demonstrar.

Mas estamos errados quanto à circunstância de serem indesejáveis. Não são. Ainda bem que existem estes idiotas. Porque e apesar da debilidade da argumentação que apresentam, não deixam de provocar o que nos obriga a diária e sucessivamente termos de examinar e reexaminar o que nos leva a estar do lado certo. Sim porque esse exame recorrente que fazemos só nos ajuda a solidificar a certeza que estamos do lado certo.

Por isso, mas também só por isso, obrigado idiotas. 

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Só há um problema, examinar exige pensar e notar as contradições sem as deixar coalescer para o lado que dá mais jeito e menos trabalho. É que estas não desaparecem, e inevitavelmente trazem consequências. Domingo pode ser mais uma, e não é por falta de aviso.

  2. POIS! says:

    Pois avancemos uma das cenas dos próximos capítulos:

    Entra o escriba e dirige-se ao toucador:

    “Espelho meu, espelho meu, quem é mais antiputin do que eu?”

    “Senhor, sois vós mas…”

    “Maaaaaaas????”

    Sobre o escriba jacente no tapete persa cai o pano. E o piano.

  3. POIS! says:

    Pois há notícias de última hora. E frescas!

    Afinal o “post” mais não é que a pré-publicação da ansiosamente aguardada obra “Nem Mas, Nem Meio Mas – O Enterro Definitivo da Dissonância Cognitiva Pelos do Solidificado Lado Certo”.

    Em breve nos escaparates e nos nossos melhores vendedores de castanhas, antes que esta guerra acabe e a malta do Lado Certo passe ser antioutracoisaqualquer.

  4. J. M. Freitas says:

    Como se define o “lado certo”? E quem são os imbecis, desejáveis ou não?
    Uma definição que tem sido adoptada é esta: imbecis são os que não pensam como nós. Os que duvidam … isso de dúvida metódica … foi tempo.
    Exemplo. A questão do heliocentrismo e das ideias de Galileo. Quem eram os imbecis? Os do lado de Galileo parece que eram “imbecis desejáveis” porque, passados uns tempos, os heliocentristas é que passaram a “imbecis”. Desejáveis ou indesejáveis? Não sei. Os heliocentristas de hoje, bem como os terraplanistas, são desejáveis ou indesejáveis?
    Na definição proposta pelo Senhor Osório parece-me que eu sou um imbecil. Mas se eu adoptar as ideias dele parece-me que quem é imbecil é o Senhor Osório.
    Quem não for antiputinista irracional é imbecil? Mas na História já houve imbecis que passaram a grandes estadistas (porque venceram a luta em que se empenharam).

    • POIS! says:

      Ora muito bem!

      O paleio do “post” lembra-me aquela célebre…

      Adivinha: qual é a parte de trás de uma árvore?

      Resposta: é o lado onde se mija.

      Lá está: os do “Lado Certo” nunca mijam na parte da frente de uma árvore. Aí mictam os “imbecis”.

    • Paulo Marques says:

      Pelas vibes, pá.

  5. Manuel says:

    Alguem teve um mau dia

  6. Jorge says:

    Extraordinário tiro no pé.
    Fico apenas na dúvida se o autor se esforça por ser o imbecil idiota de que acusa os outros, ou se lhe sai naturalmente. Afinal, não é fácil atingir o grau de imbecilidade de acusar histericamente de imbecil histérico quem opta por uma posição neutral ou tenta compreender causas e contextos das ações.
    Aparentemente dono duma verdade inabalável de que está do “lado certo”, o autor auxilia a que qualquer um que ainda pretenda utilizar as suas capacidades cognitivas evite juntar-se ao grupo de idiotas que não têm qualquer dúvida de que estão do “lado certo”.
    Aliás, a História está carregada de períodos em que massas de idiotas se juntaram do “lado certo”, com os lindos resultados que se sabem.
    Por isso e muito mais, obrigado idiota.

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