Vivi um ano sem redes sociais: eis o que aprendi

Há uns anos decidi, num acesso de consciência, apagar todas as redes sociais. Facebook, Instagram, Twitter, tudo. Deixei apenas o Whatsapp por forma a comunicar com as outras pessoas (as SMS’s estão em desuso, não estão?) mas a verdade é que cortei toda e qualquer ligação às chamadas redes sociais.

Se, no início, o choque foi grande, não só o vazio que de repente pareceu existir na minha vida, como a estranha sensação de perceber a clara dependência que tinha das redes, a verdade é que continuei focado na ideia e isso deu origem a um ano extraordinário, em termos de vivências e conquistas pessoais.

Fiz mais amigos do que em qualquer outra ocasião na vida

Aqui retiro as experiências académicas, porque são o gatilho perfeito para conhecer um grande número de pessoas ao mesmo tempo.

No meu ano fora das redes sociais, conheci o maior número de pessoas que alguma vez tinha conhecido, sem uma ligação comum (como um curso ou uma faculdade).

Isto aconteceu porque, perante a falta das redes para ler notícia, e a minha pouca vontade em ver televisão, comecei a ir religiosamente ao café, após jantar, para ler o jornal. Lia o jornal de uma ponta à outra, tomava uns cafés, e regressava a casa.

Mas a grande questão de ir várias vezes ao mesmo sítio, criando rotinas, é que passamos a fazer parte da vida das pessoas que têm essa mesma rotina, como os funcionários dos sítios que frequentamos ou os clientes habituais.

Naquele caso, no espaço de meia dúzia de meses formamos um grupo de amigos com pessoas distintas, ou clientes do café, ou amigos de amigos de amigos… Enfim, uma mistura heterogénea mas enriquecedora. E tudo isto… sem redes sociais. Lembro-me que um dos primeiros cafés foi marcado por e-mail!

Percebi que não preciso das redes sociais como achava que precisava…

A verdade é só uma: as redes sociais estão tão entranhadas na nossa vida que é quase impossível imaginarmo-nos sem elas. No entanto, quando testamos essa ideia, percebemos rapidamente que  é perfeitamente possível viver sem elas. E até viver melhor.

Eu não senti a falta das redes, de uma forma factual. Continuei a conviver com pessoas. Continuei a saber o que se passava no mundo à minha volta. Talvez tivesse perdido uma discussão em caps lock numa caixa de comentários, um dos vários incêndios semanais; ou perdi aquela foto do pequeno-almoço de alguém com quem nunca falei na vida. Ou seja, não perdi absolutamente nada.

…mas também que elas permitem coisas que, de outra forma, são difíceis

Sendo a minha paixão a escrita e a difusão de ideias perante outras pessoas, tentando provocar o pensamento, tentando fazer olhar para determinado assunto de outra forma, as redes sociais são uma plataforma ideal para esse efeito que, pela sua disseminação, assumem o primeiro lugar na questão.

É verdade que estão mal populadas em grande número, é verdade que escrever sobre o mundo tem menos feedback que um iogurte (escrevi um texto em tempos chamado A Ditadura do Iogurte que falava precisamente disto), mas também é verdade que continuamos a ser nós a escolher o que queremos ver e quem queremos que nos veja.

No fundo, tudo leva a uma boa utilização. E boa utilização significa uma boa gestão do tempo que passamos nas redes, bem como usá-las de forma a que nos acrescentem algo e não que simplesmente nos retirem tempo (fazendo-nos desperdiçá-lo) e auto-estima, um dos grandes problemas por cá.

Actualmente, estou a pensar em fazer um detox digital com alguma frequência. E vocês, já fizeram algo do género? O que pensam sobre isso? Somos mesmo profundamente dependentes das redes sociais?

Comments

  1. balio says:

    Deixei apenas o Whatsapp por forma a comunicar com as outras pessoas (as SMS’s estão em desuso, não estão?)

    Não entendo. Qual é a “vantagem” de Whatsapp em relação a SMS? Não é, precisamente, a capacidade de com Whatsapp formar uma rede social?

    (Eu não uso Whatsapp nem sei como funciona. Presumo que, se toda a gente usa, é por ter alguma vantagem em relação a SMS.)

    • César Alves says:

      Caro balio,

      Depende do que interpretamos por rede social. Embora haja quem considere o WhatsApp uma, eu não, uma vez que não tem a mesma estrutura de feed, com actualizações constantes, nem sequer a ideia de amigos/seguidores. É baseada no número de telemóvel e as vantagens para as SMS são o envio de documentos, o envio de imagens/videos de uma forma facilitada e as conversas de grupo, não tendo a componente “social” como o Facebook ou o Instagram ou até o Twitter. É possível colocar histórias para os contactos verem, mas, pelo menos dos meus contactos, menos de 1% as usam.

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