Ligação Famalicão – Cabul

Penso que a capa do jornal que entrevistou o cruzado Artur Mesquita Guimarães, bem como o meme que com ela fizeram, ilustra bem a novela que estamos a assistir, e que se resume a isto: um pai profundamente formatado pelo radicalismo da sua ideologia político-religiosa, que impõe autoritariamente aos filhos, pretende combater aquilo que considera ser uma imposição ideológica do sistema de ensino, instrumentalizando para tal os seus filhos e o seu bem-estar.

Seria cómico se não fosse tão triste. E não, não é muito diferente do pai muçulmano que retira a filha de uma escola ocidental, que alegadamente profanará a sua existência. Mas o que verdadeiramente assusta, no meio de tudo isto, é que a ascensão da extrema-direita abriu a porta do armário dos Talibans cristãos e isso terá profundas consequências para todos. Basta olhar para o que se passa do outro lado do Atlântico.

Comments

  1. JgMenos says:

    Se em vez de se lamentarem atentassem nas cretinices que dizem e fazem só para se darem ares de progressistas, como se progresso fosse toda a merda que contrarie tradições e senso comum.

    • POIS! says:

      Pois é!

      E é isso que explica um triste fenómeno dos nossos dias: cada vez há Menos portugueses a aceitar casar-se com a Nação.

      Não sei o que vai ser da coitadinha, com tanta tradição contrariada. Não se faz!

    • Paulo Marques says:

      Se invés se preocuparem com tradições e senso comum se preocupassem com o mundo real…

  2. POIS! says:

    A propósito das queixinhas deste Irmão do Quarto Pastorinho, relato aqui o que se passou com uma pessoa de família. Para que se compare.

    Quando andava no 7º ano, os pais de Maria (nome fictício) perguntaram-lhe, aquando da matrícula, se queria frequentar Religião e Moral Católica. Maria respondeu que sim.

    Entretanto, os pais foram avisados que havia problemas na constituição de turma, devido ao reduzido número de alunos que tinham optado.

    O ano letivo começou sem que houvesse turma. Nessa altura, os pais da Maria entregaram no Conservatório, onde frequentava um curso de produção musical e de instrumento (violino) em regime supletivo, o horário da aluna para que se conseguisse coordenar com o da escola, como prevê o regime supletivo.

    Passado um mês, são os pais notificados de que a disciplina de RM Católica iria funcionar às quartas-feiras á tarde, porque era o único dia que cabia no horário dos alunos (por serem de diversas turmas).

    Protestaram os pais de Maria, bem como os de outra aluna, dizendo que, nesse dia, tinham aulas no Conservatório (para outros havia razões diferentes, mas igualmente impeditivas). Receberam como resposta que tentassem mudar essas aulas. O Conservatório declarou que tal já não era possível, porque envolvia muita gente – professores e outros alunos.

    Tentaram então os pais de Maria anular a matrícula. E aqui começou a comédia: não era possível anular a matrícula a uma só disciplina. Ou Maria frequentava (com prejuízo das aulas de música) ou reprovaria por faltas!

    Isto apesar de a frequência nem sequer ser obrigatória!

    Começaram os pais por tentar gerir a situação, falando com o professor, que se mostrou inflexível: ou frequentavam, ou chumbavam. Recorreram aos bons ofícios do Bispo, que remeteu para o professor.

    E lá foram tentando gerir: uma semana iam, outra iam ao Conservatório, e as alunas a ouvir queixas dos dois lados.

    Por fim, o professor lá acedeu a que as alunas fossem apenas uma vez por mês, fazendo um trabalho que servisse de avaliação. Só que, entretanto, adoeceu e veio um substituto ainda mais inflexível.

    O Diretor convocou, então, os pais, pediu para que “não lhe causassem problemas” e avisou-os que o caso era já do conhecimento da Delegação Regional da DGEstE, pelo que os alunos corriam mesmo risco de reprovação. Não havia volta a dar!

    E, muito contrariados, lá tiveram de frequentar até ao fim do ano, com umas justificações pelo meio aceites pelo diretor de turma…por boa vontade!

    Ora comparem com os “paninhos quentes” com que tem sido tratado o Irmão do Pastorinho Quarto! E ainda se queixa!

    PS. Escusado será dizer que nunca mais os pais daqueles alunos os matricularam na disciplina de RM Católica…

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Isto, se alguma coisa pretendesse demonstrar, acho que falhou reondamente. Na melhor das hipóteses é um tiro no pé, e só demonstra a m… de Ministério da Educação, DGEStE ou o que quer que seja que temos a superintender ao Ensino.

      Em vez de tentarem resolver os problemas que eles (DGEStE e escola) criaram, atiraram o ónius para cima dos alunos e pais. Tal e qual o que se passa com a dita Cidadania. Se algum exemplo podemos daqui retirar é que o Estado se está a borrifar para os cidadãos e para a Ensino, e que quem superintende são uns quantos boys, que apenas querem é o deles (bem chorudo) no fim do mês. O Ensino Público está entregue aos bichos.

      A culpa não é da disciplina, a culpa é do triste regime de ensino que temos.

      Quanto à pulicação inicial, é mais uma palermice do Mendes. Já nem vale a pena perder tempo com esse.

      • João Mendes says:

        E, ainda assim, tu insistes em perder. Deves ser mesmo muito burro, filhote!

      • POIS! says:

        Pois seja um tiro no pé! Mas não no meu!

        Mas deixe lá: o buraco não se nota. São já tantos que o pezinho de Vosselência nem se vê!

        A Religião e Moral é facultativa, e nem assim deixaram de ser intransigentes! O que não está a acontecer com os rebentos do Irmão do Quarto Pastorinho. Queixa-se, então, de quê? A instituição a que pertence é muito mais intolerante que o Estado!

        • JgMenos says:

          A diferença é que os pais de Famalicão arriscam e fazem barulho suficiente para que a p* da burocracia socialista preste atenção.
          Regulam toda a merda e sempre se preocupam que ninguém tenha poder de interpretar o regulamento por modo a não ofender direitos.
          O exemplo demonstra a vitória abrilesca: toda a manada agrilhoada a papéis e ninguém a quem se confie o poder de assumir a responsabilidade de decidir com bom senso e equidade..

          • POIS! says:

            Ora pois! Tiro ao lado!

            Foi no tempo do Crato, uma das aventesmas da sociedade comercial “Passos & Portas – Tecnoformas, Submarinos e Outras Merdas, Lda”.

            Se fosse na era salazaresca, isso sim, não havia burocracia: a Religião e Moral era obrigatória e está arrumado! Disso não se queixa Vosselência!

    • Abstencionista says:

      Olha que mentir é muito feio, Insana Assunta!

      Deves estar muito embaciado intelectualmente para contares aos aventares esse chorrilho de aldrabices da Maria julgando que eles acreditam!

      Nessa nem o Paulo Marques, (que acredita em tudo, até em mulheres com pila), engole.

      Mas se contares a história do abade que te sentava ao colo, em cima do chumaço, para te ensinar religião e moral…isso sim, já dá para acreditar.

      • POIS! says:

        Pois voltou!

        O Abstencioneiro, já recuperado de uma operação a uma obstrução da cloaca. Pelos que aqui se tem visto, está recuperado em toda a sua pujança rectal.

        Os nossos parabéns ao cirurgião.

  3. Anonimo says:

    Antigamente dizia-se benéfico estar exposto a outras ideias, mesmo que delas discordando. Hoje não é bem assim.
    Ou é ofensivo, problemático, pode causar transtornos.
    Cada um na sua bolha, com os seus. Porque tudo o que está fora é desprovido de bondade, inteligência, virtude e progresso.

    Do outro lado do Atlântico temos o regresso em força dos puritanos Reaganistas, daqueles que censuravam a vida de Brian porque gozava com o Cristianismo. E também dos puritanos progressistas que censuram a vida de Brian porque goza com as minorias.

  4. Anonimo says:

    Ha piadolas e piadolas. Esta, é uma boa piadola.
    Va lá que o senhor ainda é pai dos alunos, não é progenitor não gestante.

    radicalismo da sua ideologia político-religiosa

    Não são todas radicais? Não vejo um ateu aceitar que o filho apanhe com doutrinação católica. Ou um liberal de costumes acatar que venham pregar as virtudes do celibato extra matrimonial. Até porque um facto é indesmentível, a melhor ideologia é sempre a minha, caso contrário não a seguia

    • Paulo Marques says:

      Não vê? A minha família nunca teve problemas com isso. Até fui eu que insisti em ir para RM. E não foi por isso que os valores de alguém passaram a ser diferentes.
      É disso que têm medo?

      • Anonimo says:

        Eu, que nem pais casados na igreja tenho, também fui (meio ao engano) no 5o ano. Será a diferença entre o que se chama moderados, e os outros.

        Têm, quem? Os pais de Famalicão ou os microagredidos dos trigger warnings?

        • Paulo Marques says:

          Então vê, mas diz que não vê, e o aldrabão é outro?

          Mas ser cego explica que não veja quem é que é realmente obrigado a levar com os pontos de vista dos outros quer queira, quer não, dia sim, dia sim.

          • Anonimo says:

            O Paulo Marques tem toda a razão.
            Não percebeu nada do que eu disse, nem eu percebo o conteúdo dessas respostas, mas está completamente certo, e eu errado. É o que dar Não ser intelectual de esquerda, tende-se para a ignorância de mente e espírito.

          • Paulo Marques says:

            Percebo, percebo. Confunde dizer que uma visão é errada, e assediar constantemente por não dever existir por inteiro.
            Se levam contraditório, é por fazerem questão de escreverem o que decidem por livre e espontânea vontade escrever num sistema que salvaguarda a liberdade de expressão, bem como quem responde. Ninguém obriga ninguém a ler a resposta, que, de resto, não só não lêem, como voltam a repetir em bando.
            Que é que isso tem a ver com algumas horas de aula de matéria alegadamente errada? Nada.

  5. JgMenos says:

    Quando os libertadores se socorrem do regime de que nos libertaram para justificarem o que fazem, sempre me divertem.
    Não estou certo do regime da ‘religião e moral’; sei que nos anos 60 não existiam no liceu.
    Sei que havia ‘canto coral’ com letras doutrinárias e algo de organização política da república.
    Mas cidadania, do espermatozóide à treta igualitária, é agora uma endoutrinação completa e concentrada.
    Pastores de rebanho prontos para se tornarem magarefes das suas liberdades, assim as circunstâncias lho permitam.

    • POIS! says:

      Ora pois!

      Continuam as boas piadas de JgMenos! Quanto mais o Alzheimer seletivo o ataca, mais a malta se ri.

      Se Vosselência “não está certo” do regime é porque não andou lá! Era obrigatória!

      Pelo Menos até aos 16 anos de idade. Mas nem isto estou certo de quando aconteceu. Parece-me que só na “primavera marcelesca”.

      E sim, havia “Canto Coral” com as marchas da Mocidade e, mais tarde, o “Angola é Nossa”. Era assim que se forjavam os patriotas. A desafinar á fartazana, dirigidos por maestros de banda com a 4ª classe mal feita.

      E uma disciplina de opção chamada OPAN, frequentemente escolhida porque “era fácil”. Foi extinta, salvo o erro, na era marcelesca.

      Para formarem, pelo Menos (cito, com adaptações), “Pastores de rebanho prontos para se tornarem magarefes dos democratas, assim as circunstâncias lhe o permitissem”..

    • Paulo Marques says:

      “letras doutrinárias e algo de organização política da república” não é “endoutrinação completa e concentrada”, são par de horas num ano a dizer que não somos todos iguais.
      E o rebanho são os outros.

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