Governos, instituições e pessoas reconhecem o direito à greve, mas, quando há uma greve, os governos, as instituições e algumas pessoas tendem a criticar a prática da greve ou porque estão a decorrer negociações ou porque irão decorrer negociações ou porque as afirmações ainda são meras propostas ou porque a greve – esta é a minha favorita – está a incomodar as pessoas.
Fica-se com a impressão de que a greve deveria ser apenas um adorno legislativo que servisse para provar a existência de democracia, deixando-se ficar quietinha e bonitinha na letra da lei, sem se sujar na rua.
Está a decorrer uma greve de professores, para fingido espanto e aparente revolta de um ministro alegadamente ofendido com as mentiras que os grevistas dizem, estratégia habitual deste e de muitos ministros que o antecederam
O discurso que reconhece o direito à greve, mas já está em vigor, como se pode notar num texto da Federação das Associações de Pais do Concelho de Gaia. Realço esta pérola: «Entendemos que os professores têm direito à greve como um direito inabalável consagrado na Constituição Portuguesa. O que nos parece mais difícil de aceitar é o modelo de greve que tem como objectivo causar grandes alterações à vida dos alunos e pais com um custo muito baixo para quem a faz.» Como diria Vasco Santana, “Desculpa que te diga, mas és um ilusionista!”






É como os tudólogos a dizer que dar oportunidade às pessoas de ter voz nalguma coisa que não seja mudar os fantoches na política única é populismo.
Viva a democracia liberal!
Exactamente o que disseram naquela greve dos motoristas de pesados. Essa não era greve das boas…
Disse, quem? O Costa disse o mesmo, de facto, eu também, de facto. E para os estivadores idem, que são dos bons, nem contracto, nem contrato, nem direito a greve às horas normais, nem direito à greve às horas extra.
O melhor é seguir o exemplo das mais maiores grandes democracias e banir greves e protestos de uma vez.
Costa de facto e de fato. Num ponto tem razão, há que saber escrever, ou excrever, um dos motivos das greves são os contractos. Dos salários. Em especial em tempos de inflação.
Se é uma questão de escrita, tem o Jeremias.
The strikes up and down this country are not just about pay. They are about poverty, hunger, stress, insecurity, inequality, and injustice within our society. Today’s turbulent terrain and societal fractures cannot be resolved or healed without a politics of hope. A politics that stands up for those who run our public services, teach our children, keep our communities connected, look after us when we are sick, and care for the most vulnerable. As women in Dagenham taught us in 1968, when you stand by striking workers, you stand up for a better world.
Os pais de Gaia também disseram mal da greve dos motoristas?
De Gaia, Lisboa e outros pontos geográficos.
Alguns até com espaço televisivo. E de esquerda.
Mas é ou não é verdade que estão a procurar fazer uma greve com custo muito baixo para quem a faz, máximo para quem a sofre?
No passado o modelo de greve adotado foi o de somente 10% dos trabalhadores fazerem greve, mas de forma que nada pudesse funcionar. Será que agora estão a adotar o mesmo modelo?
E então?
Por impedimento do Lavoura, já que o seu comentário calhou mesmo na hora do lanche do unicórnio de estimação, eu traduzo:
O Lavoura preferia um modelo em que 90% dos trabalhadores estivessem em greve, mas de forma a que tudo pudesse funcionar.
Isto porque o modelo ideal é um tanto mais difícil de implementar: 100 % (ou até mais!) dos trabalhadores em greve, mas a trabalhar, para que ninguém sofra.
Um “furo” é um dos acontecimentos mais chocantes que podem existir na vida de uma criança. Há algumas que nunca mais recuperam desse trauma.
Como sabiamente disse um tal Godinho, “Greves era só das seis e meia às sete/ Em frente a um cassetete”. Nem mais!
E então, isso é uma falta de ética, António Fernandes Nabais. Não é ilegal, mas é uma falta de ética.
Quem faz greve deve fazê-la sempre, todos os dias em que a greve está marcada. Não é fazer um dia de greve uma vez por outra, por forma a maximizar o impacto destrutivo da greve mas minimizar as perdas salariais.
Não são somente políticos que demonstram falta de ética. Pelos vistos, ela começa nas escolas.
Repito, ético é, quando se faz greve, fazê-la todos o dias.
Pois claro, Luís: direito à greve, mas.
Exatamente, António Fernando Nabais: direito à greve, MAS os grevistas devem perder o salário dos dias em que fazem greve. E devem fazer a greve em todos os dias em que ela está declarada pelo seu sindicato. E devem apresentar-se na empresa para mostrarem publicamente que são grevistas, em vez de aproveitarem o dia de greve para irem de férias.
Os grevistas têm o direito de tornar a sua luta o mais eficaz possível, o que pode incluir, por exemplo, o recurso a fundos de greve ou qualquer outra estratégia que permita que o grevista não perca dinheiro, qual cordeiro sacrificial, podendo pressionar devidamente a entidade patronal. Entretanto, é sabido que há enchentes de aeroportos, de hotéis e de restaurantes em altura de greves – é vê-los, cheios de dinheiro, a partir para férias em destinos exóticos. Aproveite e vá dar lições de ética ao ministro da Educação.
Não dá, foi tudo efientizado e já fazem falta antes de fazerem greve.
Preferem ser explorados até ao tutano?
Os exploradores sempre tiveram apoio dos ditos democratas!
Provavelmente o que querem, é que as greves sejam para invadir o parlamento, instituições privadas ou do estado! Como aconteceu no Brasil – assim já estão de acordo?!
Os hipócritas nunca estão só!